Boletim Econômico | Alívio parcial na energia não elimina risco de pressão sobre o IAVAG

Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑ R$ 5,1689 | PTAX de 26/06
Inflação EUA (CPI):↑ 0,5% no mês | maio/2026
Juros EUA (Fed):= 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026
PIB EUA:2,1% | 1º trimestre/2026 – 3ª estimativa
Desemprego EUA:= 4,3% | maio/2026
Selic (Brasil):↓ 14,25% | Copom – junho/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI:1,70% – US$ 69,88 ↑ | 29/06/2026
Petróleo Brent: 1,45% – US$ 72,40 ↑ | 29/06/2026
Heating Oil:2,26% – US$ 3,28/galão ↑ | 29/06/2026
Etanol anidro (SP):↑ 0,78% – R$ 2,5509/litro | média semanal encerrada em 26/06/2026
INPC maio/2026:0,65%
INPC dos últimos 12 meses:↑4,42%
IAVAG – maio/2026:-1,12%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,14%

Destaque da semana

Após a forte queda observada na semana anterior, o petróleo voltou a registrar alta nesta segunda-feira, evidenciando que o alívio no mercado de energia ainda é instável. O Brent opera próximo de US$ 72,40 por barril e o WTI em torno de US$ 69,88, reagindo às novas tensões entre Estados Unidos e Irã e às incertezas sobre a normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz.

Embora as cotações permaneçam abaixo dos patamares mais elevados registrados durante os momentos mais agudos do conflito, a recuperação parcial reforça que o risco geopolítico continua incorporado aos preços. O heating oil também permanece em nível relevante para os custos do setor, próximo de US$ 3,28 por galão, enquanto o câmbio acima de R$ 5,00 e a recente alta do etanol anidro limitam uma percepção de alívio mais consistente para a aviação agrícola.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

A PTAX de venda encerrou a sexta-feira em R$ 5,1689, com leve alta de 0,10% na semana. Nesta segunda-feira, o dólar comercial segue próximo de R$ 5,17, indicando relativa estabilidade após a volatilidade observada ao longo de junho.

Embora o câmbio tenha permanecido abaixo do patamar de R$ 5,20 projetado pelo Boletim Focus para o fim de 2026, a cotação ainda representa um ponto de atenção para o setor aeroagrícola. A estabilidade recente reduz a pressão imediata sobre os componentes dolarizados do IAVAG, mas não caracteriza um alívio estrutural. O comportamento do real continuará dependente da evolução das tensões externas, da trajetória dos juros nos Estados Unidos e da percepção de risco sobre os mercados emergentes.

Energia: heating oil e petróleo

O petróleo encerrou a semana anterior em forte queda, refletindo a redução parcial do prêmio de risco associado aos conflitos no Oriente Médio e a expectativa de normalização gradual do transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz. Na sexta-feira, o Brent fechou em torno de US$ 71,99 por barril, enquanto o WTI encerrou próximo de US$ 69,23.

Nesta segunda-feira, entretanto, as cotações voltaram a subir. O Brent opera próximo de US$ 72,40 por barril, enquanto o WTI é negociado em torno de US$ 69,88. A recuperação ocorre após novos episódios de tensão entre Estados Unidos e Irã, reforçando que o mercado ainda reage com elevada sensibilidade a qualquer risco de interrupção na oferta ou no transporte de petróleo na região.

O movimento indica que o alívio observado na semana anterior permanece frágil. Embora os preços ainda estejam abaixo dos patamares registrados durante os momentos mais agudos do conflito, a retomada parcial das cotações mostra que não há, por enquanto, uma consolidação de queda no mercado de energia.

O heating oil segue como o principal vetor de transmissão dessa volatilidade para o IAVAG. Após recuar para cerca de US$ 3,21 por galão no fechamento de 26 de junho, o produto tende a acompanhar a recuperação recente do petróleo. Dessa forma, mesmo com menor pressão do que a observada em março, os custos energéticos permanecem expostos a novas oscilações e exigem acompanhamento próximo nos próximos dias.

Etanol anidro

O etanol anidro registrou cotação média de R$ 2,5509 por litro na semana de 22 a 26 de junho, com alta de 0,78% em relação à semana anterior. O movimento foi moderado, mas interrompe parte do alívio observado ao longo dos últimos meses.

A elevação do etanol representa pressão pontual para o IAVAG, pois o produto integra diretamente a estrutura de custos considerada pelo indicador. Ainda assim, a intensidade desse avanço foi inferior à volatilidade observada no setor energético internacional, mantendo o etanol como um vetor de pressão mais limitado na leitura atual.

Inflação e juros no Brasil

O IPCA-15 de junho registrou alta de 0,41%, desacelerando em relação ao resultado de maio. No acumulado em doze meses, a inflação atingiu 4,80%, permanecendo acima do teto da meta de inflação.

A desaceleração mensal foi favorecida pela queda nos combustíveis, mas os grupos de alimentação e habitação seguiram pressionando o índice. Esse cenário reforça que, embora existam sinais de melhora pontual, a inflação brasileira ainda apresenta componentes resistentes, especialmente em itens ligados ao consumo das famílias e aos serviços.

A Selic está em 14,25% ao ano, após o corte mais recente promovido pelo Copom. O Boletim Focus projeta taxa de 14,00% ao fim de 2026, indicando expectativa de espaço limitado para novas reduções. A autoridade monetária deve continuar adotando postura cautelosa, diante da inflação ainda acima da meta, das incertezas externas e da volatilidade nos preços de energia.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

A atividade econômica brasileira segue resiliente, embora apresente sinais de heterogeneidade entre os setores. O PIB cresceu no primeiro trimestre de 2026, com desempenho positivo da agropecuária, da indústria e dos serviços. A produção industrial também apresentou avanço em abril, reforçando uma trajetória de recuperação gradual.

Por outro lado, o comércio varejista registrou queda em abril, refletindo o efeito dos juros elevados, do endividamento das famílias e de uma demanda mais seletiva. Essa combinação mostra que a economia mantém sustentação, mas já enfrenta os efeitos restritivos da política monetária sobre o consumo e o crédito.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 5,1% registrados no trimestre anterior. A taxa composta de subutilização ficou em 14,3%. Embora o mercado de trabalho ainda apresente renda e ocupação em patamares relevantes, a elevação da desocupação sinaliza alguma perda de dinamismo, o que pode contribuir para moderar a demanda e a inflação de serviços nos próximos meses. Esse cenário limita o espaço para cortes mais intensos na Selic e mantém o comportamento do câmbio dependente, em grande medida, das condições financeiras internacionais.

Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho

Nos Estados Unidos, a inflação continua sendo o principal ponto de atenção para o Federal Reserve. O índice de preços ao consumidor avançou em maio, enquanto o núcleo do índice de preços de despesas de consumo pessoal, principal referência do Fed, permaneceu acima da meta de 2%.

A atividade econômica norte-americana mostrou crescimento no primeiro trimestre, confirmando uma economia ainda resiliente. O mercado de trabalho também segue relativamente firme, com criação líquida de vagas em maio e taxa de desemprego em 4,3%.

Diante desse cenário, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A combinação entre inflação persistente, mercado de trabalho equilibrado e incertezas relacionadas à energia reduz a urgência por novos cortes de juros. Para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, uma postura mais cautelosa do Fed pode limitar a valorização do real e manter os ativos dolarizados sob pressão.

Para o IAVAG, esse ambiente externo é relevante porque uma postura mais cautelosa do Fed pode sustentar o dólar em patamar elevado e ampliar a volatilidade dos combustíveis cotados internacionalmente.

Impactos para o IAVAG

A queda acumulada do petróleo na semana anterior melhora a perspectiva dos componentes energéticos do IAVAG em comparação com os picos observados em março. No entanto, a recuperação das cotações nesta segunda-feira mostra que esse movimento ainda não está consolidado e pode ser revertido rapidamente diante de novas tensões no Oriente Médio ou de dificuldades na retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz.

O heating oil segue como o principal canal de transmissão dessa volatilidade para o índice. Mesmo abaixo dos níveis mais críticos registrados no primeiro trimestre, o produto permanece em patamar elevado, enquanto o dólar acima de R$ 5,00 e a alta recente do etanol anidro atuam como fatores de compensação parcial. Assim, o cenário atual indica menor pressão imediata do que a observada em março, mas mantém viés de cautela para os próximos resultados do IAVAG.

IAVAG nos últimos 12 meses

jun/25-0,81%
jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
Acumulado em 12 meses:+3,14% | ↓

IAVAG – resultado de maio/2026

O IAVAG registrou queda de 1,12% em maio de 2026, mantendo o processo de correção iniciado após o forte avanço observado em março. Com esse resultado, a variação acumulada em doze meses recuou para 3,14%.

No acumulado de 2026, o indicador apresenta alta de aproximadamente 1,78%. O resultado evidencia que, mesmo após duas quedas consecutivas (de 3,98% em abril e de 1,12% em maio), os custos do setor ainda refletem os efeitos do choque energético e cambial observado no primeiro trimestre.

O desempenho de maio trouxe alívio para a aviação agrícola, mas não eliminou a necessidade de monitoramento. O IAVAG continua exposto aos movimentos do heating oil, do dólar, do etanol anidro e dos indicadores de inflação, que seguem sujeitos a fatores internos e externos de elevada volatilidade.

Comentário final

O cenário econômico desta semana combina melhora pontual no vetor energético com persistência de riscos relevantes para os custos da aviação agrícola. A queda do petróleo reduz parte da pressão recente, mas o heating oil ainda permanece em nível elevado, enquanto o câmbio e o etanol impedem uma leitura de alívio mais consistente.

No Brasil, a inflação mostra desaceleração mensal, porém segue acima do teto da meta, limitando o espaço para cortes mais intensos na Selic. Nos Estados Unidos, a atividade econômica e o mercado de trabalho continuam firmes, enquanto a inflação mantém o Federal Reserve em posição cautelosa.

Para o IAVAG, o principal sinal da semana é de redução parcial da pressão sobre a energia, sem garantia de estabilidade duradoura. A trajetória do índice nos próximos meses dependerá da consolidação da queda do petróleo, da evolução do heating oil, do comportamento do dólar e da capacidade do mercado doméstico de conter novas altas do etanol.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.

Fonte da imagem destacada: Olieprijs.info

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia