Boletim Econômico | Federal Reserve (Fed) reduz a taxa básica de juros dos EUA em 0,25 pontos percentuais.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,41 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 3,75% – 4,00% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↑ 0,53% – US$ 61,30 | 03/11/2025

Petróleo Brent: ↑ 0,52% – US$ 65,11 | 03/11/2025

Heating Oil: ↑ 0,93% – US$ 2,42/galão | 03/11/2025

Etanol anidro (SP): ↑ 1,24% R$ 3,1801/litro | média semanal – 31/10/2025

INPC Setembro/2025: ↑ 0,52%

INPC dos últimos 12 meses: ↑ 5,10%

IAVAG setembro/2025: ↓ -0,68 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 4,39%

 

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar encerrou o mês de outubro cotado a R$ 5,3844, registrando alta de 2,0% em relação ao mês anterior. Nesta segunda-feira (03/11), a moeda americana operava próxima de R$ 5,37, em leve queda de 0,01%, refletindo a desvalorização global que o dólar vem sofrendo frente a outras moedas.

Apesar da alta mensal, no acumulado do ano (janeiro a outubro), o dólar acumula desvalorização de –13,05% em relação ao real, resultado da maior entrada de fluxos externos e o enfraquecimento da moeda americana em termos globais ao longo do ano.

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, a projeção para o câmbio em 2025 permanece em R$ 5,41, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 seguem em R$ 5,50. O cenário aponta para uma estabilidade cambial em patamar elevado, o que exige atenção quanto aos custos de importação e aos insumos dolarizados, fatores que impactam diretamente a formação do IAVAG e os custos operacionais do setor aeroagrícola.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor nos EUA subiu 0,3% em setembro, segundo o BLS. Em 12 meses, o CPI acumula alta de 3,0%, com destaque para os aumentos na gasolina (+4,1%) e nos alimentos (+3,1%). O núcleo da inflação também avançou 3,0%, refletindo pressões em habitação e serviços. Mesmo com leve desaceleração, a taxa segue acima da meta de 2% do Federal Reserve, mantendo o banco central cauteloso quanto a novos cortes de juros.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) cortou a sua taxa-básica de juros em 0,25 p.p., passando para a faixa de 3,75%-4,00% em sua última reunião. Embora a decisão tenha sido amplamente esperada, o presidente Jerome Powell deixou claro que novos cortes não estão garantidos, dada a incerteza no cenário econômico.

A justificativa do Fed para essa redução incluiu sinais de arrefecimento no mercado de trabalho, mesmo que não haja dados atualizados sobre emprego em setembro devido ao shutdown nos EUA, e a persistência de uma inflação acima da meta de 2%. O presidente Powell reconheceu estar “conduzindo no nevoeiro” (metáfora usada para descrever a limitação de dados disponível) e alertou que o comitê está “muito longe” de decidir automaticamente por novos cortes.

Quanto às perspectivas, os analistas sugerem que este corte atuou mais como uma “redução de seguro” do que o início de uma série de flexibilizações. Alguns membros do Fed preferiram manter a taxa ou mesmo adiar o corte, citando preocupações com inflação e inércia dos preços de serviços e habitação. Para o setor aeroagrícola, que depende de insumos importados e de financiamento internacional, este ambiente de juros ainda relativamente altos nos EUA reforça a necessidade de monitorar o câmbio, os fluxos de capital e os custos de crédito global.

 

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA) indicou que o PIB real dos Estados Unidos cresceu 3,8% no segundo trimestre de 2025, acima dos 3,3% da leitura anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento do consumo das famílias e pela redução das importações, que contribuíram positivamente para o resultado.

Entretanto, devido ao shutdown do governo norte-americano, novas informações econômicas ainda não foram divulgadas, o que compromete a atualização e a análise mais recente dos dados de atividade.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,3% em agosto de 2025, ligeiramente acima dos 4,2% de julho, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado reflete uma moderação no ritmo de contratações, principalmente nos setores de serviços e manufatura, em meio aos efeitos da política monetária restritiva e à desaceleração gradual da economia americana.

Vale destacar que os dados referentes a setembro de 2025 ainda não foram divulgados, em razão do shutdown do governo dos Estados Unidos, que suspendeu temporariamente a publicação de indicadores econômicos oficiais.

 

Selic – Brasil

A taxa Selic segue em 15,00% ao ano, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o patamar na última reunião, refletindo a cautela diante das incertezas fiscais, do cenário internacional e a inflação acima da meta. O Banco Central destacou que o nível atual da taxa é compatível com a trajetória de convergência da inflação para a meta, embora ainda exija vigilância diante das pressões de preços e da volatilidade cambial.

Conforme o calendário do Banco Central, a próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 04 e 05 de novembro, e a ata oficial será divulgada em 11 de novembro de 2025, trazendo detalhes sobre as projeções e perspectivas de política monetária para os próximos meses.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

De acordo com o IBGE, o PIB brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao trimestre anterior e de 2,2% na comparação anual. O avanço foi sustentado pelo consumo das famílias (+0,5%) e pelo forte desempenho da agropecuária, impulsionado pelas exportações e pela safra recorde do período.

No acumulado de 12 meses, o PIB apresentou alta de 3,2%, demonstrando resiliência da economia mesmo em um cenário de juros elevados. Segundo o Boletim Focus, as projeções do Banco Central apontam para um crescimento de 2,16% em 2025, com desaceleração gradual nos anos seguintes — 1,78% em 2026, 1,90% em 2027 e 2,00% em 2028. O resultado reforça a importância do agronegócio como principal vetor de expansão da economia brasileira, em meio a um cenário de moderação da atividade.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,8% no trimestre encerrado em junho de 2025, marcando a menor marca da série histórica desde 2012. Este resultado expressa um importante melhora no mercado de trabalho, com redução de 1,2 ponto percentual frente ao trimestre anterior (7,0%) e queda de 1,1 p.p. em comparação ao mesmo período de 2024 (6,9%). Além disso, o nível de ocupação atingiu 58,8% e o contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,0 milhões, ambos recordes na série.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil subiu para US$ 2,41 por galão, representando um aumento de 0,67% em relação ao dia anterior, segundo dados do Trading Economics. O avanço foi impulsionado principalmente pela maior demanda sazonal, com a aproximação do inverno no hemisfério norte, além das tensões geopolíticas que mantêm os custos do petróleo elevados. Também contribuíram para o movimento de alta os custos de refino mais elevados e os ajustes na produção, enquanto os níveis de estoque nos Estados Unidos permaneceram instáveis, reforçando a volatilidade dos preços do derivado.

De acordo com o Trading Economics, o preço do heating oil fechou outubro em torno de US$ 2,3986 por galão, registrando alta de cerca de 3,20% em relação à cotação de setembro. Esse avanço tende a impactar o IAVAG, contribuindo para uma possível pressão inflacionária no resultado do índice referente a outubro. No acumulado, o heating oil apresenta alta de 12,91% nos últimos 12 meses e 8,91% no ano (janeiro a outubro).

 

Etanol Anidro

Na semana de 27 a 31 de outubro de 2025, o preço do etanol anidro nas usinas de São Paulo (segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ) fechando o mês com uma média de R$ 3,1801 por litro, com avanço de 1,24% em relação à semana anterior (20 a 24 – out) que fechou em R$ 3,1411 por litro.

 

INPC – setembro/2025

O INPC subiu 0,52% em setembro, após a deflação de –0,21% em agosto, segundo o IBGE. Em 12 meses, o índice avançou de 5,05% para 5,10%, mostrando retomada das pressões inflacionárias sobre as famílias de menor renda. No acumulado do ano (janeiro a setembro) o índice já acumula alta de 3,62%.

A alta foi puxada pelo grupo Habitação, com destaque para o aumento de 10,57% na energia elétrica, reflexo do fim do bônus da Itaipu e da nova bandeira tarifária. Também contribuíram os reajustes de aluguéis e o encarecimento do etanol, enquanto alimentos e bebidas caíram 0,33%, atenuando o resultado geral.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Total4,39%

 

IAVAG – setembro/2025

O IAVAG (Índice de Inflação da Aviação Agrícola) apresentou queda de –0,68% em setembro, registrando o segundo recuo consecutivo. A redução foi influenciada principalmente por fatores cambiais e energéticos. O dólar desvalorizou –1,98% entre o fim de agosto e setembro, impulsionado por um cenário internacional mais favorável a países emergentes, pela expectativa de novos cortes de juros nos Estados Unidos e pela entrada de capital estrangeiro no Brasil, o que fortaleceu o real.

Outro destaque foi a queda de –2,13% no preço do etanol hidratado para outros fins, reflexo da redução nos preços internacionais da gasolina, da demanda doméstica enfraquecida e da maior oferta nas usinas da região Centro-Sul. Esses fatores aliviaram os custos com combustíveis e insumos do setor aeroagrícola.

Apesar do recuo mensal, o acumulado em 12 meses avançou de 2,52% para 4,39%, evidenciando que os aumentos nos últimos meses — especialmente no último trimestre de 2024 entre outubro e dezembro (9,36%) — foram mais intensos que as reduções recentes. Isso demonstra pressão persistente nos custos do setor.

No acumulado do ano de 2025 (janeiro a setembro), o IAVAG registra queda de –4,98%, resultado fortemente influenciado pela desvalorização de –15,05% do dólar frente ao real no mesmo período, o que ajudou a conter parte dos custos do segmento.

As oscilações cambiais e de combustíveis afetam diretamente aviões agrícolas e drones, impactando custos operacionais, manutenção e planejamento de safra. Por isso, o acompanhamento contínuo do IAVAG e dos indicadores econômicos é essencial para garantir gestão eficiente, competitividade e sustentabilidade ao setor aeroagrícola brasileiro.

 

Fonte da imagem: Harvest ETFs

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia