Aviação agrícola brasileira completa seu 79º aniversário neste 19 de agosto e abre, em pleno Congresso AvAg, a contagem regressiva para a festa dos 80 anos
Uma praga de gafanhotos, lavouras ameaçadas e uma solução que até então existia no Brasil apenas como referência do que já havia sido tentado em outros países. Foi desse cenário de urgência que nasceu, em 19 de agosto de 1947, a aviação agrícola brasileira. Nesta quarta-feira, exatamente 79 anos depois, o episódio é lembrado em todo o País pelo Dia Nacional da Aviação Agrícola.
O voo pioneiro ocorreu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a bordo de um Muniz M-9, avião de fabricação nacional. Os protagonistas foram o piloto civil Clóvis Gularte Candiota e o engenheiro agrônomo Antônio Leôncio Fontelles. Diante da infestação que castigava as lavouras da região, Fontelles articulou a adaptação de um equipamento para distribuir o produto contra os insetos e Candiota assumiu o comando da missão. Uma operação praticamente artesanal que acabou abrindo caminho para toda uma atividade no País.
DIMENSÃO
Setenta e nove anos depois, a dimensão do que nasceu naquele voo está à mostra justamente neste 19 de agosto, no Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg) 2026, em Goianápolis, Goiás. O evento, que começou na terça-feira (18) e termina nesta quinta (20), reúne no Condomínio Aeronáutico Liberty os principais atores da cadeia aeroagrícola, além de mais de 200 marcas de tecnologias, aeronaves, equipamentos e serviços do Brasil e do exterior.
É o retrato de um setor que fechou 2025 com mais de 2,8 mil aviões e helicópteros agrícolas, formando a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, e que convive agora também com a rápida expansão dos drones de aplicação. Uma evolução que trouxe sistemas digitais, navegação por satélite, equipamentos cada vez mais precisos, automação, rastreabilidade e novas demandas de formação profissional, segurança e regulação.
Por isso, o aniversário deste ano também marca o início de uma contagem regressiva especial. A partir deste 19 de agosto, falta exatamente um ano para os 80 anos da Aviação Agrícola Brasileira. E o caminho até lá deverá ser também um período de planejamento do próximo ciclo do setor.
Agenda para a próxima década
Esse movimento começou ainda na segunda-feira (17), em Goiânia, no Workshop Agenda 2037, promovido pelo Sindag na Faculdade de Tecnologia Senai Ítalo Bologna. O encontro reuniu lideranças, especialistas e profissionais para discutir onde a aviação agrícola quer chegar na próxima década e quais desafios precisam começar a ser enfrentados desde já.
Em trabalhos realizados em grupos, os participantes apontaram como prioridades temas como formação e qualificação profissional, modernização e estabilidade regulatória, tecnologia de aplicação e agricultura de precisão, integração entre aviões, helicópteros e drones, segurança operacional, profissionalização das empresas, inteligência de dados e rastreabilidade.
O resultado deve agora subsidiar a consolidação da Agenda 2037, que servirá de referência para o trabalho do Sindag junto ao setor. A proposta é aproveitar os próximos 12 meses para transformar as prioridades levantadas em planejamento e ações, fazendo dos 80 anos, em agosto de 2027, não apenas uma celebração da trajetória iniciada por Candiota e Fontelles, mas também o ponto de partida para a década seguinte.
Assim, o voo contra gafanhotos de 1947 conecta-se diretamente ao cenário visto hoje em Goiás: uma atividade que nasceu da necessidade de encontrar uma resposta rápida para o campo e que, quase oito décadas depois, busca novamente antecipar desafios, incorporar tecnologias e preparar seu próximo salto.














