Boletim Econômico | INPC Retoma Trajetória de Alta: Impactos na Inflação e nos Custos do Setor Aeroagrícola.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,45 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,4% | agosto/2025

Juros EUA (Fed): = 4,0% – 4,25% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ -0,26% – US$ 57,49| 20/10/2025

Petróleo Brent: ↓-0,57% – US$ 60,98 | 20/10/2025

Heating Oil: ↑ 0,36% – US$ 2,20 /galão | 20/10/2025

Etanol anidro (SP): ↓ -0,15% R$ 3,1079/litro | média semanal – 17/10/2025

INPC Setembro/2025: ↑ 0,52%

INPC dos últimos 12 meses: ↑ 5,10%

IAVAG agosto/2025: ↓ -1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: ↓ 2,52%

 

 

INPC – setembro/2025 – Reflexos no IAVAG e no Setor Aeroagrícola.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,52% em setembro de 2025, revertendo a deflação de –0,21% observada em agosto, segundo dados do IBGE. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 5,05% para 5,10%, refletindo a retomada das pressões inflacionárias sobre o orçamento das famílias de menor renda.

A alta em setembro foi impulsionada principalmente pelo grupo Habitação, com destaque para o aumento de 10,57% na energia elétrica residencial, influenciado pelo fim do bônus da Itaipu e pela adoção de bandeira tarifária mais cara. Também contribuíram as altas no aluguel residencial e no etanol, enquanto os alimentos e bebidas continuaram recuando (–0,33%), o que amenizou parcialmente o impacto geral.

O resultado mostra uma recomposição dos preços administrados após o alívio de agosto, e indica que a inflação segue pressionada por fatores pontuais de energia e combustíveis, embora os alimentos continuem em trajetória de estabilidade.

O avanço do INPC tem impacto direto na formação do IAVAG, pois influencia custos de insumos e serviços utilizados na aviação agrícola, como combustíveis, energia e componentes logísticos. A retomada da inflação reforça um cenário de atenção às pressões de custos operacionais, especialmente em um momento de volatilidade do câmbio e de reajustes tarifários.

Para o setor aeroagrícola, isso significa a necessidade de planejamento financeiro mais cauteloso, uma vez que o aumento dos preços administrados tende a elevar despesas com energia, manutenção e transporte, afetando margens e a competitividade.

O comportamento do INPC, aliado às oscilações cambiais e ao preço do heating oil, será determinante para o desempenho do IAVAG nos próximos meses — indicador essencial para mensurar a inflação específica do setor aeroagrícola.

 

Câmbio (Dólar/Real)

Nesta segunda-feira (20/10), o dólar opera próximo de R$ 5,34, em leve queda, refletindo a cautela dos investidores com o cenário fiscal interno e a expectativa pelos próximos dados econômicos dos EUA e novos desdobramentos nas relações entre Washington e Pequim. A manutenção da Selic em 15% ainda sustenta o diferencial de juros e contribui para limitar a valorização da moeda americana.

Segundo o Boletim Focus, as projeções para o câmbio apontam estabilidade no médio prazo: R$ 5,45 em 2025, R$ 5,50 em 2026 e R$ 5,51 em 2027. O mercado espera, portanto, um real relativamente estável, porém em patamar elevado, o que mantém atenção sobre custos de importação e insumos dolarizados — fatores de impacto direto no IAVAG.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor norte-americana segue em trajetória de alta, após avançar 0,4% em agosto, acima da variação de 0,2% registrada em julho. No acumulado em 12 meses, o CPI atingiu 2,9%, mantendo-se acima da meta de 2% definida pelo Federal Reserve.

A divulgação do índice referente a setembro de 2025 está programada para o dia 24 de outubro, e o mercado aguarda com atenção o resultado.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) mantém a taxa-meta dos fundos federais na faixa de 4,00% a 4,25%, após o corte de 25 pontos base no encontro de setembro, o primeiro desde dezembro do ano anterior. A decisão reflete um cenário duplo de incertezas: por um lado a inflação permanece acima da meta (2 %) e por outro surgem sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, o que aumenta os riscos de crescimento. O comitê do Fed ressalta que a política monetária não está em “curso pré-definido”, sendo guiada por dados futuros.

Quanto à expectativa de novos cortes, os mercados hoje estimam forte probabilidade de mais uma redução de 50 pontos base até dezembro.

 

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA) mostrou que o PIB real dos Estados Unidos cresceu 3,8% no segundo trimestre de 2025, acima dos 3,3% da leitura anterior, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo e pela redução nas importações.

Segundo o Federal Reserve, a expectativa é de desaceleração do crescimento nos próximos anos: o PIB deve avançar 1,6% em 2025, 1,8% em 2026 e 1,9% em 2027, refletindo o efeito dos juros ainda elevados e a transição para um ritmo mais sustentável de expansão econômica. Essas projeções sinalizam cautela do banco central diante de um cenário de consumo resiliente, porém com pressões inflacionárias ainda presentes.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego dos Estados Unidos subiu para 4,3% em agosto de 2025, frente aos 4,2% registrados em julho, segundo dados oficiais do Bureau of Labor Statistics (BLS). O aumento reflete uma leve desaceleração no ritmo de contratações, especialmente nos setores de serviços e manufatura, embora o mercado de trabalho siga relativamente aquecido.

De acordo com o calendário do BLS, o relatório referente a setembro de 2025 será divulgado em 3 de outubro, às 8h30 (horário de Washington, DC). As projeções do Federal Reserve de Chicago e de analistas de mercado indicam manutenção da taxa em torno de 4,3%, sinalizando estabilidade no nível de emprego e uma economia em transição para um crescimento mais moderado.

 

Selic – Brasil

O Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, com comunicação clara de que a política monetária seguirá em nível elevado por tempo prolongado. O mercado não projeta cortes em 2025, com possível início do ciclo de redução de juros apenas no início de 2026, dependendo da evolução da inflação, da atividade econômica e da trajetória fiscal.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

A economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, em relação ao trimestre anterior, e 2,2% na comparação anual, segundo o IBGE. O desempenho foi sustentado principalmente pelo consumo das famílias (+0,5%) e pela expansão da agropecuária, com ganhos expressivos nas exportações e na produção de grãos. No acumulado dos últimos 12 meses, o PIB avançou 3,2%, demonstrando resiliência mesmo diante de juros elevados.

De acordo com o Banco Central do Brasil (BCB), a expectativa é de crescimento de 2,17% em 2025, desacelerando para 1,80% em 2026 e 1,82% em 2027, conforme projeções do Boletim Focus. O Relatório de Política Monetária do BCB aponta que, pelo lado da oferta, o desempenho de 2025 deve ser liderado pela agropecuária (+9,0%), seguida por serviços (+1,8%) e indústria (+1,0%). Para 2026, a previsão é de moderação: agropecuária (+1,0%), indústria (+1,4%) e serviços (+1,5%).

O Banco Central ressalta que a base elevada de 2025 limitará o avanço do setor agrícola em 2026 e que o consumo e o investimento tendem a crescer de forma mais contida, refletindo a política monetária ainda restritiva. O cenário geral indica uma transição para um ritmo de crescimento mais moderado, com destaque contínuo do agronegócio como principal motor da economia.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desocupação no Brasil no 2.º trimestre de 2025 foi de 5,8%, o menor valor da série histórica da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciada em 2012, recuando de 7,0% no trimestre anterior. Esse desempenho apontou para um mercado de trabalho mais apertado, com o contingente de desocupados reduzido e avanço no emprego formal.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil foi cotado em cerca de US$ 2,20 por galão, segundo o Trading Economics. A leve alta recente reflete a redução dos estoques de destilados nos Estados Unidos e a forte demanda de exportação, conforme dados da U.S. Energy Information Administration (EIA). A agência aponta que os níveis de estoque seguem abaixo da média histórica, o que mantém o mercado sensível a oscilações de oferta e demanda. Além disso, fatores geopolíticos e a manutenção em refinarias contribuíram para restringir a produção, sustentando os preços em patamar elevado.

 

Etanol Anidro

Na semana de 13 a 17 de outubro de 2025, o preço do etanol anidro nas usinas de São Paulo (segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ) foi de R$ 3,1079 por litro, com queda de -0,15% em relação à semana anterior (06–10 out) que fechou em R$ 3,1126.

O recuo moderado pode refletir combinação de redução nas negociações entre usinas e distribuidoras, (com expectativa de preços mais baixos), e oferta ajustada da safra de cana-de-açúcar, que pressiona levemente para baixo o valor de venda.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Total2,52%

 

IAVAG – agosto/2025

O IAVAG registrou uma deflação de -1,29% em agosto de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice caiu para -2,52%, ante 2,97% no mês anterior. O recuo foi impulsionado principalmente por fatores externos que reduziram os custos do setor aeroagrícola: a desvalorização do dólar (-3,12%), a queda do preço do heating oil (-5,26%) e a deflação no INPC (-0,21%).

Em resumo, o resultado de agosto indica um alívio temporário nos custos operacionais do setor, embora o setor permaneça sensível a movimentos externos como câmbio, combustível e inflação doméstica.

Os dados do IAVAG de setembro estão previstos para serem divulgados a partir do dia 27 de outubro.

 

Fonte da imagem: Adobe stock 

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia