Boletim Econômico | IAVAG registra deflação em agosto

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,50 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,4% | agosto/2025

Juros EUA (Fed): 4,0% – 4,25% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,3% | 2º trimestre – Segunda Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ -0,29% – US$ 62,28 | 22/09/2025

Petróleo Brent: ↓ -0,22% – US$ 66,53| 22/09/2025

Heating Oil: ↓ -0,36% – US$ 2,30 /galão | 22/09/2025

Etanol anidro (SP): ↓ -1,80% R$ 3,2155/litro | média semanal – 19/09/2025

INPC (ago/2025): ↓ -0,21% | 12 meses: ↓ 5,05%

IAVAG agosto: ↓ -1,29 %

IAVAG em 12 meses: 2,52%

 

Câmbio (Dólar/Real)

Nesta segunda-feira (22/09), o dólar iniciou a semana em leve alta, negociado na faixa de R$ 5,33–5,35, acima do fechamento de sexta-feira (R$ 5,3205). A PTAX de referência da sexta encerrou em R$ 5,3276, servindo como parâmetro para os negócios desta segunda feira. O movimento ocorre na contramão do exterior, com o mercado doméstico atento à agenda local.

Para o setor aeroagrícola, a manutenção do dólar em patamar elevado reforça a pressão sobre custos dolarizados, especialmente combustíveis e peças importadas.

 

Inflação nos EUA (CPI)

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,4% em agosto, acima da alta de 0,2% registrada em julho. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 2,9%, enquanto o núcleo (excluindo alimentos e energia) ficou em 3,1%. Os maiores impulsos vieram dos alimentos e energia, além de habitação, que registrou aumento significativo no custo mensal.

A inflação nos Estados Unidos segue acima da meta de 2% definida pelo Federal Reserve, com o índice anual em 2,9% em agosto, após marcar 2,7% em julho. Esse resultado reforça a pressão sobre a política monetária, já que a alta de preços permanece resistente.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) reduziu recentemente sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de uma faixa de 4,25-4,50% para 4,00-4,25%.

Esse corte é o primeiro do ano e reflete um ajuste cauteloso da política monetária, diante de sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, mas com inflação ainda resistente acima da meta de 2 %.

Embora haja esse alívio nas taxas, o Fed sinalizou que novos cortes só serão feitos se os dados econômicos futuros sustentarem uma trajetória de inflação em declínio e risco de desemprego contido.

O impacto sobre o custo de financiamento (empréstimos, hipotecas, cartões) começa a aparecer, o que pode dar algum estímulo ao consumo e investimento — mas esse efeito depende de confiança e estabilidade nos preços e nas expectativas inflacionárias.

 

PIB – Estados Unidos

O Produto Interno Bruto (PIB) real dos Estados Unidos registrou alta de 3,3% no segundo trimestre de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo maior consumo das famílias e pela ampliação dos investimentos privados.

Em contrapartida, o crescimento foi atenuado pelo aumento das importações e pela retração nos gastos do governo. O resultado demonstra a solidez e a capacidade de resistência da economia americana, mesmo em um cenário de juros elevados.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu para 4,3% em agosto, acima dos 4,1% registrados em julho, sinalizando uma leve piora no mercado de trabalho. O avanço reflete uma economia que começa a dar sinais de desaceleração após meses de juros elevados.

A elevação do desemprego pode aliviar parte da pressão inflacionária sobre salários, mas também reforça a percepção de que o crescimento americano perde fôlego. Esse cenário aumenta a cautela do Federal Reserve em futuras decisões de política monetária e pode impactar o câmbio global, influenciando diretamente os custos de insumos dolarizados no Brasil e no setor aeroagrícola.

 

Selic – Brasil

Na reunião de 17 de setembro de 2025, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, reforçando que os juros permanecerão elevados por um período prolongado para garantir o controle da inflação e a atratividade do real. O comunicado não sinalizou cortes no curto prazo, e a expectativa do mercado é de que a flexibilização monetária só tenha início em 2026.

 

PIB Brasil – 2º Trimestre de 2025

O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao primeiro trimestre, já com ajuste sazonal. Em comparação anual (2º Trimestre de 2025 em relação ao 2º Trimestre 2024), o avanço foi de 2,2%.

O desempenho foi puxado principalmente por serviços (+0,6%) e pela indústria (+0,5%), enquanto a agropecuária teve leve recuo de 0,1%. Do lado da demanda, destaque para o consumo das famílias, que cresceu cerca de 0,5%, ao passo que investimentos entraram em queda (-2,2%) e o consumo do governo também recuou levemente.

 

Desemprego – Brasil

No 2º trimestre de 2025, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. A queda em relação ao trimestre anterior reflete a retomada da atividade econômica e a geração de vagas em setores como serviços, construção e agronegócio. Apesar do resultado positivo, especialistas alertam que a alta da subutilização e a informalidade ainda representam desafios, além do risco de pressões externas, como os impactos das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, que podem afetar o mercado de trabalho nos próximos meses.

 

Heating Oil

Na segunda-feira, o futuro do heating oil foi cotado em aproximadamente US$ 2,30 por galão nos mercados internacionais, com uma queda diária em torno de 0,36%. Essa retração parece refletir uma combinação de oferta relativamente estável e incertezas na demanda global, especialmente com altas taxas de juros e preocupações macroeconômicas em diversos países.

 

Etanol Anidro

Na semana de 15 a 19 de setembro de 2025, o preço médio do etanol anidro no estado de São Paulo foi de R$ 3,2155/litro, recuo de 1,80% frente à semana anterior (CEPEA/ESALQ). A queda reflete principalmente o aumento da oferta com o avanço da safra de cana, o menor ritmo de compras das distribuidoras e a concorrência com o hidratado, que também apresentou desvalorização.

 

INPC – julho/2025

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou em agosto de 2025 uma variação de −0,21%, configurando deflação após a alta de 0,21% observada em julho. No acumulado em 12 meses, o indicador recuou para 5,05%, levemente abaixo dos 5,13% registrados no mês anterior.

A queda foi influenciada principalmente pelo grupo habitação (−1,04%), com destaque para a redução na conta de luz, favorecida pelo bônus da Itaipu. Também contribuíram o forte recuo dos alimentos (−0,54%), que vinham sendo um dos principais focos de pressão, e a redução nos transportes (−0,25%).

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70
abri/25↓-0,86
maio/25↓-0,35
Jun/2025↓-0,81
Jul/20251,48
Ago/25↓-1,29
Total2,52

IAVAG – julho/2025

Após o avanço de 1,48% em julho, o IAVAG voltou a registrar deflação em agosto, de -1,29%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice recuou de 2,97% para 2,52%, reforçando a tendência de desaceleração nos custos da aviação agrícola.

O resultado de agosto foi impulsionado por uma combinação de fatores:

Câmbio: o dólar teve desvalorização de –3,12% frente ao real, reflexo da taxa Selic elevada em 15% no Brasil, que mantém o país atrativo para investidores estrangeiros. O diferencial de juros em relação aos EUA e a entrada de capital via exportações de commodities também favoreceram a valorização do real.

Combustíveis: o preço do heating oil caiu –5,26%, acompanhando o recuo do petróleo em meio a sinais de demanda global mais fraca e estoques elevados nos EUA. A perspectiva de crescimento moderado em economias centrais e a estabilidade na oferta ajudaram a aliviar as cotações.

Inflação doméstica: o INPC registrou deflação de –0,21%, puxado pela queda nos preços de alimentos e pela redução nas tarifas de energia elétrica, beneficiadas pelo bônus da Itaipu. Esse movimento reduziu a pressão inflacionária geral e refletiu diretamente no índice.

O desempenho de agosto mostra que o IAVAG continua altamente sensível ao câmbio, ao mercado de combustíveis e ao comportamento da inflação interna. Apesar da deflação no mês, o cenário permanece volátil e sujeito a pressões externas, especialmente diante das incertezas internacionais e do impacto das tarifas comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

 

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, REUTERS.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia