Evento na Espanha mostrou o quanto o continente patina para alinhar inovação e regulação sobre a ferramenta necessária à sustentabilidade
Os drones agrícolas foram destaque no 18º Simpósio de Sanidade Vegetal, realizado no início do mês no Hotel Meliá Sevilla, em Sevilha, no sul da Espanha. Os debates evidenciaram o esforço do setor em buscar novas tecnologias capazes de garantir não apenas eficiência produtiva, mas também sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica das propriedades rurais.
Na prática, o encontro consolidou uma agenda técnica e política que pressiona por regras mais compatíveis com a realidade do campo e por um olhar mais integrado sobre o uso de tecnologias aeroagrícolas não tripuladas. O que ocorre em um contexto marcado pela predominância de pequenas propriedades, que buscam atender a uma demanda crescente por alimentos e matérias-primas, ao mesmo tempo em que enfrentam o desafio de manter os jovens no campo e garantir condições para que produtores mais experientes sigam à frente de suas atividades. Nesse cenário, ganham espaço soluções que combinam monitoramento digital, biotecnologia e manejo integrado de pragas.
AGENDA TÉCNICA
Realizado entre os dias 4 e 6 de março, o simpósio é considerado um dos principais fóruns técnicos da Europa sobre proteção de cultivos. A edição deste ano reuniu especialistas europeus, pesquisadores, empresas — algumas com atuação também na América Latina — e técnicos do setor agrícola, além de representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Promovido pelo Colégio Oficial de Engenheiros Técnicos Agrícolas e Graduados em Engenharia Agrícola da Andaluzia Ocidental (Coitand), o encontro tem como característica central a formação de agenda técnica, voltada a apontar tendências, caminhos regulatórios e opções tecnológicas para o setor.

CHAMADA: durante a solenidade de divulgação do Simpósio, em fevereiro, Carlos León (primeiro à direita) havia destacado a necessidade de reforçar o papel estratégico do debate diante do contexto atual da sanidade vegetal em uma Europa que ainda é restritiva a novas tecnologias, junto com (a partir da esquerda) o diretora geral de Produição Agropecuária da Andaluzia, Daniel Quesada; a secretária da Coitand, Mercedes Domínguez Respaldo, e do secretário geral de Agricultura da província espanhola, Manuel Gómez Galera – foto: divulgação/Coitand
Segundo o presidente do Coitand, Carlos León, o simpósio ocorre em um momento particularmente sensível para a agricultura europeia, especialmente diante dos debates sobre a regulamentação fitossanitária e o avanço de tecnologias emergentes. Ainda antes do evento, o material de apresentação divulgado pela organização destacou que o futuro da agricultura depende de três pilares: tecnologia, evolução regulatória e equilíbrio entre produção, meio ambiente e viabilidade econômica. Sem esse alinhamento, a Europa corre o risco de perder competitividade e capacidade de produzir alimentos.
No entanto, se há consenso sobre o potencial das novas tecnologias, o mesmo não se observa em relação à sua aplicação no curto prazo. Um dos principais fatores apontados pelos participantes foi o atual ambiente regulatório europeu, que ainda não acompanha plenamente as condições reais de uso no campo. Além disso, poucos produtos fitossanitários contam hoje com autorização específica para aplicação aérea, o que limita significativamente o uso de drones no continente.
Diante desse cenário, o setor passou a defender ajustes regulatórios mais alinhados à prática agrícola, incluindo a possibilidade de ampliar o uso de produtos já autorizados para aplicação terrestre também em operações com drones. A discussão deve avançar no âmbito da revisão de normas europeias, como o pacote de simplificação regulatória do bloco (o acordo Omnibus), que busca atualizar as regras do setor à luz das novas tecnologias.