Em entrevista ao Campo Aberto, empresário e conselheiro do Sindag Bruno Vasconcelos avalia cenário e ações necessárias às empresas para gestão eficiente
No atual contexto de crise no Oriente Médio e incertezas na economia mundial, a geopolítica deixou de ser apenas notícia. “Virou variável de decisão dentro da empresa”, resume o empresário aeroagrícola e conselheiro do Sindag Bruno Vasconcelos, em entrevista ao jornalista Cláudio Correia, no canal Campo Aberto (disponível ao final desta matéria). Segundo ele, um dos principais vetores dessa mudança é o custo operacional — especialmente combustível e insumos atrelados ao mercado internacional. O que, na aviação agrícola, significa pressão direta sobre margens que já são historicamente estreitas em um setor altamente competitivo.
Entram nessa conta peças, manutenção e insumos importados – que seguem pressionados por inflação global e aumento de custos nos países de origem. Com algum alívio para empresas que operam com etanol e conseguem reduzir a exposição ao petróleo – criando um diferencial competitivo importante. Porém, ao mesmo tempo, os clientes também enfrentam custos mais altos dentro da porteira, o que acaba refletindo nas discussões entre qualidade e preço. Aumentando os desafios em um mercado que sempre foi competitivo.
Segundo Vasconcelos, é aí que planejamentos de longo prazo dão lugar a decisões mais imediatas, acompanhando variáveis como preço de combustível, câmbio e custo de peças. “Em momentos de crise, você passa a olhar muito mais o curto prazo, monitorando custos quase em tempo real”, resume o empresário.
IA como copiloto
Dinâmica que também acelera a adoção de tecnologia. Onde o uso de inteligência artificial aparece como imprescindível para ganho de eficiência operacional e gestão. Segundo o conselheiro do Sindag, é aí que a IA já atua como uma espécie de “copiloto” nas empresas — automatizando tarefas administrativas, organizando dados, melhorando processos e aumentando a produtividade das equipes, sem necessariamente substituir profissionais.
Mas tudo precisa estar alinhado ao repertório de quem domina a técnica. “Para usar bem a inteligência artificial, é preciso ter conhecimento — inclusive de geopolítica — para orientar as decisões”, ressalta.
Apesar das incertezas, a avaliação é de que o momento não indica uma crise prolongada. O agro brasileiro segue competitivo no cenário global, com custos relativamente menores e maior capacidade de adaptação em relação a concorrentes internacionais.
A expectativa, conforme o conselheiro do Sindag, é de que essa eficiência estrutural sustente a atividade aeroagrícola no médio prazo, com retomada gradual dos investimentos dentro das propriedades. Nesse contexto, o cenário atual reforça uma lógica conhecida no setor: empresas mais organizadas, com custos controlados e gestão eficiente tendem a sair mais fortes dos ciclos adversos.
Confira abaixo o vídeo coma íntegra da entrevista: