EUA: NAAA lança campanha para disciplinar drones

Ação da entidade aeroagrícola mira operadores e produtores, alertando para riscos legais e técnicos em aplicações com equipamentos remotos irregulares

Aplique com segurança. Aplique com responsabilidade. O resultado de todos depende da conduta de cada um. Este é o slogan (traduzido) da campanha educativa iniciada pela Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês) para reforçar regras, segurança e responsabilidade nas operações com drones agrícolas. Voltada para operadores e produtores rurais, a ação busca subir a régua da confiança em um mercado que cresce rapidamente, mas ainda enfrenta problemas de conformidade na terra do Tio Sam.

A iniciativa partiu do Comitê de Sistemas de Aplicação Aérea Não-Tripulada (UAAS) da entidade, com uma ação iniciada no final de março. Ela conta com dois flyers educativos — um voltado aos operadores aeroagrícolas remotos e outro aos produtores rurais que contratam os serviços de aplicação — reunindo exigências legais e boas práticas operacionais.

REGRAS E CUIDADOS

Os materiais deixam claro, por exemplo, que operar drones de pulverização nos Estados Unidos exige certificação de piloto remoto (Part 107) e autorização para aplicação aérea (Part 137), além de licença estadual para uso de pesticidas, registro das aeronaves com identificação remota (remote ID, que integra os aparelhos ao Sistema Nacional de Espaço Aéreo) e contratação de seguro.

No conteúdo direcionado aos operadores, a entidade reforça a necessidade de atenção para a segurança ambiental, das pessoas e evitar os riscos de deriva e outros acidentes. Já no material voltado aos produtores, o recado é direto: contratar serviços fora das normas pode resultar em prejuízos financeiros e até implicações legais.

Foco em organizar o segmento

O Comitê de Sistemas Não-Tripulados na NAAA foi criado ainda em 2024 e é atualmente um dos colegiados mais diversificados do setor aeroagrícola norte-americano. Marcando uma mudança de postura: mais do que acompanhar o avanço tecnológico, o foco agora é organizar sua operação na prática.

Para isso, além de operadores de drones e de empresas de aviação agrícola tradicional (de aviões e helicópteros) o grupo tem fabricantes e distribuidores de equipamentos remotos, Universidades e centros de pesquisa. A lista engloba também a indústria de tecnologia embarcada, seguradoras especializadas e órgãos governamentais e reguladores – como a Administração Federal de aviação do país (FAA, equivalente à Anac no Brasil).

O crescimento acelerado de aeronaves remotamente pilotadas no campo,  especialmente a partir de 2020, trouxe um efeito colateral: a entrada de operadores sem certificação ou sem cumprir exigências básicas. É justamente isso que motivou a campanha da NAAA, que classifica o segmento como “jovem e em rápida expansão”.  

DADOS SUBESTIMADOS

Embora não exista um número oficial consolidado de drones de pulverização nos Estados Unidos — já que a FAA não separa os registros por tipo de uso, estimativas indicam um mercado já relevante. Conforme estudos da Michigan State University, o número de drones agrícolas nos EUA saltou de 1 mil em 2024 para 5,5 mil no ano seguinte. Porém, o dado é considerado subestimado pela própria pesquisa, já que parte significativa da frota não aparece nas bases oficiais.

Já o estudo The Rapid Global Rise of Agricultural Drones, disponível na plataforma SSRN, também aponta uma quantidade parecida de drones atuando no trato de lavouras norte-americanas. A título de curiosidade, o trabalho compila também dados de diversos países — incluindo China e Índia — e aponta  cerca de 12 mil drones operando no trato de lavouras no Brasil em 2025.

Além disso, há estudos falando em até 300 mil drones em operação no mundo. O que deixa claro que o desafio da aviação agrícola com drones já não é tecnológico, mas de organização. Mesmo além das fronteiras dos Estados Unidos.

CAMPANHA: Ação da entidade norte-americana abrange peças para conscientizar tanto operadores…

… quanto produtores que contratam o uso da ferramenta para suas lavouras