Boletim Econômico | Reflexos da Economia Internacional e Nacional no Setor Aeroagrícola

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): =R$ 5,60 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | junho/2025

Juros EUA (Fed): = 4,25% – 4,50% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,0% | 2º trimestre – Estimativa preliminar/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,2% | julho/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑ 2,9% | 1º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ -0,01% – US$ 63,95 | 11/08/2025

Petróleo Brent: ↓ -0,02% – US$ 66,65| 11/08/2025

Heating Oil: ↓ -0,79% – US$ 2,27 /galão | 11/08/2025

Etanol anidro (SP): ↑1,95% R$ 3,0580/litro | média semanal – 08/08/2025

INPC (jun/2025): ↑ 0,23% | 12 meses: 5,18%

IAVAG de junho: ↓ -0,81%

IAVAG em 12 meses: ↑ 3,61%

 

Câmbio (Dólar/Real)

Nesta segunda-feira, o dólar mantém tendência de valorização frente ao real, sendo cotado em média a R$ 5,45. O movimento reflete a valorização internacional da moeda norte-americana e a cautela dos investidores domésticos à espera do plano de contingência do governo brasileiro para responder às tarifas impostas pelos EUA.

A expectativa é que o governo brasileiro deva divulgar as medidas do plano de contingência na terça feira dia 12/08.

 

Inflação nos EUA (CPI)

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou uma alta de 0,3% em junho e acumulado de 2,7% em 12 meses. Alimentos, setor automotivo e serviços de transporte foram os principais vetores. A perspectiva é de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo, reduzindo a chance de cortes no curto prazo.

A divulgação dos dados referentes ao mês de julho está prevista para o dia 12 de agosto de 2025.

 

Taxa de Juros – EUA

A taxa de juros dos Estados Unidos foi mantida pela quinta reunião consecutiva entre 4,25% e 4,50%, patamar restritivo. O Fed aguarda sinais claros de desaceleração da inflação antes de cortar juros, embora não descarte cortes ainda este ano. Isso mantém o custo global do capital alto, pressionando economias emergentes e setores dependentes de importações — como o setor aeroagrícola brasileiro.

 

PIB – Estados Unidos

O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu 3% no segundo trimestre de 2025, segundo estimativa preliminar do Departamento de Análise Econômica (BEA). O resultado, acima das expectativas de mercado, reflete o aumento dos investimentos, a expansão das exportações e a retomada consistente do consumo das famílias.

Analistas destacam que esse desempenho confirma a resiliência da economia americana, mesmo sob o impacto de juros elevados, e indica que o Federal Reserve terá menos espaço para cortes na taxa básica no curto prazo. Para o mercado, a força do PIB reforça a percepção de que a política monetária seguirá restritiva por mais tempo, mantendo o dólar valorizado e elevando os custos de financiamento e importação em países emergentes. No caso do Brasil, essa dinâmica tende a pressionar o câmbio e encarecer insumos essenciais para o setor de aviação agrícola.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego dos Estados Unidos subiu para 4,2% em julho, alta de 0,1 ponto percentual em relação a junho. Apesar do avanço, o nível ainda é visto por economistas como consistente com uma economia em pleno emprego, indicando que o mercado de trabalho continua robusto, mas começa a dar sinais de moderação. Analistas apontam que esse leve aumento pode refletir a desaceleração de algumas contratações diante do cenário de juros elevados, estratégia utilizada pelo Federal Reserve para conter a inflação.

Para o mercado, a leitura é de que, embora não haja sinais imediatos de enfraquecimento acentuado da economia americana, a manutenção de uma taxa de desemprego próxima a esse patamar pode levar o Fed a adotar um tom mais cauteloso nas próximas decisões de política monetária. Essa percepção influencia diretamente as expectativas para o dólar e, por consequência, os custos de importação de insumos estratégicos, como os utilizados na aviação agrícola brasileira.

 

Selic – Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano na reunião de 30 de julho de 2025. A decisão reflete a preocupação em conter pressões inflacionárias e preservar a atratividade dos investimentos em reais, diante da volatilidade externa e da recente pressão cambial.

No cenário internacional, os Estados Unidos anunciaram tarifas de até 50% sobre diversos produtos brasileiros, como frutos do mar, carne e açaí, medida que pode reduzir exportações e pressionar o câmbio. Alguns setores estratégicos, como suco de laranja e aeronaves, foram isentos, atenuando o impacto no PIB. Analistas avaliam que, apesar do choque, a diversificação comercial do Brasil e o nível elevado da Selic contribuem para amortecer os efeitos sobre a economia, embora mantenham o crédito caro e o consumo interno contido.

 

PIB – Brasil

No primeiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,9%, com destaque para o setor agropecuário, que avançou expressivos 12,2%. Esse desempenho robusto impulsionou a demanda por serviços de aviação agrícola, setor diretamente ligado ao agronegócio.

Segundo o Boletim Focus divulgado em 11 de agosto de 2025, a projeção para o crescimento do PIB total em 2025 foi revisada de 2,23% para 2,21%. Para 2026, a expectativa é de desaceleração, com crescimento estimado em 1,87%, refletindo a necessidade de cautela diante de incertezas econômicas internas e globais.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,0% no primeiro trimestre de 2025, mantendo-se relativamente estável em relação ao trimestre anterior (6,9%).

Contudo, analistas econômicos apontam que as recentes taxações dos Estados Unidos, que aplicaram tarifas de até 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados para aquele mercado, podem resultar em uma desaceleração do ritmo de contratações nos próximos meses. Espera-se que a taxa de desemprego possa oscilar para cima, chegando a cerca de 7,3% até o final do terceiro trimestre de 2025, caso as exportações sofram retração significativa.

 

Heating Oil

O preço do heating oil nesta segunda feira segue um comportamento de queda, sendo cotado a US$ 2,27 por galão, o que representa uma desvalorização de 0,47% em relação ao dia anterior. A retração é resultado da redução na demanda devido a temperaturas acima do normal no mês de agosto. Esse movimento contribui para aliviar os custos com combustíveis no setor de aviação agrícola, ainda que os efeitos no Brasil dependam da política de preços internos e da variação cambial.

 

Etanol Anidro

Na segunda semana de agosto, o preço médio do etanol anidro em São Paulo registrou alta de 1,95% em relação à semana anterior, com o litro cotado a R$ 3,0580. Esse aumento está diretamente ligado dinâmica do mercado da oferta e demanda. A recente mudança na proporção da mistura de etanol anidro na gasolina, que passou de 27% para 30% a partir do dia 1º de agosto, aumentou a demanda pelo produto, e conseguinte a diminuição da oferta, resultando nesta valorização do preço deste produto.

 

INPC

Em junho de 2025, o INPC apresentou alta de 0,23%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra um aumento de 5,18%, indicando uma inflação persistente. Embora a pressão sobre os preços tenha sido menor do que no resultado do mês anterior, essa tendência de alta persiste, contribuindo para a instabilidade econômica e deve influenciar na decisão de políticas públicas voltadas ao controle da inflação, como a manutenção da taxa de juros básica em patamar elevado por mais tempo.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

jul/242,12%
ago/24-0,84%
set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70
abri/25↓-0,86
maio/25↓-0,35
Jun/2025↓-0,81
Total3,61%

 

Comentário sobre o IAVAG

O Índice da Aviação Agrícola (IAVAG) registrou uma queda de 0,81% em junho, marcando o quarto recuo mensal consecutivo. Apesar das deflações recentes, o índice ainda acumula alta de 3,61% nos últimos 12 meses.

Essa retração no índice é explicada pela forte valorização do real frente ao dólar, com recuo de 4,4% na cotação da moeda americana no mês de junho, e pela queda de 0,75% no preço do etanol anidro, influenciada pelo avanço da safra de cana-de-açúcar e pela demanda interna mais enfraquecida.

O resultado do mês de julho está previsto para ser divulgado na semana do dia 25 de agosto.

 

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia