Sindag amplia pontes com a apicultura

Discussões iniciadas no principal congresso apícola do País devem avançar em reunião no dia 1º de junho em Brasília e culminar em termo de cooperação durante o Congresso AvAg 2026

O diálogo entre aviação agrícola, apicultores e produtores rurais ganhou força na última semana no 25º Congresso Brasileiro de Apicultura e 11º Congresso Brasileiro de Meliponicultura (Conbrapi), realizado em Florianópolis, Santa Catarina. Além de marcar presença na grade de palestras do encontro, o Sindag engrenou no evento o diálogo para um  termo de cooperação com foco em boas práticas e convivência entre produção agrícola, aplicações aéreas e proteção das abelhas. Cuja construção deve ter uma nova etapa em 1º de junho em Brasília. Com vistas à assinatura durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg), em agosto, em Goianápolis, Goiás.

O sindicato aeroagrícola foi representado no evento catarinense pelo diretor operacional Cláudio Júnior Oliveira, que apresentou na quinta-feira (14) a palestra Tecnologia de aplicação aérea de defensivos agrícolas – boas práticas do setor, defendendo a cooperação entre apicultores, produtores e operadores aeroagrícolas. O dirigente destacou exemplos práticos de convivência bem-sucedida entre os setores, incluindo experiências em São Paulo onde a troca de informações entre usinas, operadores e apicultores ajudou a eliminar episódios de perdas de colmeias. Ele também reforçou a importância econômica da polinização para a produtividade agrícola e para toda a cadeia do agro brasileiro.

A apresentação reuniu pesquisadores, produtores, lideranças setoriais, representantes de órgãos reguladores e especialistas ligados à cadeia da apicultura e meliponicultura. Além da palestra, a agenda de Oliveira teve reuniões com lideranças nacionais e internacionais da apicultura, como os presidente da Federação Internacional das Associações de Apicultores (Apimondia, com sede na Eslovênia), Peter Kozmus, e da Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA), Sérgio Farias.

A participação do Sindag foi a convite do professor Ricardo Orsi, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) – considerado uma das maiores autoridades do País em apicultura. O evento teve ainda a parceria da Federação das Associações de Apicultores do Estado de Santa Catarina (Faasc), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Dados sobre o setor e
exemplos de boa convivência

Durante sua palestra no Centro de Eventos de Florianópolis, o dirigente do Sindag abordou a importância do setor aeroagrícola para a produção agrícola, sua regulação e alta tecnologia embarcada nas aeronaves. Além da alta capacitação de suas equipes, transparência e a tecnologia que garantem produtividade e segurança em campo.

Mas o ponto central da participação foi justamente a defesa da convivência entre os diferentes segmentos do agro. Oliveira destacou exemplos de convivência bem-sucedida entre os setores e apoiados pela entidade, incluindo experiências em São Paulo onde a troca de informações entre usinas, operadores e apicultores ajudou a evitar episódios de mortandade.

Caso do Projeto Polinizar, desenvolvido no interior paulista pela multinacional chinesa Cofco – e que virou case internacional de boas práticas. “O apicultor precisa do trabalho da abelha, a produção agrícola precisa da polinização e a aviação agrícola também depende disso para melhorar a produtividade”, resumiu o dirigente, ao defender maior diálogo técnico e troca de informações entre todos os envolvidos na cadeia produtiva.

O retrospecto do Sindag em iniciativas de diálogo e boas prática tem ainda o projeto Agro Cooperação – uma consciência, inúmeros benefícios, realizado entre 2021 e 2023 no Mato Grosso do Sul. No caso, uma iniciativa do governo do Estado que teve parceria do Sindag e outros entes e tendo como estratégia a conscientização e a comunicação entre produtores, apicultores (e meliponicultores), operadores aeroagrícolas, agrônomos e técnicos. Caso também do apoio de longa data do Sindag ao programa Colmeia Viva, além de outras frentes de ação e parcerias da entidade.

DEBATES

Um dos debates mais intensos do encontro girou em torno do uso de defensivos (por meios terrestres e aéreos) e seus impactos sobre as abelhas. Segundo Oliveira, parte das discussões também abordou o crescimento do uso de drones agrícolas e questões envolvendo operações sem protocolos adequados de descontaminação e transporte dos equipamentos.

As conversas também avançaram sobre ações práticas envolvendo compartilhamento de informações técnicas e até apoio mútuo no combate à ilegalidade. Um dos pontos debatidos foi a criação de canais conjuntos para orientar denúncias sobre operações irregulares, inclusive envolvendo drones e aeronaves clandestinas.

Outro tema recorrente nas discussões foi justamente a necessidade de profissionalização do setor apícola brasileiro. Oliveira relatou que lideranças da apicultura defendem uma aproximação maior com o agro organizado, para que a atividade deixe de ser tratada como um tema periférico e passe a ocupar papel mais estratégico dentro da agricultura brasileira No final, o dirigente avaliou o ambiente como positivo e produtivo, justamente pela disposição dos participantes em buscar soluções conjuntas. “O fortalecimento do relacionamento entre os setores é fundamental para ampliar resultados, reduzir conflitos e construir um agro cada vez mais eficiente, sustentável e integrado”, destacou.