Aplicações iniciadas em abril seguem plano sazonal do sultanato baseado no ciclo do inseto e devem se repetir no segundo semestre
O Sultanato de Omã, na Península Arábica, voltou a mobilizar sua aviação agrícola para proteger uma das bases de sua segurança alimentar: as tamareiras. O país iniciou em abril uma nova rodada de aplicações aéreas contra a cigarrinha dubas (Ommatissus lybicus), uma cigarrinha típica do Oriente Médio que compromete o desenvolvimento e a produtividade das palmeiras.
A dubas ataca as palmeiras de duas formas: ao se alimentar da seiva, enfraquece a planta; e ao excretar uma substância açucarada, favorece o desenvolvimento de um fungo que prejudica a fotossíntese — reduzindo a vitalidade e a capacidade produtiva das árvores.
O combate à praga é coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Recursos Hídricos do país e integra um calendário técnico anual de controle fitossanitário. Conforme a imprensa omani, as ações começaram em 19 de abril, com foco em áreas indicadas por levantamentos de campo realizados nas semanas anteriores.
As operações integram o ciclo de primavera da praga no Oriente Médio e abrangem cerca de 730 hectares de tamareiras. As aplicações contra a praga deverão ter outro ciclo no outono da região (entre setembro e novembro), conforme os resultados dos monitoramentos de verão, em agosto.
Patrimônio regional
As tâmaras estão entre os principais produtos agrícolas de Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, além de outros países da região e Norte da África por diversos motivos. A começar pelo fato de ser uma cultura que aguenta o clima desértico, o que garante tanto a segurança alimentar quanto a economia de grandes, médios e pequenos produtores.
Além disso, é um alimento altamente energético e de longa durabilidade (o que facilita seu armazenamento). Sem falar que as palmeiras são importantes para a chamada agricultura de oásis – favorecendo o microclima com sombra para outras culturas no deserto.
Para completar, integra o patrimônio cultural local: há milhares de anos faz parte da dieta da população e é profundamente associada a tradições religiosas. Especialmente no Ramadã (o mês sagrado do calendário islâmico), onde a tâmara é usada para quebrar o jejum diário depois do pôr-do-sol.
Nesse contexto, proteger as palmeiras vai além da lavoura. Significa preservar uma cadeia produtiva inteira e um dos símbolos mais antigos da própria vida no deserto.

PROTEÇÃO: helicópteros são usados para aplicações em árers de palmeiras que também protegem manejos típicos de deserto – Foto: Arabian Daily