Movimentação no dia 4 será com o painel Desbravando a agricultura do futuro, abordando a necessidade de mão de obra no setor na Casa Agptea…
…enquanto o dia 5 terá o 3º Encontro da Aviação Agrícola na Expointer – Desafios e Oportunidades, destacando mercado e legislação na Casa OAB/RS
A aviação agrícola ganha protagonismo na 48ª Expointer, em Esteio/RS, com dois dias de discussões estratégicas. Na quinta-feira (4), o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle, participa do painel Desbravando a agricultura do futuro. Abordando, a partir das 10h15, os desafios da competitividade, os impactos da transição tecnológica e a necessidade urgente de mão de obra qualificada para lidar com drones, sistemas autônomos e ferramentas digitais. O encontro será espaço da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (a Casa Agptea, ao lado do Pavilhão de Agricultura Familiar).
Já na sexta-feira (5), a partir das 11h, a Casa da OAB/RS (próximo à Pista Central de Julgamento de animais do Parque Assis Brasil) recebe o 3º Encontro da Aviação Agrícola na Expointer – Desafios e Oportunidades, promovido pela Seção gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil, em parceria com o Sindag e o Instituto Brasileiro da Aviação agrícola (Ibravag). Serão seis apresentações que vão desde o crescimento do setor até as perspectivas até 2028 e novidades na legislação sobre aviões e drones nas lavouras. Neste caso, com mediação do presidente da Comissão Especial de Direito Aeronáutico e Aeroespacial (Cedaea) da OAB/RS, Eduardo Teixeira Farah.
Lembrando que, além de berço da aviação agrícola brasileira (que completou 78 anos em agosto), o Rio Grande do Sul possui a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do País. Com mais quase 400 aeronaves, atrás apenas do Mato Grosso e à frente de outros 22 Estados que utilizam a ferramenta a aplicação de defensivos químicos ou biológicos, fertilizantes e semeadura. Além de atuar também no combate a incêndios em lavouras e reservas naturais. Para completar, o Brasil tem a segunda maior frota do setor no planeta (atrás apenas dos EUA).

PÚBLICO: Evento em Esteio/RS é uma das maiores e mais tradicionais feiras agrícolas da América Latina, com expectativa de receber cerca de 800 mil pessoas em nove dias – foto: Divulgação/Expointer
O desafio da competitividade
Sobre a palestra da quinta-feira (4), Colle explica que a competitividade é atualmente o maior desafio da agricultura no Brasil, “fortemente impactada pela oscilação do dólar e pelos altos custos de insumos, combustíveis e equipamentos”. Ele também aponta a transição tecnológica como um obstáculo importante, agravada pela escassez de mão de obra qualificada para lidar com sistemas autônomos, drones e ferramentas digitais. “Hoje, quem trabalha no campo precisa dominar tecnologias de ponta e entender de gestão de dados”, sublinha.
O dirigente assinala ainda que o Sindag tem trabalhado forte pela aproximação entre pesquisa científica e aplicação prática no campo. “Promovemos congressos, encontros regionais e investimos em publicações especializadas para garantir que o conhecimento circule e gere impacto real na produção rural”, explica. Onde um dos destaques é justamente o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg), que teve sua edição 2025 agora em agosto, no Mato Grosso.
O diretor também enfatiza o papel da digitalização na gestão agrícola, possibilitando desde o planejamento técnico até a rastreabilidade das operações aéreas, com total precisão e transparência. “A agricultura do futuro exige controle, sustentabilidade e capacitação constante, e tudo isso passa pela educação”, completa.
Novas regulamentações
e números do crescimento
Já o encontro na Casa da OAB/RS terá seis apresentações (confira abaixo a programação), duas delas abordando novas regulamentações que devem ajudar o setor a se desenvolver com segurança, mas sem engessar o mercado para aviões e drones agrícolas. Outro painel tratará especificamente das tendências de crescimento do mercado aeroagrícola, que deverá chegar a 2028 movimentando R$ 10 bilhões anuais. Isso com 170 milhões de hectares atendidos no País, somando-se todas as etapas no trato de cada lavoura.
Outras três palestras vão se debruçar sobre aspectos legais da segurança operacional na aviação, além da fadiga e seus reflexos no Direito Trabalhista. Fechando a rodada com foco no planejamento operacional e a cultura da segurança na aviação agrícola.
Tendência de incremento
e novas regras para drones
O fôlego do mercado aeroagrícola será apresentado pelo diretor-executivo do Sindag e do Ibravag, Gabriel Colle. Isso com base no estudo Perspectivas Econômicas e de Sustentabilidade Aeroagrícola 2025, elaborado pelo economista e diretor operacional do sindicato aeroagrícola, Cláudio Júnior Oliveira. Destacando, por exemplo, que a frota aeroagrícola do Brasil (segunda maior do mundo, com 2,7 mil aeronaves) movimentou R$ 8,17 bilhões em 2024, com cerca de 136 milhões de hectares atendidos pelas aplicações aéreas (somando todas as fases do trato de lavouras).
E que deve crescer a 3,4 mil aeronaves agrícolas até 2028 – somando então mais de 170 milhões de hectares atendidos. Com o faturamento anual devendo romper a barreira dos R$ 10 bilhões até lá. Lembrando que o Rio grande do Sul, além de berço do setor no País, é o Estado com a segunda maior frota de aviões agrícolas no Brasil.
Outro a falar será o empresário Ulf Bogdawa, da fabricante gaúcha SkyDrones (uma das poucas fabricantes brasileiras de drones agrícolas). Ele abordará a nova regulamentação que está sendo elaborada pela Anac, específica para drones profissionais. No caso, o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) nº 100 – específico para os drones profissionais e que está sendo elaborado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
SEGURANÇA
Onde a grande novidade é que os drones profissionais passarão a ser regulamentados com base no desempenho e no risco operacional. E não mais sobre o peso das aeronaves, como é hoje. Conforme a Anac, a ideia com isso é centralizar o foco na segurança, mas garantindo mais liberdade para a inovação. O documento esteve em consulta pública até julho e recebeu contribuições tanto do Sindag quanto da própria SkyDrones.
Ainda nas novidades da Anac sobre a regulação da aviação agrícola, o consultor jurídico do Sindag e secretário da Cedea, Ricardo Vollbrecht, falará sobre o novo procedimento de fiscalização da Agência, com foco na regulação responsiva. Isso tendo em vista as Resoluções nº 761 e 762 do órgão devem entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026.
Basicamente fazendo com que a atuação fiscalizatória seja guiada pela prevenção, conformidade e diálogo, aplicando sanções apenas quando estritamente necessário. A ideia aí é promover a aproximação e colaboração entre regulador e regulado.
Confira a programação da quinta-feira:
3º Encontro da Aviação Agrícola na Expointer
Data: 5 de setembro de 2025 (sexta-feira)
Local: Casa da OAB/RS – Expointer, Esteio/RS
Horário: a partir das 11 horas
11h00 – Abertura e mediação
Leonardo Lamachia – Presidente da OAB/RS
Eduardo Teixeira Farah – Presidente da Cedaea
11h05 – Novo procedimento administrativo da ANAC
Ricardo Vollbrecht – Consultor jurídico do Sindag e do Ibravag, secretário da Cedaea/OAB-RS
11h25 – Relatório econômico da aviação agrícola
Gabriel Colle – Diretor executivo do Sindag
11h45 – Nova regulação da ANAC sobre drones
Ulf Bogdawa – CEO da SkyDrones S/A
12h05 – Aspectos da segurança operacional da aviação agrícola
Eduardo Teixeira Farah – Presidente da Cedaea e aviador
12h20 – A fadiga e seus reflexos nos direitos trabalhistas dos aeronautas da aviação agrícola
Meridiane Gonzales – Vice-presidente da Cedaea
12h40 – Planejamento operacional e cultura de segurança na aviação agrícola
Enio de Cezere – Empresário, piloto agrícola e instrutor de voo
Sobre a feira
Em sua 48ª edição, a Expointer é uma das maiores e mais tradicionais feiras agrícolas da América Latina. A movimentação começou no sábado (30), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). Com a expectativa de receber cerca de 800 mil pessoas em nove dias
Além de uma vitrine para a produção agropecuária, tecnológica e industrial, o evento é também vitrine política e institucional. Com autoridades federais, estaduais e locais circulando entre expositores e produtores, junto com visitantes de diversos países, representantes de entidades desde crédito rural e fomento até pesquisas, sustentabilidade e produção.
A feira gaúcha, aliás ocorre em Esteio desde 1970 e passou a ser anual em 1984. Atualmente, a Expointer ocupa uma área de 141 hectares. No ano passado, o evento recebeu 662 mil visitantes e movimentou mais de R$ 8,1 bilhões em negócios. Um crescimento de 1,41% em relação à edição anterior.