Boletim Econômico | Ruído sobre a independência do Fed aumenta volatilidade e mantém câmbio no radar do IAVAG

Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,50 | Estimativa/2026

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): ↓3,50% – 3,75% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑4,3% | 3º trimestre/2025 – Primeira Estimativa

Desemprego EUA: = 4,4% | dezembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑2,7% | 3º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓-0,53% – US$ 58,80| 12/01/2026

Petróleo Brent: ↓-0,38% – US$ 63,10| 12/01/2026

Heating Oil: ↑0,33% – US$ 2,14/galão | 12/01/2026

Etanol anidro (SP): ↑1,43% R$ 3,4170litro | média semanal encerrada em 09/01/2026

INPC dezembro/2025: ↑0,21%

INPC dos últimos 12 meses: 3,90%

IAVAG novembro/2025: ↓-0,60 %

IAVAG dos últimos 12 meses: ↓-1,43%

 

Câmbio (Dólar/Real)

Na manhã desta segunda-feira (12/01/2026), o dólar apresentou variação marginal frente ao real, sendo negociado ao redor de R$ 5,37, em um movimento de baixa amplitude, típico de um mercado ainda sensível a manchetes e ajustes de posicionamento.

No ambiente externo, o principal vetor de curto prazo foi o aumento do ruído institucional em torno da independência do Federal Reserve. O noticiário ganhou tração após Jerome Powell indicar que o Departamento de Justiça emitiu intimações no âmbito de uma apuração relacionada ao projeto de renovação da sede do Fed, enquanto o próprio Powell caracterizou a iniciativa como um “pretexto” para ampliar a influência política sobre a condução dos juros — em um contexto de pressão pública do presidente Donald Trump por cortes mais intensos na taxa. Esse tipo de episódio tende a elevar a aversão a risco e a reforçar demanda defensiva por dólar, ainda que de forma intermitente no intradiário.

No Brasil, as expectativas seguem ancoradas: o Boletim Focus divulgado em 12/01 manteve a mediana da taxa de câmbio em R$ 5,50 ao fim de 2026 e 2027, com R$ 5,52 em 2028 e R$ 5,57 em 2029. Em termos analíticos, a estabilidade dessas projeções sugere que a oscilação observada hoje é mais consistente com choques externos do que com uma reprecificação estrutural do cenário doméstico.

 

Inflação nos EUA (CPI)

De acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS), o CPI-U (cheio) acumulou alta de 2,7% em 12 meses até novembro/2025, desacelerando em relação à leitura de 12 meses até setembro (3,0%). No mesmo período, o núcleo do CPI (excluindo alimentos e energia) registrou 2,6% em 12 meses.

No horizonte de curto prazo, em função do shutdown e da ausência de coleta em outubro/2025, o BLS informou que não foi possível divulgar a variação mensal no formato tradicional. Assim, passou a reportar variações acumuladas em dois meses (setembro a novembro), com avanço de 0,2% tanto para o CPI-U quanto para o núcleo nesse intervalo.

A divulgação do CPI de dezembro/2025 está programada para 13 de janeiro de 2026.

 

Taxa de Juros – EUA

A política monetária dos EUA segue em patamar restritivo, com a taxa básica (Fed Funds) na faixa de 3,50%–3,75%, definida após o corte de 0,25 p.p. na reunião de 10/12/2025. No curto prazo, a sinalização predominante do mercado é de manutenção dos juros na próxima reunião do FOMC (27–28/01/2026), com probabilidade elevada de estabilidade segundo precificação capturada pelo CME FedWatch (aprox. 95% de “hold”, conforme reportado pela imprensa).

Para o ambiente macro e, por consequência, para variáveis relevantes ao IAVAG, juros americanos elevados tendem a sustentar o dólar e a elevar o custo de carregamento financeiro global, afetando commodities energéticas e condições de liquidez. Ainda assim, a expectativa de estabilidade no curto prazo reduz a chance de reprecificações abruptas. Um ponto de atenção adicional é o aumento do ruído político em torno da independência do Fed, que pode elevar a volatilidade de ativos (câmbio e juros) mesmo sem mudança imediata na taxa.

 

PIB – Estados Unidos

O PIB dos Estados Unidos cresceu 4,3% no 3º trimestre de 2025 (1ª estimativa do BEA), reforçando a leitura de uma economia ainda robusta. O avanço foi sustentado principalmente pelo consumo das famílias, pelo aumento das exportações e pela expansão dos gastos públicos, enquanto a queda dos investimentos limitou parte do desempenho. A redução das importações também contribuiu positivamente para o resultado via setor externo, indicando um impulso adicional no trimestre.

 

Desemprego – EUA

Em dezembro de 2025, o mercado de trabalho dos EUA permaneceu sólido, mas com perda de tração na criação de vagas. O payroll (emprego não agrícola) aumentou em +50 mil, sinalizando um ritmo de contratação bem abaixo do padrão observado ao longo do ano. A taxa de desemprego ficou em 4,4%, com cerca de 7,5 milhões de pessoas desocupadas, o que indica estabilidade do nível de emprego, apesar do enfraquecimento na margem.

Na composição setorial, os ganhos se concentraram em saúde e serviços de alimentação, enquanto houve recuo no varejo, sugerindo maior heterogeneidade entre setores e possível ajuste em atividades mais sensíveis ao ciclo. Os salários registraram leve alta, reforçando que, embora o mercado esteja menos aquecido, ainda há pressões graduais de renda, ponto relevante para a dinâmica de inflação e para as expectativas de política monetária.

 

Selic – Brasil

A Selic permanece em 15,00% a.a., nível compatível com uma política monetária ainda restritiva, mantendo o custo de capital elevado e, portanto, pressionando despesas financeiras e decisões de investimento no curto prazo (financiamento, capital de giro e renovação de frota/equipamentos no setor aeroagrícola).

Pela mediana do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (12/01), o mercado segue precificando início/continuidade de um ciclo de flexibilização ao longo de 2026, com a Selic projetada em 12,25% ao fim de 2026, recuando para 10,50% em 2027, 9,88% em 2028 e 9,50% em 2029. Em termos analíticos, essa trajetória sugere expectativa de desinflação gradual e normalização dos juros reais no horizonte, mas condicionada à ancoragem das expectativas e ao balanço de riscos (atividade, fiscal, câmbio e cenário externo).

 

PIB – Brasil (3º Trimestre de 2025)

No 3º trimestre de 2025, o PIB brasileiro cresceu 0,1% em relação ao trimestre anterior (com ajuste sazonal), indicando um avanço praticamente estável e coerente com a moderação da atividade em um contexto de juros ainda restritivos. Pela ótica da produção, o resultado foi sustentado por Agropecuária (+0,4%) e Indústria (+0,8%), enquanto Serviços (+0,1%) permaneceram perto da estabilidade.

Pela demanda, o consumo das famílias (+0,1%) mostrou pouca variação, ao passo que o consumo do governo (+1,3%) e a Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF (+0,9%) avançaram. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o PIB cresceu +1,8%, e no acumulado de 2025 até o 3º trimestre a alta foi de +2,4%.

Expectativas (Boletim Focus – 12/01): a mediana do mercado projeta crescimento de 1,80% do PIB em 2026 e em 2027, com 2,00% em 2028 e 2029, reforçando uma leitura de expansão moderada no horizonte à frente.

Do ponto de vista do ciclo econômico, o dado reforça a trajetória de desaceleração ao longo de 2025, com crescimento mais contido na margem. Isso mantém em pauta a discussão sobre início de flexibilização monetária em 2026, embora persistam riscos de volatilidade no curto prazo.

 

Desemprego – Brasil

De acordo com a PNAD Contínua, a taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em setembro de 2025, marcando o menor nível da série histórica (iniciada em 2012). O resultado representa queda de 0,2 p.p. em relação ao trimestre móvel anterior (5,8%) e de 0,7 p.p. na comparação com o mesmo período de 2024 (6,4%), reforçando a leitura de um mercado de trabalho ainda resiliente. No mesmo levantamento, a taxa de subutilização foi de 13,9%, evidenciando que, apesar do desemprego reduzido, permanece uma ociosidade relevante na força de trabalho.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil avançou para US$ 2,18 por galão, alta de 0,33% em relação ao dia anterior, impulsionada pela redução dos estoques de petróleo bruto nos EUA, combinada ao aumento da demanda e à renovação dos riscos geopolíticos, que elevaram o setor energético em geral.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro registrou alta de 1,43% na semana de 05/01 a 09/01, alcançando R$ 3,4170 por litro nas usinas de São Paulo, segundo dados do CEPEA/ESALQ. Este foi o segundo avanço em janeiro de 2026, indicando um movimento consistente de recuperação dos preços ao longo das duas últimas semanas.

 

INPC – dezembro/2025

Em dezembro de 2025, o INPC avançou 0,21%, acelerando frente a novembro (0,03%). No acumulado de 2025, o índice fechou em 3,90%. Os principais grupos que contribuíram para o resultado foram: artigos de residência (0,70%), despesas pessoais (0,55%), vestuário (0,53%), saúde e cuidados pessoais (0,48%) e comunicação (0,45%). Também registraram alta alimentação e bebidas (0,28%), transportes (0,23%) e educação (0,06%). Em contrapartida, habitação recuou (-0,50%) — combinação que sugere menor pressão de alimentos ao longo do ano, enquanto componentes mais ligados a serviços e preços administrados sustentaram a inflação fora da alimentação.

Para o IAVAG, esse resultado indica que a camada doméstica de custos capturada pelo INPC (relevante para despesas correntes, serviços e parte dos custos de operação) permaneceu sob controle. Ainda assim, a composição do ano — com não alimentícios acima de alimentos — recomenda monitoramento em 2026, pois uma eventual recomposição de serviços e preços administrados pode reintroduzir pressão, mesmo com alimentos mais comportados.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

dez/242,86%
jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abr/25↓-0,86%
mai/25↓-0,35%
jun/25↓-0,81%
jul/251,48%
ago/25↓-1,29%
set/25↓-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,60%
Total-1,43%

 

 

IAVAG – novembro/2025

Em novembro de 2025, o IAVAG recuou -0,60%, sinalizando alívio marginal nas pressões de custo do setor aeroagrícola. O movimento foi puxado, sobretudo, por variáveis mais sensíveis ao ambiente externo e aos combustíveis: dólar (-0,95%), heating oil (-2,11%) e etanol hidratado (-0,26%), reduzindo pressões sobre itens dolarizados e insumos energéticos. O INPC (+0,03%) avançou no mês, mas não compensou o efeito baixista de câmbio e combustíveis.

Em horizontes mais longos, houve arrefecimento relevante no IAVAG: o acumulado em 12 meses passou para -1,43% (de +1,53% em outubro) e, no acumulado jan–nov, o índice recua -4,29%, sugerindo um ambiente de custos mais favorável na média do ano.

Como ponto de atenção, o shutdown nos EUA comprometeu a divulgação do CPI de outubro e gerou informações incompletas em novembro, levando o cálculo a usar o CPI de setembro como referência, o que aumenta a incerteza na leitura de curto prazo dos custos externos.

 

Fonte da imagem: DREAMSTIME

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia