Diretor Gabriel Colle confere na CAC 2026 crescimento planejado e tecnológico que tem o Brasil como prioridade comercial

A presença inédita do Sindag na 26ª China International Agrochemical & Crop Protection Exhibition (CAC 2026), em Xangai, revelou um cenário claro: a China está acelerando no agro — e o Brasil virou prioridade. Com centenas de marcas, estratégia agressiva e avanço tecnológico, o país asiático combina escala, inovação e inteligência de mercado para disputar espaço global. Estas são as percepções repassadas pelo diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, que foi ao evento e identificou um movimento que vai além dos insumos: drones mais avançados, inteligência artificial no campo e soluções integradas que indicam uma transformação profunda na forma de produzir e aplicar. “O recado é direto: o agro entrou em uma nova fase — e o Brasil está no centro dela”, assinala.
O representante do Sindag chegou ao país na segunda-feira (16) e o evento segue até esta quinta-feira (19), no National Exhibition and Convention Center. Isso na metrópole que fica na costa leste chinesa e é o principal centro econômico, financeiro, comercial e de transporte do país (e um motor crucial para seu crescimento). Lembrando que a CAC 2026 tem nada menos do que 2,2 mil expositores, distribuídos em seis grandes pavilhões que cobrem 160 mil metros quadrados.
Falando diretamente da feira, Colle conta que percebe um ambiente que vai além da dimensão física do evento e aponta para uma mudança de eixo no agro global. “A China não está para brincadeira na agricultura. A quantidade de marcas de insumos que eles têm e estão acelerando o processo para vender em todo o Brasil é impressionante”, relata. Com visitantes de mais de 130 países, a CAC se consolida como uma vitrine mundial do setor agroquímico e de tecnologias aplicadas ao campo. Ainda assim, o impacto da feira, segundo o dirigente, está menos nos números e mais na intensidade da movimentação industrial.
“A feira é muito maior do que eu imaginava. Acho que vi mais de 150 marcas chinesas só de defensivos em um dia”, afirmou, ainda na terça-feira. A percepção, segundo ele, é de um ambiente altamente competitivo, impulsionado por uma lógica de escala, velocidade e adaptação. Ele conta que, neste cenário, o Brasil surge como peça central da estratégia internacional das empresas asiáticas.
O interesse é direto e imediato, evidenciado na abordagem constante aos visitantes brasileiros. “Em todos os estandes, quando veem o crachá com ‘Brasil’, a atenção era total”, contou o dirigente. O foco principal é a oferta de insumos. Nesse contexto, a estratégia global das empresas chinesas também revela capacidade de adaptação a cenários geopolíticos mais complexos. “Para os Estados Unidos, seguem driblando tarifas, vendendo através de parceiros na Índia”, relatou.
Avanços tecnológicos
Se o primeiro impacto da feira está na escala da indústria de insumos, o segundo — e talvez mais relevante para o Sindag — está no avanço tecnológico. A CAC reúne uma nova geração de soluções que apontam para mudanças profundas na forma de aplicar defensivos e conduzir o manejo agrícola. Drones com maior capacidade, sistemas de inteligência artificial capazes de analisar lavouras em tempo real e plataformas digitais que integram dados, equipamentos e recomendações agronômicas indicam um caminho no qual a aplicação deixa de ser apenas operacional e passa a ser orientada por informação.
O padrão observado na China vai além da mecanização: trata-se de uma transformação estrutural. Empresas já oferecem pacotes completos que incluem o drone, o software de missão, a análise agronômica e até a recomendação de insumos, criando um modelo em que a aplicação se torna um serviço digital integrado. Nesse contexto, o equipamento passa a ser apenas uma parte de um sistema mais amplo, baseado em dados e automação.
A presença de empresas indianas na feira reforça o cenário de uma disputa global cada vez mais ampliada e dinâmica, em que diferentes polos emergentes passam a disputar espaço com os tradicionais centros de inovação do agro.
MOVIMENTO ESTRATÉGICO
Para o Sindag, a participação na CAC 2026 representa mais do que uma agenda institucional. Trata-se de um movimento estratégico de observação, aprendizado e posicionamento diante de um setor que passa por rápidas transformações tecnológicas e comerciais. Conforme o dirigente do Sindag, o interesse das empresas estrangeiras no mercado brasileiro, somado ao ritmo das inovações apresentadas, aponta tanto para oportunidades de parcerias quanto para desafios regulatórios e competitivos.
Ao mesmo tempo, reforça um debate inevitável: o futuro da aplicação agrícola — e o papel da aviação agrícola nesse novo cenário. Em um ambiente onde drones, inteligência artificial e sistemas integrados ganham protagonismo, compreender essas tendências deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade estratégica.
A presença inédita do Sindag na CAC 2026, portanto, simboliza mais do que uma visita técnica. “Marca a entrada da entidade em uma nova fronteira estratégica: a de acompanhar e antecipar os rumos de um agro cada vez mais global, tecnológico e competitivo — no qual o Brasil não apenas participa, mas ocupa posição central”, conclui o diretor.






