Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG
Indicadores de Destaque:
Câmbio (USD/BRL): =R$ 5,60 | Estimativa/2025
Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | junho/2025
Juros EUA (Fed): = 4,25% – 4,50% | Estimativa/2025
PIB EUA: ↑ 3,0% | 2º trimestre – Estimativa preliminar/2025
Desemprego EUA: ↑ 4,2% | julho/2025
SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025
PIB Brasil: ↑ 2,9% | 1º trimestre/2025
Petróleo WTI: ↑ 2,51% – US$ 65,6 | 04/08/2025
Petróleo Brent: ↓ -2,38 – US$ 68,17 | 04/08/2025
Heating Oil: ↓ -1,11 – US$ 2,27 /galão | 04/08/2025
Etanol anidro (SP): ↑2,84% R$ 2,9996/litro | média semanal – 04/08/2025
INPC (jun/2025): ↑ 0,23% | 12 meses: 5,18%
IAVAG de junho: ↓ -0,81%
IAVAG em 12 meses: ↑ 3,61%
Destaque – Desdobramentos do “Tarifaço” dos EUA
Na última semana, o presidente Donald Trump assinou um novo decreto impondo tarifas de 50% sobre uma ampla gama de produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos. O pacote tarifário, que entra em vigor nesta semana, provocou forte reação nos mercados internacionais e intensificou as tensões comerciais entre os dois países.
Contudo, diante da pressão exercida por empresários americanos, preocupados com o impacto das tarifas, e com o apoio direto de representantes do setor produtivo brasileiro, o governo dos EUA decidiu isentar cerca de 700 produtos brasileiros da tarifa integral. Para esses itens, foi aplicada uma tarifa reduzida de 10%. A lista de exceções inclui setores estratégicos como o aeronáutico, o energético e parte do agronegócio — áreas com vínculos diretos à aviação agrícola. Essa isenção parcial contempla aproximadamente 44,6% do total exportado pelo Brasil aos EUA.
Ainda assim, produtos relevantes para o agronegócio, como café, carnes e frutas, ficaram de fora das isenções e serão submetidos à tarifa cheia de 50%. Esses itens representam 35,9% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o que pode impactar significativamente os custos de produção no campo e, por consequência, as operações da aviação agrícola.
O mercado aguarda agora as contramedidas que o governo brasileiro deverá anunciar nos próximos dias, as quais podem redesenhar o panorama do comércio exterior e influenciar diretamente os custos dos insumos utilizados no setor.
Câmbio (Dólar/Real)
No mês de julho o dólar encerrou cotado, em média, a R$ 5,60, o que representa uma valorização de 3,13% em relação ao fechamento médio de junho, de R$ 5,4565, conforme dados do Yahii. Essa valorização pode ser atribuída a fatores como a intensificação de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos — com destaque para o anúncio de tarifas sobre produtos brasileiros —, além de revisões nas expectativas de política monetária global, especialmente quanto aos juros nos EUA.
O dólar iniciou a primeira semana do mês de agosto em queda, cotado próximo de R$ 5,50, com variação negativa de até 0,8 % frente ao fechamento anterior. O movimento é impulsionado por dados fracos do mercado de trabalho dos EUA, que reforçam expectativas de corte na taxa de juros pelo Federal Reserve (FED) já em setembro. No cenário interno, o real se beneficia do elevado diferencial de juros e da alta nas commodities. As tensões comerciais com os EUA seguem no radar, mas não impediram a valorização moderada da moeda brasileira neste início de mês.
Inflação nos EUA (CPI)
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou uma alta de 0,3% em junho, marcando o maior avanço trimestral recente e acumulando 2,7% nos últimos 12 meses. Os principais impulsionadores da inflação foram os aumentos nos alimentos, no setor automotivo e nos serviços de transporte. Esse desempenho reforça a percepção de que o Federal Reserve poderá manter a atual taxa de juros por mais tempo, reduzindo as chances de cortes no curto prazo.
A divulgação dos dados referentes ao mês de julho está prevista para o dia 12 de agosto de 2025.
Taxa de Juros – EUA
A taxa de juros dos Estados Unidos permanece no intervalo entre 4,25% e 4,50%, patamar considerado restritivo. O Federal Reserve tem adotado uma postura cautelosa, indicando que só iniciará um ciclo de cortes quando houver sinais consistentes de desaceleração da inflação no médio prazo, mas não descartou a possibilidade de cortes ainda este ano. Nesse contexto, o custo global do capital se mantém elevado, o que pressiona economias emergentes e setores que dependem de importações e financiamento externo, como é o caso do setor aeroagrícola brasileiro.
PIB – Estados Unidos
A economia norte-americana apresentou um crescimento significativo de 3% no segundo trimestre de 2025, segundo a estimativa preliminar do Departamento de Análise Econômica dos EUA (BEA). O desempenho positivo foi impulsionado pelo aumento dos investimentos, crescimento nas exportações e pela retomada do consumo das famílias. Esse cenário de aquecimento econômico pode influenciar a política monetária do país e impactar os mercados globais, refletindo sobre o câmbio e, consequentemente, nos custos de insumos e operações do setor de aviação agrícola brasileiro.
Desemprego – EUA
A taxa de desemprego nos Estados Unidos teve um leve aumento de 0,1 ponto percentual no mês de julho se comparado ao mês de junho, ficando no patamar de 4,2%, podemos considerar um nível saudável. Esse panorama de emprego relativamente estável contribui para a decisão do Federal Reserve em manter os juros elevados por mais tempo, reforçando os efeitos negativos para moedas emergentes e para os custos de importação do setor aeroagrícola.
Selic – Brasil
A taxa básica de juros segue em 15%, conforme decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). As projeções indicam que esse nível será mantido até o final de 2025, com perspectivas de redução apenas a partir de 2026. Esse cenário de juros elevados encarece o acesso ao crédito, dificultando investimentos no setor de aviação agrícola e forçando produtores e empresas a buscarem alternativas como a renegociação de dívidas e a antecipação de compras para evitar maiores custos no futuro.
PIB – Brasil
No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,9%, com destaque para o setor agropecuário, que teve um avanço significativo de 12,2%. Esse crescimento robusto no setor favoreceu a demanda por serviços de aviação agrícola. No entanto, a recente elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos do Brasil pode impactar negativamente as exportações e comprometer o ritmo de crescimento econômico nos próximos períodos, com reflexos diretos no setor aéreo agrícola, fortemente atrelado ao desempenho do agronegócio.
Desemprego – Brasil
A taxa de desemprego no país ficou em 7% no primeiro trimestre. A geração de postos de trabalho no meio rural foi favorecida por uma safra positiva. Contudo, diante do aumento das incertezas no cenário internacional e das tensões comerciais em andamento, há risco de desaceleração nas contratações nos próximos meses. Isso pode afetar o setor de aviação agrícola de forma indireta, uma vez que a retração do agronegócio impacta toda a cadeia produtiva.
Heating Oil
O preço do heating oil registrou nova queda expressiva nesta segunda feira, sendo cotado a US$ 2,27 por galão, o que representa uma desvalorização de 5,41% em relação à semana anterior. A retração é resultado da redução nos custos do petróleo bruto, principal matéria-prima, somada a uma oferta global acima do esperado e à queda na demanda. Esse movimento contribui para aliviar os custos com combustíveis no setor de aviação agrícola, ainda que os efeitos no Brasil dependam da política de preços internos e da variação cambial.
Etanol Anidro
Na primeira semana de agosto, o preço médio do etanol anidro em São Paulo registrou alta de 2,84% em relação à semana anterior, com o litro cotado a R$ 2,9996. Esse aumento está diretamente ligado à mudança na proporção da mistura de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30% a partir de 1º de agosto. A nova exigência ampliou a demanda pelo produto, impulsionando os preços e gerando impacto nos custos operacionais do setor de aviação agrícola, que utiliza derivados semelhantes em sua cadeia logística.
INPC
O INPC registrou alta de 0,23% em junho representa uma desaceleração em comparação aos meses anteriores (maio teve +0,35%, abril +0,48%), indicando uma trajetória de inflação mais moderada no curto prazo.
No entanto, o INPC acumulado em 12 meses atinge 5,18%, o que está acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano (4,5%), sugerindo persistência de pressões inflacionárias que afetam famílias de menor renda.
Essa inflação acumulada implica maior pressão sobre custos de insumos e serviços, incluindo os insumos básicos e o combustível utilizados na aviação agrícola.
A contenção da inflação recente (menor variação mensal) pode aliviar marginalmente os custos operacionais e suavizar a inflação de despesas correntes no setor agroindustrial.
IAVAG nos Últimos 12 Meses
| jul/24 | ↑2,12% |
| ago/24 | ↓-0,84% |
| set/24 | ↓-2,54% |
| out/24 | ↑4,15% |
| nov/24 | ↑2,35% |
| dez/24 | ↑2,86% |
| Jan/25 | ↓-2,20% |
| fev/25 | ↑ 0,43% |
| mar/25 | ↓-0,70 |
| abri/25 | ↓-0,86 |
| maio/25 | ↓-0,35 |
| Jun/2025 | ↓-0,81 |
| Total | 3,61% |
Comentário sobre o IAVAG
O Índice da Aviação Agrícola (IAVAG) registrou uma queda de 0,81% em junho, marcando o quarto recuo mensal consecutivo. Apesar das deflações recentes, o índice ainda acumula alta de 3,61% nos últimos 12 meses, refletindo os impactos prolongados das oscilações de custos no setor.
Essa retração mensal é explicada principalmente por dois fatores:
A forte valorização do real frente ao dólar, com recuo de 4,4% na cotação da moeda americana, o que reduziu o custo de itens importados;
A queda de 0,75% no preço do etanol anidro, influenciada pelo avanço da safra de cana-de-açúcar e pela demanda interna mais enfraquecida, o que pressionou os preços do biocombustível para baixo.
O desempenho do IAVAG em junho reforça os desafios enfrentados pela aviação agrícola, setor altamente sensível às flutuações cambiais, aos preços de combustíveis e às condições do mercado global de insumos e peças. A continuidade desse cenário dependerá do comportamento do câmbio, da política monetária e da dinâmica dos preços no mercado energético.
Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA.

