Diretor operacional do Sindag acompanhou o lançamento em Brasília e avalia que a liberação dos ecursos era urgente, apesar da frustração pelas limitações no pacote
A demora na divulgação do Plano Safra 2026/27 fez com que a confirmação dos recursos fosse recebida com alívio por representantes do agronegócio presentes ao lançamento do programa, nesta terça-feira (30), em Brasília. Para o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, que participou da cerimônia, a principal conquista foi justamente o fim da indefinição sobre o crédito rural. Ao mesmo tempo, ele observa que a efetividade do pacote ainda dependerá da forma como os recursos chegarão aos produtores — uma preocupação compartilhada por outras entidades do setor.
“O Plano Safra demorou a ser anunciado e, por isso, o fato de ele sair é uma vitória que estamos tendo para desafogar a atividade como um todo”, resumiu Oliveira. Segundo ele, a expectativa é de que o volume anunciado alivie ao menos em parte as dificuldades enfrentadas pelos produtores, especialmente diante do aumento da inadimplência observado nos últimos meses.
O governo federal anunciou R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial na safra 2026/27, aumento nominal em relação ao ciclo anterior, além de redução nas taxas de juros de algumas linhas de financiamento.
Apesar disso, a avaliação de parte das lideranças do agronegócio foi cautelosa. Em nota divulgada logo após o lançamento, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também reconheceu a importância da divulgação do programa, mas afirmou que o aumento dos recursos foi parcialmente composto por fundos que tradicionalmente não integram o Plano Safra.
A bancada também criticou a redução dos recursos destinados ao custeio da produção e classificou como insuficiente o orçamento para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), considerado essencial para proteger os produtores diante dos riscos climáticos e de mercado.
Na avaliação de Oliveira, o simples fato de o programa ter sido anunciado já devolve previsibilidade ao setor. “Isso mostra que haverá uma injeção de recursos na agricultura, o que deve ajudar principalmente na questão da inadimplência”, afirmou.
Para a aviação agrícola, embora o Plano Safra não contemple linhas específicas para operadores aeroagrícolas, a política de crédito rural influencia diretamente a capacidade de investimento dos produtores e, por consequência, a demanda por tecnologias e serviços de aplicação aérea. Por isso, o Sindag acompanha de perto as discussões sobre financiamento, seguro rural e políticas voltadas ao agronegócio.
