Setembro de treinamento contra chamas no PR e MA

Ações no Maranhão e no Paraná envolveram aeroagrícolas na preparação de brigadistas para atuar operações aéreas de combate a incêndios

O mês de setembro fechou com a aviação agrícola ajudando a formar brigadistas contra incêndios florestais em dois cursos envolvendo forças públicas, no Maranhã e no Paraná. No Nordeste do País, a movimentação foi na cidade de Balsas, onde agentes da Guarda Ambiental do Cerrado (que atua em conjunto com a Prefeitura) participaram de um treinamento oferecido pela empresa CDE Aviação e Tecnologia (que tem sede em Balsas/PA). A instrução ficou a cargo do professor e pesquisador Wellington Pereira Alencar de Carvalho, com a participação também de bombeiros.

A movimentação foi complementar a um curso de Coordenadores de Aviação Agrícola ministrado na cidade maranhense. Wellington iniciou fazendo uma apresentação geral sobre como funciona, a regulação e a importância da aviação agrícola para o País. Em seguida abordou a dinâmica e as técnicas nas operações contra as chamas – combate direto e indireto, procedimentos de lançamento, além da conversação entre equipes e pilotos. Por último, veio a dinâmica com lançamentos de água. Segundo o professor, a ideia foi também chamar a atenção das autoridades e da sociedade para a importância da ferramenta na proteção ambiental.

Já em terras paranaenses, o curso foi para efeitos do 4º Comando Regional de Bombeiro Militar (4º CRBM), que abrange 94 Municípios no noroeste do Estado. Desta vez, em parceria com a empresa Soldeira Aviação Agrícola, da cidade de Andirá. Cerca de 30 bombeiros militares do Paraná participaram, o Paraná, de um treinamento em operação com aeronaves no combate a incêndios florestais.

A movimentação ocorreu no final de setembro, em parceria com a empresa Soldeira Aviação Agrícola. Os militares tiveram aulas teóricas na sede do 5º Batalhão de Bombeiro Militar, em Maringá, e a parte prática foi no Recanto das Águias, na Represa Sendeski – em Iguaraçu. A apresentação da aeronave ficou a cargo do empresário e piloto agrícola Leonardo Soldeira, que também falou sobre a aviação agrícola e os procedimentos em solo. Foi ele ainda o encarregado dos voos de lançamento de água – simulando o ataque a chamas.

Operações coordenadas
Nas operações aéreas contra chamas, cerca de 90% do trabalho é feito em parceria com brigadistas em solo. Com o líder da equipe em terra solicitando apoio aéreo e coordenando com o piloto como é feito o lançamento. Em grandes incêndios, a função do avião normalmente é reduzir o fogo para que os brigadistas possam chegar aos focos em segurança. Isso porque é pessoal em terra que elimina totalmente as chamas e ainda faz o “trabalho cirúrgico” contra braseiros – que, se não extintos, podem reacender a linha de incêndio.

Aviões agrícolas operam sozinhos quando os focos estão em áreas de difícil acesso, como encostas ou terrenos acidentados. Quando há urgência de fazer um corredor de fuga para a fauna cercada pelas chamas ou quando não há equipe perto e é preciso segurar ou tentar eliminar a linha de fogo com mais lançamentos de água.

PRERROGATIVA
Esse modelo de operação com aviões e brigadistas é adotado internacionalmente. Há mais de três décadas é empregado em reservas naturais brasileiras e, mais tarde, passou a ser usado também em lavouras (junto com brigadistas de fazendas e usinas). Lembrando que, no Brasil, operações contra incêndios estão desde os anos 1960 entre as prerrogativas legais do setor.

Só no ano passado, aviões de pelo menos 22 empresas aeroagrícolas lançaram nada menos do que 40,1 milhões de litros de água contra focos de incêndios – em operações contra as chamas em 11 Estados do País, somando 10,7 mil horas de voo na proteção de biomas e lavouras.

MARANHÃO: treinamento ministrado por Wellington Carvalho abrangeu agentes ambientais em Balsas…

…com simulações de lançamentos contra as chamas (foto; Wellington Carvalho)…

…enquanto no Paraná o curso foi dirigido a bombeiros militares (fotos: 4º CRBM)…

 

…com a participação do piloto e empresário Leonardo Soldeira