Ação permanente iniciada em 2023 tem se mostrado primordial no fomento à articulação, esclarecimento e desmistificação da atividade em todo o País
Criado em 2023 como resposta à necessidade crescente de se percorrer o País com ações para defender o setor e aproximar a atividade aeroagrícola da sociedade e autoridades, o Fundo de Defesa da Aviação Agrícola Eduardo Azambuja Júnior já movimentou quase R$ 2 milhões nessa missão. Consolidando-se como uma das principais engrenagens de articulação do setor no Brasil.
Os dados fazem parte do último relatório da iniciativa, divulgado em março e com informações até fevereiro. O fundo é permanente e sobrevive de contribuições espontâneas
No total, a iniciativa arrecadou R$ 1,64 milhão em contribuições diretas, além de R$ 312,4 mil em rendimentos financeiros, alcançando R$ 1,95 milhão em três anos. Desse total, cerca de R$ 1,89 milhão já foi aplicado em ações estratégicas, restando um saldo atual de pouco mais de R$ 33 mil. Os números refletem uma mobilização ampla e até então inédita dentro da aviação agrícola.
De onde vem
A maior fatia dos recursos veio até aqui das próprias empresas aeroagrícolas, das quais 108 já contribuíram – entre cerca de 400 operadores ativos no País, segundo o último Relatório de Gestão e Atividades da Anac (veja AQUI, na página 162). O que rendeu cerca de R$ 1 milhão arrecadados.
Fornecedores, incluindo fabricantes, distribuidores e empresas de serviços, respondem por outros quase meio milhão de reais, enquanto pilotos e profissionais contribuem com valores menores individualmente, mas relevantes no conjunto. O modelo de arrecadação é estruturado em cotas, que variam de R$ 20 mil a R$ 5 mil para empresas e de R$ 1 mil a R$ 100 para colaboradores, permitindo diferentes níveis de participação.

Agenda positiva permanente
Mais do que levantar recursos, o fundo foi concebido para dar sustentação a uma agenda permanente de defesa do setor, que acaba percorrendo praticamente todo o País. Entre os focos estão o enfrentamento a projetos de lei que buscam restringir ou proibir a atividade – quase sempre baseados em mitos sobre o setor e hoje presentes em diferentes Estados. Além da atuação em processos judiciais em instâncias superiores que também surgem tendo por trás a desinformação. Ao mesmo tempo, a iniciativa financia ações de comunicação voltadas a combater estereótipos e reforçar a imagem da aviação agrícola junto à sociedade.
Na prática, isso tem significado presença constante em Brasília, com acompanhamento de pautas no Congresso, interlocução com ministérios e participação ativa no Instituto Pensar Agropecuária (IPA), onde o setor mantém representação estratégica. Essa atuação ganhou força especialmente em 2025, quando o Sindag registrou recorde de agenda institucional, com participação em debates regulatórios, audiências públicas e articulações políticas em diferentes regiões do País.
O alcance do fundo também se reflete em ações mais próximas do campo. Iniciativas voltadas à eficiência operacional e à segurança — como encontros de preparação para safra — foram reforçadas pela estrutura mantida com os recursos arrecadados. Ao mesmo tempo, empresas e parceiros passaram a criar formas de contribuição, como a doação de vagas em cursos e treinamentos revertidas para o fundo.
Em pouco mais de dois anos, a iniciativa deixou de ser uma resposta pontual e passou a operar como uma estrutura permanente do setor. Em um ambiente de crescente exposição pública e debate regulatório, a capacidade de mobilização construída até aqui tende a ser decisiva para os próximos passos da aviação agrícola no País.