Empresários precisam decidir tributação para 2026

Live do Sindag abordou regras e armadilhas de cada regime fiscal, para ajudar em escolhas que devem ser feitas ainda em janeiro

O calendário fiscal apertado e as recentes mudanças na legislação tributária colocaram a escolha do regime de tributação no centro das atenções das empresas aeroagrícolas neste início de 2026. Esse foi o tema da live promovida pelo Sindag nesta segunda-feira (12), quando especialistas apresentaram aos operadores do setor os principais fatores que precisam ser considerados neste mês ao definir o regime tributário que acompanhará a empresa ao longo de todo o ano. As explicações ficaram a cargo dos assessores contábil e jurídico da entidade, Marcone Hahan de Souza e Ricardo Vollbrecht.

No encontro, foram comparadas as opções de Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, com destaque para aspectos como faturamento, folha de pagamento, incidência do ISSQN e a sazonalidade da atividade. Também foi reforçado que regimes aparentemente mais simples podem perder vantagem conforme o perfil da empresa. A orientação dos especialistas é que cada empresário avalie cuidadosamente seus números antes da opção tributária, evitando custos desnecessários ao longo do exercício.

A live teve mediação da coordenadora administrativa do Sindag, Marília Schüller, e contou ainda com comentários do empresário aeroagrícola e conselheiro da entidade Bruno Ricardo de Vasconcelos. A gravação do encontro segue disponível para associados que não puderam acompanhar a transmissão ao vivo ou que desejem rever as apresentações.

ATENÇÃO REDOBRADA

Logo no início do encontro virtual, Vollbrecht destacou que o começo do ano exige atenção redobrada dos empresários. Segundo ele, a definição do regime tributário precisa levar em conta não apenas o faturamento, mas também a margem de lucro, o volume da folha de pagamento e a sazonalidade típica da atividade aeroagrícola. “Não existe uma solução única. O que funciona para uma empresa pode ser desvantajoso para outra”, afirmou.

Na avaliação de Marcone Hahan, o Simples Nacional continua sendo uma alternativa para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano, especialmente pela desoneração da folha de salários. No entanto, ele alertou que, nas faixas mais elevadas de receita, as alíquotas podem reduzir significativamente essa vantagem. “Em muitos casos, o Simples deixa de ser simples”, resumiu.

A live também abordou aspectos práticos que costumam gerar dúvidas recorrentes, como a incidência do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Em operações como semeadura e adubação, o imposto é devido ao município onde a atividade é efetivamente realizada — e não necessariamente àquele onde está localizada a sede da empresa. No Simples Nacional, essa redistribuição ocorre de forma automática; já nos demais regimes, exige maior atenção das empresas junto às prefeituras envolvidas.

Outro ponto de destaque foi a discussão sobre a opção entre Lucro Real anual ou trimestral. O conselheiro Bruno Ricardo de Vasconcelos defendeu que, devido à forte sazonalidade da aviação agrícola, a apuração trimestral tende a ser mais vantajosa, pois permite compensar períodos de prejuízo ao longo do ano — algo mais limitado no modelo anual.

Esta foi a segunda live sobre tributação promovida pelo Sindag em pouco mais de um mês.  Em dezembro, a entidade havia tratado das mudanças trazidas pela Lei nº 15.270/2025, que altera a tributação sobre lucros distribuídos a partir de 2026. Agora, o foco esteve nas decisões imediatas, com impacto direto no caixa das empresas já neste ano. Ao final, os especialistas reforçaram que o planejamento tributário deixou de ser apenas uma ferramenta de otimização e passou a ser uma necessidade operacional.

ORIENTAÇÕES: durante cerca de 1h30 Ricardo Volbrecht e Marcone Hahan apresentaram informações e considerações sobre diversos aspectos que precisam ser considerados nas contas de cada empresa