Brasil, EUA, Argentina e México definem troca de informações e experiências sobre regulamentação, segurança e convivência entre tecnologias aeroagrícolas
Segundo o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, o avanço dos drones agrícolas em diferentes regiões do mundo tornou inevitável uma aproximação entre as entidades representativas da aviação agrícola do continente. A avaliação foi feita neste domingo (14), ao comentar a formalização, no último dia 28, de uma parceria entre entidades aeroagrícolas das Américas do Norte, Central e Sul. No caso, por meio de uma carta conjunta para troca de informações sobre regulamentação e ações de segurança operacional e uso responsável da tecnologia.
Na prática, nesse primeiro momento o olhar é direcionado às experiências sobre certificação de operadores, requisitos de segurança, treinamento e fiscalização. Conforme Oliveira, a preocupação das entidades não está relacionada à adoção da tecnologia em si. “Pelo contrário, há consenso entre os países sobre a importância dos drones para aumentar a eficiência das operações agrícolas e ampliar as opções disponíveis aos produtores rurais. Além de garantir o acesso dos pequenos agricultores às tecnologias de precisão.”
O foco, segundo ele, está na necessidade de regras claras e de padrões mínimos de segurança operacional. Com as entidades pontuando a necessidade de marcos regulatórios claros, modernos e efetivamente aplicáveis.
O entendimento foi anunciado no início do mês pela Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês). Além do Sindag, o acordo envolve a Associação Canadense de Aviação Agrícola (CAAA), Federação Argentina de Câmaras Agroaéreas (Fearca) e a Associação Nacional das Empresas Privadas Aeroagrícolas do Uruguai (Anepa). Também integram a iniciativa a Federação de Associações de Pilotos e Proprietários de Aviões Agrícolas da República Mexicana (Fapparmac) e a Associação de Aviação Agrícola do Paraguai.
Preocupação global
“instituições aeroagrícolas das três Américas vêm conversando desde o ano passado sobre regulamentação e exigências necessárias para a utilização de drones agrícolas no continente”, ressalta Oliveira. Ao mesmo tempo, o dirigente lembra que essa ferramenta vem se consolidando como um complemento importante para as aeronaves pilotadas ─ tanto em recortes específicos de áreas maiores (atendidas pelos aviões e helicópteros) quanto para levar a tecnologia de precisão aos pequenos agricultores.
“Paralelamente, o Sindag tem percebido o interesse crescente da União Europeia sobre os drones ─ com países europeus regulamentando a tecnologia como estratégia de melhorar a produtividade e a qualidade de vida nas pequenas propriedades”, afirma o diretor. A China, por sua vez, segue entre as maiores potências mundiais do setor e incorporou os drones ao seu principal plano estratégico para a agricultura. E o foco em acessibilidade com responsabilidade também já integra discussões nas Filipinas e outros países da Ásia.
CONSENSO
De volta ao lado de cá do planeta, Canadá vem trabalhando em uma regulamentação específica para a ferramenta remota e, nesse meio tempo, ganhou uma associação própria do segmento. A própria NAAA criou um comitê interno sobre o tema e uma campanha de boas práticas sobre a ferramenta. Isso depois que uma pesquisa da entidade apontou que mais de 20% dos pilotos agrícolas entrevistados já haviam identificado drones voando próximos de suas operações aéreas.
Ou seja, segundo Oliveira, a preocupação das entidades (da aviação ou da agricultura) em todo o mundo não está relacionada à adoção da tecnologia em si. “Todos os países entendem a importância dessa tecnologia para a agricultura e o quanto ela pode somar. Mas a grande preocupação é garantir que o setor siga trabalhando de forma correta em nível mundial”, resume o diretor do Sindag.
