As intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil e a questão do suicídio.

As intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil e a questão do suicídio.

As intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil e a questão do suicídio.

Claud Goellner*

Uma das principais questões relacionadas e discutidas com relação ao uso crescente de produtos fitossanitários é o problema das intoxicações. O Suicídio (do latim sui, “próprio”, e caedere, “matar”) é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental e/ou psicológico que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo. Mais de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano, tornando-se esta a décima causa de morte no mundo. Trata-se de uma das principais causas de morte entre adolescentes e adultos com menos de 35 anos de idade. Entretanto, há uma estimativa de 10 a 20 milhões de tentativas de suicídios não fatais a cada ano em todo o mundo. O comportamento suicida está associado com a impossibilidade do indivíduo de identificar alternativas viáveis para a solução de seus conflitos, optando pela morte como resposta de fuga da situação estressante.

No Brasil, 4,9 pessoas a cada 100 mil morrem por suicídio por ano, uma das menores médias do mundo. E ao contrário do resto do mundo onde é mais comum entre os adultos, no Brasil há uma prevalência entre os jovens entre 15 e 24 anos

O principal método de suicídio varia dramaticamente entre os países. Os métodos  mais comuns em diferentes regiões incluem enforcamentoenvenenamento por produtos fitossanitários e armas de fogo. Em todo o mundo 30% dos suicídios são com produtos fitossanitários. A utilização deste método, contudo, varia consideravelmente de 4% na Europa a mais de 50% na região do Pacífico. Nos Estados Unidos, 52% dos suicídios envolvem o uso de armas de fogo. Asfixia e envenenamento também são bastante comuns neste país. Juntos, eles compreenderam aproximadamente 40% dos suicídios nos Estados Unidos. Outros métodos de suicídio incluem trauma contundente (saltando de um prédio ou uma ponte, jogando-se na frente de um trem, ou provocando um acidente de carro, por exemplo).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de produtos fitossanitários na tentativa de suícidio tem aumentado considerávelmente nos últimos anos, principalmente nos países em desenvolvimento. Ele varia de 9% na China até 59% ma Índia. Nos casos da Índia e da Ásia, a contribuição dos produtos fitossanitários é maior do que os medicamentos, enquanto que para a América Latina e Caribe, a participação destes é muito próxima da dos medicamentos. Os principais produtos fitossanitários utilizados são os inseticidas organofosforados como o dimetoato, paratiom e malatiom e inseticidas como as abamectinas e ivermectinas. No caso dos herbicidas, os principais produtos são o propanil, paraquate e glifosate.

A evolução da participação das causas ocupacionais e da tentativa de suícidio nas intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil no período de 1987 a 2013 é mostrada na Tabela abaixo. Em 1987, as intoxicações ocupacionais respondiam por 29,92% do total das intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil e as intoxicações por suícidio já respondiam por 22,56%. Com o passar do tempo, podemos observar claramente que a participação das intoxicações ocupacionais diminuiu chegando em 11,22% em 2013 contra 50,9% das intoxicações por tentativa de suícidio.

Tabela – Evolução das intoxicações com produtos fitossanitários no Brasil, tendo como causas a ocupacional e a tentativa de suícidio no período 1987-2013 levantadas na casuística do SINITOX (Goellner, 2018).

Ano% intoxicações suícidio% intoxicações ocupacionais
198722,5629,92
198833,526,32
198931,2414,7
199935,7932,0
200037,726,8
200137,525,4
200236,6431,3
200337,5628,8
20044128,88
200543,112,64
200642,730,3
200746,324,9
200847,922,9
200947,824,7
201044,623,88
201145,422,5
201240,825,1
201350,911,22

 

 

A crescente associação do aumento no uso dos produtos fitossanitários com o suícidio no Brasil, no nosso entender, guarda forte relação com as campanhas na imprensa, por ambientalistas radicais, quase todas eivadas de cunho ideológico, que trazem informações  distorcidas sobre a toxicidade destes produtos.

 

 

 

*Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farmácia, Engenharia de Alimentos e Medicina Veterinária em várias Instituições de Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Atualmente consultor na área.

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