Sindag marcou presença na 83ª reunião no Cenipa, que debateu desafios da Anac, avanço de projetos de IA e saúde mental na prevenção de acidentes
A 83ª reunião do Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), na última semana, colocou em foco a combinação de tecnologia, saúde mental e desafios estruturais da aviação brasileira. O encontro, realizado no dia 6, na sede do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), em Brasília, reuniu representantes de toda a aviação civil. Entre eles, o conselheiro do Sindag Alexandre Schramm, que representa a entidade no colegiado. O setor aeroagrícola também contou com a participação da Mossmann Consultoria Aeroagrícola, reforçando a presença do segmento no grupo.
Conforme Schramm, logo na abertura o encontro apresentou um diagnóstico da segurança de voo no Brasil e dos desafios enfrentados pela ANAC. O diretor Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) brigadeiro Luiz Ricardo Nascimento e o chefe da Assessoria de Segurança Operacional (Assop) da instituição, Bernardo Tomaz de Castro, detalharam a expansão do tráfego aéreo e os limites atuais da estrutura da Agência. destacando que ela opera com um efetivo muito menor que o do antigo Departamento de Aviação Civil (DAC), seu predecessor até 2006.
O efetivo do DAC, segundo Schramm, era cerca de sete vezes maior, para um volume de operações muito menor. Mesmo diante do quadro, Nascimento reafirmou que a Anac segue “trabalhando intensamente” para enfrentar gargalos e conta com o apoio institucional dos integrantes do comitê.
A reunião marcou ainda o ingresso de três novas entidades, entre elas a Associação Brasileira de Psicologia da Aviação (Abrapav), o que reflete a crescente atenção aos fatores humanos como causa em incidentes aeronáuticos. Na mesma linha, o CNPAA instituiu uma comissão para desenvolver um algoritmo de inteligência artificial voltado à análise de grandes bases de dados do Cenipa e de outras fontes, com o objetivo de identificar padrões de risco antes que se convertam em acidentes.
DESTAQUE
Para Schramm, o momento de maior repercussão da plenária veio com a apresentação da comandante Audrey Savini, da Azul Linhas Aéreas, coordenadora do programa de peer support (apoio entre pares, na tradução livre) da empresa. Ela detalhou o sistema interno de apoio psicológico, que capacita pilotos a ouvir colegas, identificar sinais de estresse ou fadiga e encaminhar casos que exijam acompanhamento profissional.
O modelo, que surpreendeu pela forte adesão voluntária dentro da empresa, “é um exemplo de política efetiva para lidar com fatores humanos”, avalia o conselheiro do Sindag. O que reforça a tendência de uma agenda de prevenção cada vez mais integrada — combinando estatísticas, ciências humanas e tecnologia avançada.

SEGURANÇA: autoridades e representantes de todos os segmentos da aviação civil se reuniram em Brasília – foto: divulgação
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