Boletim Econômico | INPC desacelera em outubro com queda no grupo de Habitação e estabilidade nos Alimentos.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,41 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 3,75% – 4,00% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ 0,61% – US$ 59,72 | 17/11/2025

Petróleo Brent: ↓ 0,57% – US$ 64,03 | 17/11/2025

Heating Oil: ↑ 0,51% – US$ 2,54/galão | 17/11/2025

Etanol anidro (SP): ↑ 0,01% R$ 3,2097/litro | média semanal – 14/11/2025

INPC outubro/2025: 0,03%

INPC dos últimos 12 meses: 4,49%

IAVAG setembro/2025: ↓ -0,68 %

IAVAG dos últimos 12 meses: ↑ 4,39%

 

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar apresentou alta moderada nesta segunda-feira, sendo negociado em torno de R$ 5,33, o que representa um avanço próximo de 0,66% em relação ao fechamento anterior. O movimento indica um fortalecimento da moeda americana frente ao real, influenciado pelo aumento da aversão ao risco no exterior e por ajustes dos investidores diante das incertezas domésticas e internacionais, especialmente o cenário de juros nos Estados Unidos e a falta de dados econômicos devido ao shutdown.

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, a projeção do câmbio para o final de 2025 reduziu de R$ 5,41 para R$ 5,40, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 permanece em R$ 5,50.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos avançou 0,3% em setembro, conforme dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). No acumulado de 12 meses, o CPI atingiu 3,0%, influenciado principalmente pelos aumentos nos preços da gasolina (+4,1%) e dos alimentos (+3,1%), que continuam pressionando o custo de vida das famílias americanas.

Entretanto, devido ao shutdown ocorrido nos Estados Unidos comprometeu a divulgação dos dados econômico, as novas atualizações estão previstas para serem divulgadas nas próximas semanas, mas sem data especificada.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve realizou um corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, levando-a ao intervalo de 3,75% a 4,00%. A decisão foi tomada em meio a sinais de desaceleração no mercado de trabalho e à inflação ainda acima da meta de 2%, especialmente nos segmentos de serviços e habitação. No entanto, o cenário permanece incerto: devido ao shutdown do governo americano, a divulgação de novos dados econômicos — como emprego e inflação — está sem previsão, o que limita a capacidade de avaliação completa do Fed sobre a atividade econômica.

Mesmo com o corte, dirigentes do banco central indicaram que o movimento foi pontual e preventivo, não necessariamente o início de um ciclo prolongado de flexibilização monetária. O presidente Jerome Powell reforçou que o Fed deve avançar “com cautela”, enquanto o vice-chair, Philip Jefferson, destacou que o nível atual de juros ainda é moderadamente restritivo, exigindo prudência em cortes adicionais.

 

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA) mostrou que o PIB dos Estados Unidos cresceu 3,8% em taxa anualizada no segundo trimestre de 2025, revisando para cima a leitura anterior de 3,3%. O avanço foi impulsionado principalmente pelo maior consumo das famílias e pela queda nas importações, que contribuiu positivamente para o cálculo do PIB.

No entanto, a interpretação desse cenário fica mais complexa devido ao shutdown do governo americano, que provocou atrasos na divulgação de novos dados econômicos, incluindo indicadores essenciais de atividade e inflação. Essa ausência de informações atualizadas reduz a visibilidade sobre a trajetória da economia dos EUA e dificulta a avaliação de curto prazo por parte de analistas e autoridades monetárias.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,3% em agosto de 2025, acima dos 4,2% registrados em julho, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). O avanço, ainda que moderado, reflete uma perda de dinamismo no mercado de trabalho, com desaceleração das contratações nos setores de serviços e manufatura — segmentos sensíveis aos efeitos da política monetária restritiva adotada pelo Federal Reserve e à gradual desaceleração da atividade econômica.

No entanto, a leitura mais atual do mercado de trabalho segue indisponível devido ao shutdown do governo americano, que interrompeu temporariamente a liberação de indicadores econômicos oficiais. Essa ausência de informação aumenta a incerteza sobre a real condição do mercado de trabalho e limita a capacidade de análise do Fed e dos agentes econômicos.

Os dados referentes a setembro de 2025 estão previstos para divulgação em 20 de novembro.

 

Selic – Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano na reunião de 05 de novembro de 2025, consolidando o terceiro encontro consecutivo sem alterações. Segundo o comunicado oficial, a decisão reflete um ambiente externo marcado por incertezas, especialmente pela condução da política monetária nos Estados Unidos, além de pressões inflacionárias persistentes no cenário doméstico. O Banco Central destacou que a economia brasileira permanece resiliente, com mercado de trabalho aquecido, o que reforça a necessidade de cautela para garantir a convergência da inflação à meta.

A instituição também indicou que pretende manter os juros elevados por um período prolongado, não descartando uma eventual retomada do ciclo de alta caso haja deterioração significativa das condições econômicas. As projeções mais recentes do Boletim Focus mantêm a estimativa de Selic em 15,00% ao fim de 2025, recuando para 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e 10,00% em 2028, o que sugere um processo gradual de flexibilização nos próximos anos.

Para o setor aeroagrícola, a manutenção da Selic em níveis elevados representa custos de financiamento ainda altos e menor espaço para expansão via crédito, embora a sinalização de estabilidade traga algum grau de previsibilidade para o planejamento de médio prazo.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou alta de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior e avançou 2,2% frente ao mesmo período de 2024. O resultado reflete principalmente o fortalecimento do consumo das famílias (+0,5%), impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, e o excelente desempenho da agropecuária, favorecida por exportações robustas e por uma safra recorde no período.

No acumulado dos últimos 12 meses, a atividade econômica apresentou crescimento de 3,2%, demonstrando a resiliência da economia brasileira mesmo diante de um ambiente de juros elevados e condições financeiras mais restritivas.

As projeções do Boletim Focus reforçam esse cenário: o Banco Central estima avanço de 2,16% para o PIB em 2025, seguido de um ritmo moderado nos próximos anos — 1,78% em 2026, 1,88% em 2027 e 2,00% em 2028. O desempenho atual combinado com a perspectiva de desaceleração gradual indica um ciclo de crescimento mais contido, mas ainda sustentado por setores-chave como serviços, consumo interno e agronegócio.

 

Desemprego – Brasil

Segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou estimada em 5,6% no terceiro trimestre de 2025. Isso representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,8%) e 0,8 ponto percentual frente ao mesmo trimestre de 2024 (6,4%).

O contingente de pessoas desocupadas foi estimado em cerca de 6,0 milhões, também o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.  Contudo, é importante destacar que o indicador de subutilização da força de trabalho, que inclui informais, trabalhadores marginalmente empregados e pessoas buscando emprego, permaneceu em 13,9% — indicando que, apesar da taxa de desemprego baixa, persistem desafios no mercado de trabalho.

Para o setor aeroagrícola, esse cenário positivo de emprego traz efeitos mistos: por um lado, um mercado de trabalho mais aquecido sustenta o consumo interno e pode gerar demandas mais robustas para serviços e equipamentos; por outro, a pressão sobre salários e custo de mão-de-obra pode se traduzir em custos maiores de operação e logística. Ademais, taxas de desemprego em níveis historicamente baixos reforçam o ambiente de inflação — fator que justifica uma postura mais cautelosa em relação à política monetária e, por consequência, ao custo de crédito no país.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil subiu para US$ 2,54 por galão, alta de 0,51% em relação ao dia anterior, segundo dados do Trading Economics. O heating oil encerrou outubro em US$ 2,3986 por galão, acumulando alta de 3,20% frente a setembro. Esse movimento reflete a combinação entre o aumento da demanda sazonal com a chegada do inverno no hemisfério norte e os custos de refino mais elevados, além das tensões geopolíticas que seguem pressionando o mercado internacional de energia. No acumulado, o heating oil registra alta de 12,91% nos últimos 12 meses e 8,91% no ano (janeiro a outubro), o que tende a gerar pressão inflacionária sobre o IAVAG, especialmente nos componentes ligados aos combustíveis e insumos da aviação agrícola.

 

Etanol Anidro

Na semana de 10 a 14 de outubro de 2025, o preço do etanol anidro nas usinas de São Paulo (segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ) fechou com uma média de R$ 3,2097 por litro, com avanço de 0,01% em relação à semana anterior (03 a 07 – out) que fechou em R$ 3,2094 por litro.

 

INPC – outubro/2025

O resultado do INPC de outubro, com variação de 0,03%, marca uma desaceleração relevante da inflação para as famílias de menor renda e sinaliza um ambiente de preços mais controlado no curto prazo. A forte queda frente ao dado de setembro (0,52%) não reflete apenas um fator isolado, mas a combinação de três movimentos importantes: estabilidade dos alimentos, arrefecimento das pressões em itens não alimentícios e a queda expressiva no grupo Habitação, influenciada pela redução da bandeira tarifária de energia elétrica.

A estabilidade dos alimentos, grupo historicamente mais sensível à renda e ao consumo diário, é um sinal positivo para o poder de compra das famílias de baixa renda e tende a aliviar parte das pressões distributivas, como reajustes salariais. Já o comportamento moderado dos itens não alimentícios indica que a transmissão dos custos industriais e de serviços ao consumidor está menos intensa neste momento, possivelmente refletindo um ambiente de demanda mais equilibrada e o efeito cumulativo da política monetária restritiva.

A queda nos preços de energia elétrica exerce impacto direto e imediato, mas também serve como vetor de descompressão em cadeias produtivas, reduzindo custos operacionais para empresas intensivas em energia. No entanto, esse alívio é pontual e depende da manutenção de condições favoráveis no setor elétrico.

Apesar da desaceleração, o cenário não é de total conforto. O acumulado em 12 meses, embora menor (4,49%), ainda se mantém próximo da meta ajustada e exige acompanhamento, principalmente porque componentes importantes da inflação, como serviços, câmbio e insumos industriais, podem reagir a fatores externos, como a política monetária dos EUA e a volatilidade das commodities.

Para o setor aeroagrícola, o dado de outubro reforça um ambiente de menor pressão sobre custos trabalhistas, mas não altera significativamente o quadro de preocupação com o câmbio e com os preços de insumos importados, que seguem sendo os principais drivers de custo. Portanto, o resultado é positivo, mas deve ser interpretado com prudência, considerando a elevada sensibilidade do setor às variáveis externas.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Total4,39%

 

IAVAG – setembro/2025

O IAVAG registrou queda de –0,68% em setembro, influenciado principalmente pela desvalorização de –1,98% do dólar, que reduziu custos de importados, e pela queda de –2,13% no etanol hidratado, resultado de preços internacionais menores, demanda interna fraca e maior oferta nas usinas.

Mesmo com o recuo mensal, o índice avançou de 2,52% para 4,39% no acumulado de 12 meses, ainda refletindo as fortes altas do fim de 2024. Já em 2025 (janeiro a setembro), o IAVAG acumula queda de –4,98%, influenciada pela expressiva desvalorização do dólar no ano.

Esses movimentos mostram como câmbio e combustíveis seguem determinantes para os custos da aviação agrícola, reforçando a importância de monitoramento constante do índice.

 

Fonte da imagem: MSN

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia