Aviação agrícola no Anuário da Aviação Civil 2024

Publicação do IBA teve a participação do diretor do Sindag Gabriel Colle e aponta dados que reforçam o protagonismo do setor aeroagrícola  em sustentabilidade

A trajetória da aviação agrícola brasileira em seus 77 anos (cujo aniversário foi comemorado em agosto) é a tônica do artigo do diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, no Anuário Brasileiro da Aviação Civil 2024 (página 72). Lançado no final de setembro pelo Instituto Brasileiro de Aviação (IBA), o relatório traz novamente números e tendências do mercado mundial e seus reflexos no País, com análises de diversos segmentos do mercado aeronáutico.

Em sua participação, Colle destaca o crescimento da frota aeroagrícola, que hoje já bateu a marca das 2,7 mil aeronaves – voando mais de 100 milhões de hectares em aplicações anuais. Isso em um País que, graças justamente às tecnologias no campo, partiu de uma produção de 30 milhões de toneladas de grãos nos anos 1970 (segundo o IBGE) para uma estimativa de 300 milhões de toneladas para 20204 (conforme a Conab).

Lembrando que o Sindag tendo surgiu em 1991 e, a partir dos anos 2000, ampliou exponencialmente o papel proativo no desenvolvimento do setor – ajudando o País a contar hoje com a segunda frota mundial no segmento. Tendo mais recentemente  focado energias também na excelência de profissionais e operadores e na comunicação com a sociedade. Com destaques como a adesão da entidade ao Pacto Global da ONU e aos compromissos da Agenda 2030 do órgão – que este ano resultaram na Cartilha de Compromissos do setor com o tema

A publicação do IBA apresenta também dados gerais da Associação dos Fabricantes de Aviação Geral (Gama, na sigla em inglês) sobre a comercialização de aeronaves. Onde se pode conferir ainda, no cenário aeroagrícola, a entrega, pela Embraer, de 65 unidades do avião Ipanema. Lembrando a grande participação também das norte-americanas Air Trator e Thrush em nosso mercado, além do protagonismo da China no setor de drones agrícolas no Brasil.

VANGUARDA

O leitor que se debruçar atentamente sobre o Anuário do IBA, vai constatar diversas tendências da aviação geral em que o setor aeroagrícola historicamente exerce protagonismo. Destaque aí para o uso de biocombustíveis:

Enquanto o Brasil já tem cerca de um terço de sua frota aeroagrícola movida a etanol –combustível usado desde 2004 pelo setor. Enquanto, em termos globais, os biocombustíveis representam apenas 0,5% do total consumido pela aviação geral. Tanto que foi só no ano passado que a aviação comercial teve primeiro voo transatlântico com combustível.

Ao passo que a Agência Espacial Norte- Americana (Nasa) está financiando a gigante Boeing para desenvolver um Demonstrador de Voo Sustentável, que deve voar lá em 2028. E enquanto União Europeia adotou a legislação ReFuelEU, projetando chegar a 70% de uso de combustíveis sustentáveis até 2050 na frota voando no continente.

O Anuário também destaca que o Brasil tem uma vasta oferta de matérias-primas, tecnologia avançada em experiência na produção de biocombustíveis como etanol e biodiesel. O que coloca nos coloca na vanguarda no mercado dos chamados combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês).