Boletim Econômico | Recuo do heating oil melhora cenário, mas valorização do dólar limita alívio ao IAVAG

Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑ R$ 5,1711 | PTAX de 03/07
Inflação EUA (CPI):↑ 0,5% no mês | maio/2026
Juros EUA (Fed):= 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026
PIB EUA:2,1% | 1º trimestre/2026 – 3ª estimativa
Desemprego EUA:↓ 4,2% | Junho/2026
Selic (Brasil):↓ 14,25% | Copom – junho/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI:1,70% – US$ 68,77 | 06/07/2026
Petróleo Brent: 0,08% – US$ 72,16 | 06/07/2026
Heating Oil:0,91% – US$ 3,29/galão | 06/07/2026
Etanol anidro (SP):↑ 1,17% – R$ 2,5808/litro | média semanal encerrada em 03/07/2026
INPC maio/2026:0,65%
INPC dos últimos 12 meses:↑ 4,42%
IAVAG – maio/2026:-1,12%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,14%

Destaque da semana

Junho encerrou com sinais mistos para a formação dos custos da aviação agrícola. De um lado, a queda do heating oil e o ambiente mais favorável no mercado internacional de petróleo contribuíram para reduzir a pressão sobre os componentes energéticos do IAVAG. De outro, a valorização do dólar ao longo do mês limitou parte desse alívio ao encarecer os custos vinculados ao mercado externo quando convertidos para reais.

O cenário reforça uma perspectiva de alívio parcial, sem indicar ainda uma redução consolidada dos custos. A trajetória do câmbio, do etanol e dos derivados de petróleo ao longo de julho será determinante para definir o comportamento do próximo resultado do índice.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

O dólar encerrou junho em R$ 5,1760, conforme dados do IpeaData, valor superior aos R$ 5,0563 registrados no fechamento de maio, em 29 de maio de 2026. A alta de aproximadamente 2,37% no mês consolida a pressão cambial sobre o IAVAG, especialmente nos componentes vinculados a custos dolarizados, como heating oil, peças, manutenção e demais insumos importados.

Dessa forma, mesmo diante de um eventual alívio nas cotações internacionais do petróleo, a valorização do dólar ao longo de junho tende a limitar o efeito positivo sobre o índice. O câmbio se consolida, portanto, como um dos principais vetores de pressão para o resultado mensal do IAVAG.

Nos primeiros dias de julho, contudo, a moeda norte-americana apresentou estabilidade. A PTAX passou de R$ 5,1760 em 30 de junho para R$ 5,1711 em 3 de julho, enquanto o dólar à vista encerrou a sexta-feira cotado a R$ 5,1688. Esse comportamento mais contido reduz o risco de uma pressão cambial adicional no início do novo período de apuração, mas ainda ocorre em um patamar elevado para os custos operacionais do setor.

No Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, a projeção para o câmbio ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 por dólar. Assim, embora o dólar não tenha apresentado nova alta relevante na última semana, seu nível atual ainda limita uma melhora mais expressiva nos custos dolarizados da aviação agrícola.

Heating oil e petróleo

O heating oil encerrou junho cotado a US$ 3,2291 por galão, abaixo dos US$ 3,4886 registrados no fechamento de maio, em 29 de maio de 2026. A redução de aproximadamente 7,44% no mês representa um importante fator de alívio para o IAVAG, considerando o peso desse componente na formação dos custos energéticos da aviação agrícola.

No mercado de petróleo bruto, o Brent encerrou 30 de junho cotado a US$ 72,92 por barril, em um ambiente de menor preocupação com a oferta global. A recuperação gradual dos fluxos pelo Estreito de Hormuz e as expectativas de ampliação da produção pela Opep+ contribuíram para reduzir parte das pressões observadas anteriormente no mercado internacional de energia.

Embora o ambiente mais favorável no mercado de petróleo contribua para uma perspectiva positiva para os combustíveis e derivados, seu efeito sobre o IAVAG ocorre de forma indireta. O heating oil é o componente efetivamente considerado na composição do índice, de modo que a continuidade do alívio dependerá do comportamento dos destilados, das margens de refino, da logística internacional e do câmbio.

Etanol anidro

O etanol anidro voltou a registrar alta no mercado paulista. O Indicador CEPEA/ESALQ avançou 1,17% na semana encerrada em 3 de julho, passando de R$ 2,5509 para R$ 2,5808 por litro.

O movimento interrompe parte do alívio observado nos meses anteriores e merece atenção, pois o etanol é um dos componentes relevantes da estrutura de custos acompanhada pelo IAVAG. Embora o valor atual permaneça abaixo dos níveis observados no início do ano, a sequência recente de elevações semanais indica que esse componente pode voltar a exercer pressão no curto prazo.

A evolução da safra, o ritmo de comercialização das usinas, a demanda interna e a relação entre açúcar e etanol seguirão sendo fatores importantes para definir o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Inflação e juros no Brasil

A inflação brasileira segue em ritmo elevado, ainda que tenha apresentado alguma desaceleração mensal. Em maio, o IPCA registrou alta de 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses. O INPC avançou 0,65% no mês e acumula 4,42% em 12 meses.

A prévia da inflação de junho, medida pelo IPCA-15, foi de 0,41%. Apesar da desaceleração em relação a maio, o índice acumulado em 12 meses alcançou 4,80%, sinalizando que o processo de desinflação permanece lento e sujeito a riscos relacionados aos preços de alimentos, habitação, energia e combustíveis.

O Banco Central reduziu a Selic para 14,25% ao ano em junho, mas manteve uma comunicação cautelosa diante da deterioração das expectativas inflacionárias. No Focus desta semana, a projeção para o IPCA de 2026 recuou levemente para 5,30%, enquanto a estimativa para a Selic ao fim do ano permaneceu em 14,00%.

Esse cenário mantém o crédito caro e restringe parte da atividade econômica, mas também ajuda a conter pressões adicionais sobre a inflação e o câmbio.

Inflação e juros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a inflação continua sendo um ponto de atenção para o mercado global. Em maio, o CPI avançou 0,5% no mês e acumulou alta de 4,2% em 12 meses, influenciado especialmente pela elevação dos preços de energia.

Diante desse cenário, o Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A autoridade monetária segue avaliando os efeitos da inflação, do mercado de trabalho e das tensões externas antes de sinalizar novos cortes de juros.

Para o IAVAG, a inflação norte-americana possui efeito direto na composição do índice, enquanto a cautela do Federal Reserve pode sustentar o dólar em patamar elevado e limitar o alívio dos custos externos quando convertidos para reais.

Atividade e mercado de trabalho no Brasil

A economia brasileira apresentou crescimento no primeiro trimestre de 2026, com avanço de 1,1% do PIB frente ao trimestre anterior. A agropecuária, a indústria e os serviços contribuíram positivamente para o resultado.

Mais recentemente, a produção industrial recuou 0,2% em maio, interrompendo uma sequência de quatro meses de alta. O resultado sugere uma moderação pontual da atividade, compatível com os efeitos de uma política monetária ainda restritiva.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, o menor resultado para esse período desde 2012. O mercado de trabalho aquecido sustenta renda e consumo, mas também pode dificultar uma desaceleração mais rápida da inflação de serviços.

Atividade e mercado de trabalho nos Estados Unidos

O mercado de trabalho norte-americano apresentou sinais de moderação em junho. Foram criadas 57 mil vagas fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,2%.

O resultado mostra que a economia dos Estados Unidos continua crescendo, mas em ritmo mais moderado. Essa desaceleração tende a reduzir parte da pressão sobre a demanda global por energia, o que pode contribuir para limitar novas altas do petróleo ao longo dos próximos meses.

Por outro lado, a inflação ainda elevada e a continuidade das incertezas geopolíticas impedem uma leitura de alívio definitivo. O comportamento da atividade norte-americana seguirá sendo importante para o câmbio, os juros internacionais e as cotações das commodities.

Impactos para o IAVAG

Os dados disponíveis de junho indicam sinais mistos para o próximo resultado do IAVAG. O dólar encerrou o mês em R$ 5,1760, acima dos R$ 5,0563 registrados no fechamento de maio. A alta de aproximadamente 2,37% consolida pressão sobre os componentes dolarizados do índice, especialmente o heating oil, além de peças, manutenção e demais insumos vinculados ao mercado internacional.

Por outro lado, o heating oil encerrou junho em US$ 3,2291 por galão, abaixo dos US$ 3,4886 observados no fim de maio. A queda de aproximadamente 7,44% representa um fator relevante de alívio para o IAVAG e tende a reduzir parte da pressão associada aos custos energéticos.

Dessa forma, o próximo resultado do índice deverá refletir uma compensação parcial entre esses movimentos. Enquanto a valorização do dólar eleva o custo da energia importada e dos demais itens dolarizados quando convertidos para reais, a queda mais intensa do heating oil tende a suavizar esse impacto. A trajetória do etanol e dos índices de inflação também será relevante para a composição final do resultado.

Para julho, a estabilidade recente do dólar em torno de R$ 5,17 reduz o risco de uma pressão cambial adicional no curto prazo. Ainda assim, o patamar da moeda norte-americana permanece elevado e limita uma melhora mais consistente dos custos do setor. A continuidade do alívio dependerá da manutenção do heating oil em níveis mais baixos e da ausência de novos choques sobre o petróleo e seus derivados.

IAVAG nos últimos 12 meses

jun/25-0,81%
jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
Acumulado em 12 meses:+3,14% | ↓

IAVAG – resultado de maio de 2026

O IAVAG registrou queda de 1,12% em maio de 2026, reduzindo a pressão acumulada do índice ao longo do ano. Em 12 meses, o IAVAG passou a acumular alta de 3,14%.

O resultado mensal foi influenciado principalmente pela redução dos componentes energéticos e do etanol. O heating oil recuou 14,51% em maio, enquanto o etanol apresentou queda de 9,35%, movimentos que contribuíram de forma relevante para a redução do índice no período.

O comportamento do câmbio, no entanto, atuou em sentido contrário. O dólar apresentou alta de 1,35% em maio, pressionando os custos dolarizados da aviação agrícola. Ainda assim, a redução mais intensa do heating oil e do etanol foi suficiente para compensar esse efeito e determinar o resultado negativo do IAVAG no mês.

Apesar do recuo observado em maio, o índice permanece sensível às oscilações do câmbio, dos derivados de petróleo, do etanol e dos índices de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Os dados de junho indicam uma dinâmica distinta: a queda do heating oil tende a atuar favoravelmente, enquanto a valorização do dólar pode limitar parte desse benefício.

Comentário final

O cenário ao fim de junho sugere uma melhora parcial nas condições de custo da aviação agrícola, impulsionada principalmente pelo recuo do heating oil e pela redução das pressões imediatas no mercado internacional de petróleo.

No entanto, a valorização do dólar mantém a exposição do setor aos custos dolarizados e reduz parte do ganho proporcionado pela queda dos derivados energéticos. O ambiente, portanto, ainda não indica uma redução definitiva das pressões sobre o IAVAG.

A perspectiva para julho dependerá da continuidade do alívio no mercado de energia, da estabilidade cambial e do comportamento do etanol. A combinação desses fatores definirá se o movimento observado em junho poderá se traduzir em uma redução mais consistente dos custos do setor.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.

Nota: os gráficos mensais apresentam dados consolidados até maio de 2026. Os dados de junho estão em fase de apuração para o próximo resultado do IAVAG.

Fonte da imagem destacada: EBC Financial Group.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia