Boletim Econômico | Crescimento do PIB em ritmo lento: O que o resultado do terceiro trimestre sinaliza.

Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,40 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 3,75% – 4,00% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑4,4% | setembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑2,7% | 3º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓-2,08% – US$ 58,83| 08/12/2025

Petróleo Brent: ↓-2,12% – US$ 62,39| 08/12/2025

Heating Oil: ↓-2,85% – US$ 2,30/galão | 08/12/2025

Etanol anidro (SP): ↑0,38% R$ 3,3128litro | média semanal – 05/12/2025

INPC outubro/2025: ↓0,03%

INPC dos últimos 12 meses: ↓4,49%

IAVAG outubro/2025: ↑1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 1,53%

 

RESUMO DA SEMANA

A divulgação do PIB do 3º trimestre de 2025 confirmou um cenário de crescimento fraco da economia brasileira, compatível com o impacto prolongado da Selic em patamar elevado. Ao mesmo tempo, indicadores de emprego mostram um mercado robusto, porém com informalidade crescente. A inflação pelo INPC desacelerou fortemente, enquanto o IAVAG avançou em outubro pressionado pelo câmbio e combustíveis. No cenário internacional, a queda do heating oil nesta segunda-feira contrasta com a alta acumulada no ano, mantendo custos sensíveis para o setor aeroagrícola.

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar abriu a semana em leve queda a R$ 5,43, corrigindo a disparada da última sexta-feira (R$ 5,44). O movimento reflete tanto a sinalização de recuo da candidatura de Flávio Bolsonaro quanto as expectativas em torno da “Superquarta”, quando Brasil e EUA decidem suas taxas de juros. O Boletim Focus trouxe alívio adicional, com inflação menor e PIB maior para 2025, mantendo a Selic em 15%. A volatilidade segue elevada, e o câmbio permanece sensível a novos desdobramentos políticos e às decisões do Federal Reserve.

Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda feira (08/12) pelo Banco Central, a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2025 permanece em R$ 5,40, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 seguem em R$ 5,50.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,3% em setembro de 2025, mantendo o ritmo moderado de alta observado nos últimos meses. No acumulado de 12 meses, a inflação segue próxima de 3%, ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve.

A próxima divulgação do CPI pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) está programada para 18 de dezembro de 2025, referente aos dados de novembro.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) mantém atualmente a taxa básica de juros no intervalo de 3,75% a 4,00%, após o corte de 0,25 p.p. realizado na última reunião. A decisão refletiu sinais de desaceleração no mercado de trabalho e inflação ainda acima da meta, embora o ambiente econômico permaneça incerto devido à suspensão da divulgação de novos dados durante o shutdown do governo americano.

A próxima decisão de política monetária está prevista para 10 de dezembro de 2025, ao final da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para os dias 9 e 10 de dezembro. Caso o Fed confirme a leitura de perda de tração da economia, parte do mercado acredita na possibilidade de um novo corte, embora dirigentes tenham indicado postura mais cautelosa nos próximos passos.

 

PIB – Estados Unidos

O PIB dos Estados Unidos cresceu 3,8% no 2º trimestre de 2025, segundo a terceira estimativa divulgada pelo Bureau of Economic Analysis (BEA). O resultado reforça a resiliência da economia americana, sustentada principalmente pelo consumo das famílias e pelos investimentos empresariais, apesar do ambiente de juros elevados.

Mesmo com o crescimento robusto no trimestre, analistas observam sinais de moderação na atividade para o segundo semestre, especialmente diante da perda de dinamismo no mercado de trabalho e das incertezas geradas pelo shutdown, que tem atrasado a divulgação de novos indicadores de referência.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego nos EUA atingiu 4,4% em setembro de 2025, levemente acima dos 4,3% registrados no mês anterior. Esse é o nível mais alto desde 2021, reforçando a percepção de que o mercado de trabalho está perdendo força gradualmente.

A próxima divulgação oficial de dados de emprego (relatório Bureau of Labor Statistics – BLS) está prevista para o dia 16 de dezembro de 2025, com os dados referentes ao mês de novembro

 

Selic – Brasil

A Taxa Selic está atualmente em 15,00% ao ano, conforme decisão mais recente do Banco Central do Brasil (BCB).

Segundo a pesquisa Boletim Focus divulgada hoje, os economistas do mercado mantiveram sua projeção de que a Selic permanecerá em 15% até o final de 2025. Para o próximo ano, 2026, a mediana das expectativas foi revista para 12,25% ao ano (ante 12,00% da semana anterior). Isso sugere que, embora o nível atual de juros permaneça elevado em resposta à inflação e à incerteza econômica, o mercado começa a incorporar a possibilidade de cortes graduais já a partir de 2026, caso os indicadores de inflação e atividade doméstica permitam.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para os dias 9 e 10 de dezembro de 2025, quando será definida a próxima meta para a Selic.

Em resumo, a Selic hoje permanece elevada, o mercado espera estabilidade no curto prazo e inicia especulações sobre um processo gradual de redução a partir de 2026, dependendo da evolução das variáveis macroeconômicas.

 

PIB – Brasil (3º Trimestre de 2025)

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 0,1% no 3º trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, houve alta de 1,8%, com acumulado em 12 meses em torno de 2,7%, segundo dados oficiais do governo.

Pela ótica da produção, a economia foi sustentada por agropecuária (+0,4%), indústria (+0,8%) e pela leve alta dos serviços (+0,1%), que mostraram estabilidade. Do lado da demanda, o investimento (FBCF) avançou 0,9%, enquanto o consumo das famílias segue moderado devido aos juros elevados.

O resultado indica uma economia em desaceleração, mas ainda em trajetória positiva. O crescimento baixo reflete o impacto prolongado dos juros altos, que reduzem consumo e investimento, ao mesmo tempo em que o ambiente externo segue incerto. Mesmo com alguns sinais de resiliência na indústria e no investimento, o ritmo de atividade permanece limitado, reforçando a expectativa de um crescimento moderado para 2025 e exigindo cautela em setores dependentes de crédito e insumos importados.

Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (08/12), a projeção para o PIB de 2025 teve um leve avanço, passando de 2,16% para 2,25%. Para 2026, a estimativa subiu de 1,78% para 1,80%. A projeção para 2027 também foi revisada para cima, de 1,83% para 1,84%, enquanto 2028 manteve a mesma expectativa. O conjunto dessas revisões sugere um ritmo moderado de expansão da economia brasileira nos próximos anos.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,6% no 3º trimestre de 2025, o menor nível já registrado desde o início da PNAD Contínua. O resultado reforça a resiliência do mercado de trabalho, que segue criando vagas mesmo em um ambiente de desaceleração econômica. No entanto, o contingente de pessoas fora da força de trabalho permanece elevado, e a taxa de subutilização segue em 13,9%, indicando que ainda há espaço ocioso significativo no mercado laboral.

Analistas destacam que, embora os números mostrem um mercado de trabalho robusto, parte desse movimento está associado ao avanço da informalidade e a ocupações de baixa produtividade, o que limita ganhos de renda e pode reduzir o impacto positivo dessa melhora sobre a economia como um todo.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil recuou para US$ 2,30 por galão, uma queda de 2,85% em relação ao dia anterior. No último mês (novembro), o preço do heating oil acumulou variação negativa de –2,11%, embora no ano (janeiro a novembro) ainda registre alta de 11,02%.

O movimento de queda observado hoje reflete uma dinâmica mais favorável na relação entre oferta e demanda, especialmente diante da expectativa de temperaturas mais altas para o início de dezembro no hemisfério norte. Como o heating oil é utilizado principalmente para aquecimento residencial e industrial, previsões de clima mais ameno reduzem a projeção de consumo imediato, aliviando pressão sobre os preços. Além disso, a melhora nos estoques e um cenário internacional menos tensionado também contribuem para o recuo das cotações no curto prazo.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro registrou alta de 0,38% na semana de 01/12 a 05/12, alcançando R$ 3,3128 por litro nas usinas de São Paulo, segundo dados do CEPEA/ESALQ. Este foi o sétimo avanço semanal consecutivo, indicando um movimento consistente de recuperação dos preços ao longo das últimas semanas.

A sequência de altas reflete uma combinação de fatores estruturais e sazonais. A menor oferta nas usinas, decorrente de ajustes no ritmo de moagem da cana, somada aos custos de produção mais elevados, reduziu a disponibilidade do produto no mercado. Ao mesmo tempo, a demanda firme das distribuidoras, impulsionada pela mistura obrigatória à gasolina, mantém o mercado aquecido. Esse conjunto de elementos cria um ambiente de preços sustentados, explicando o avanço contínuo do valor do etanol anidro semana após semana.

 

INPC – outubro/2025

O INPC registrou alta de apenas 0,03% em outubro de 2025, marcando uma forte desaceleração em relação ao mês anterior, quando o índice havia avançado 0,52%. O resultado reflete um ambiente de preços mais estável para as famílias de menor renda. A desaceleração foi influenciada pela estabilidade dos alimentos, pelo recuo de itens não alimentícios e pela queda no grupo Habitação, após a redução da bandeira tarifária de energia elétrica.

Apesar do alívio mensal, o acumulado em 12 meses permanece em 4,49%, patamar que ainda requer atenção, especialmente diante das possíveis pressões vindas do câmbio e de custos industriais. Para o setor aeroagrícola, o resultado contribui para reduzir pressões indiretas no curto prazo, mas não elimina a sensibilidade do setor aos insumos importados, que continuam dependentes da dinâmica cambial e dos preços internacionais.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Out/251,29%
Total1,53%

 

 

IAVAG – outubro/2025

O IAVAG registrou alta de 1,29% em outubro de 2025, refletindo um conjunto de pressões vindas do mercado internacional e dos principais insumos utilizados pelo setor aeroagrícola. O resultado foi impulsionado pela valorização do dólar (+1,24%), pela alta do heating oil (+3,20%) e pelo avanço do etanol hidratado (+1,95%), todos componentes relevantes na estrutura de custos da aviação agrícola.

Mesmo com o aumento mensal, o índice desacelerou no acumulado de 12 meses, passando de patamares mais elevados para ↓1,53%, enquanto no ano (janeiro a outubro) o IAVAG ainda registra queda de ↓–3,69%, refletindo os efeitos deflacionários observados no início de 2025.

Um ponto adicional deste mês foi o impacto do shutdown nos Estados Unidos, que impediu a divulgação do CPI de outubro. Com isso, o cálculo do índice precisou utilizar os dados de inflação norte-americana referentes a setembro, o que adiciona incerteza ao monitoramento dos custos atrelados ao cenário internacional.

 

Fonte da imagem: Investidor 10

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia