Por: Leticia Ouema Albino Sanomia, Natalia Ohara Lang e Ana Carolina Pompilio Kalife
A segurança de uma operação aeroagrícola não começa apenas no combate ao incêndio. Ela está presente em toda a estrutura da base operacional, na organização dos espaços e nas medidas preventivas adotadas no dia a dia da operação.
Em muitas bases agrícolas, a preocupação com a regularização junto ao Corpo de Bombeiros surge apenas no momento da vistoria ou da necessidade de emissão do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) — o documento oficial que certifica que a estrutura possui as condições de segurança e proteção contra incêndio exigidas por lei. Porém, na prática, diversos fatores da estrutura influenciam diretamente na segurança da operação e na proteção das pessoas, das aeronaves e do patrimônio.
Na aviação agrícola, estamos falando de uma atividade que naturalmente envolve riscos associados ao armazenamento de líquidos inflamáveis, abastecimento de aeronaves, manutenção e operação contínua de equipamentos. Por isso, o Corpo de Bombeiros avalia fatores técnicos importantes, como quantidade de combustível armazenado, distanciamento entre edificações, metragem dos hangares, acessos para emergência e sistemas preventivos contra incêndio (BRASIL, 2021; ABNT, 2024).
Um ponto importante é que cada estado possui suas próprias normas e procedimentos (MATO GROSSO, 2014; MATO GROSSO DO SUL, 2013). Em muitos casos, operações mais antigas ou estruturas que passaram por ampliações ao longo dos anos precisam de adequações específicas para atender às exigências atuais — e isso é mais comum do que muitos imaginam.
A boa notícia é que a regularização nem sempre significa grandes mudanças estruturais. Muitas vezes, ajustes em sinalização, iluminação de emergência, posicionamento de equipamentos preventivos, rotas de fuga e organização operacional já contribuem significativamente para aumentar a segurança da estrutura.
Além disso, manter a documentação em dia traz mais tranquilidade para a operação, facilita processos de vistoria e demonstra comprometimento com segurança, organização e responsabilidade operacional. Na prática, a segurança contra incêndio não deve ser vista apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da proteção da equipe, das aeronaves e de toda a estrutura construída ao longo de anos de trabalho.
Porque proteger uma operação não significa apenas cumprir normas. Significa proteger pessoas, preservar patrimônio e garantir que a estrutura esteja preparada para operar com responsabilidade e segurança todos os dias.
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- Leticia Ouema Albino Sanomia, Natalia Ohara Lang e Ana Carolina Pompilio Kalife engenheiras civis com experiência em regularização ambiental de pátios de descontaminação e projetos de segurança contra incêndio e pânico. São sócias da Albino Kalife Engenharia e Soluções Agrícolas, uma empresa do Grupo Mosmmann.
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 17505: Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.
MATO GROSSO DO SUL. Lei nº 4.335, de 10 de abril de 2013. Institui o Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico do Estado de Mato Grosso do Sul. Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 11 abr. 2013.