Dinâmica com quatro grupos condensou 20 prioridades em seis macropilares e apontou três consensos para orientar o setor na próxima década
A aviação agrícola que chegará aos 90 anos deverá ser mais conectada, orientada por dados e integrada entre diferentes plataformas. Mas o avanço tecnológico, sozinho, não resolverá os desafios do setor. Formação profissional, segurança jurídica, modernização operacional, gestão e diálogo com a sociedade apareceram nesta segunda-feira (17) entre os pontos centrais do Workshop Agenda 2037, promovido pelo Sindag na Faculdade de Tecnologia SENAI Ítalo Bologna, em Goiânia.
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Realizado na véspera do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil 2026, o encontro reuniu empresários, pilotos, fabricantes e pesquisadores para olhar além das comemorações dos 80 anos do primeiro voo agrícola brasileiro, em 2027. A proposta foi usar o marco histórico como ponto de partida para uma agenda de desenvolvimento até 2037.
Na abertura, a presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, reforçou que o exercício não era adivinhar qual tecnologia dominará o mercado, mas preparar empresas e profissionais para as mudanças. Para ela, a Agenda 2037 precisa ser construída em conjunto.
Cenário e provocações
O diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior, apresentou um cenário marcado por juros altos, pressão de custos, volatilidade internacional e dificuldades de crédito no agro. Ao mesmo tempo, destacou o crescimento da aviação agrícola e a expansão dos drones como partes de um movimento maior: o avanço da tecnologia de aplicação aérea reunindo diferentes plataformas.
O painel seguinte reforçou essa visão. Felipe Fraga, Matheus Dallacqua, Glauberto Moderno, João Paulo Cunha e Bruno Faustino abordaram Agricultura 5.0, inteligência artificial, automação, gestão de dados, evolução das aeronaves, tecnologia de aplicação e comunicação. O debate apontou para operações mais precisas, conectadas e mensuráveis — e para a necessidade de gente preparada para comandar essa transformação.
Professor da Universidade Federal de Uberlândia, João Paulo Cunha resumiu uma das mudanças esperadas: empresas e pilotos deverão deixar cada vez mais a condição de simples operadores para assumir também o papel de gestores de tecnologia e informação. Medir resultados, gerar indicadores e comprovar eficiência tende a ganhar peso tanto na melhoria das aplicações quanto no diálogo com a sociedade.

Consensos para 2037
Depois das apresentações, os participantes foram divididos em quatro grupos, cada um encarregado de apontar cinco prioridades para os próximos dez anos. Os 20 pilares levantados foram agrupados, com apoio de inteligência artificial, em seis macropilares estratégicos.
Três apareceram nos quatro grupos, alcançando 100% de convergência: regulação, segurança jurídica e ambiente institucional; pessoas, formação e qualificação; e tecnologia, automação e modernização operacional. O eixo regulatório teve a maior intensidade, concentrando 30% dos 20 pilares originais. A síntese reuniu ainda comunicação, imagem e integração da cadeia; viabilidade econômica, políticas públicas e desenvolvimento do setor; além de dados, indicadores e inteligência setorial.
O resultado reforçou uma percepção que atravessou o workshop: tecnologia e pessoas terão de avançar juntas. Também apontou os dados como base transversal para decisões, mensuração de resultados e evolução das operações. As contribuições formarão o primeiro rascunho da Agenda 2037 e deverão subsidiar a revisão do planejamento estratégico do Sindag.
A agenda terminou com uma visita à estrutura tecnológica do SENAI Ítalo Bologna. O grupo conheceu laboratórios ligados a ensaios, robótica, metrologia, automação, hidráulica e pneumática, usinagem e outras áreas de formação e serviços tecnológicos para a indústria, inclusive aeronáutica. Um fechamento alinhado ao espírito do encontro: preparar pessoas, incorporar tecnologia e transformar informação em capacidade de decisão.