Boletim Econômico | IAVAG salta de 3,39% para 7,52% no acumulado de 12 meses

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑ R$ 5,1690 | (PTAX)
Inflação EUA (CPI):0,4% no mês | agosto/2026
Juros EUA (Fed):3,50% – 3,75% | FOMC – julho/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – segunda estimativa
Desemprego EUA:4,1% | agosto/2026
Selic (Brasil):↓ 14,00% | Copom – agosto/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↑ 1,82% – US$ 101,87/barril | 14/09/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↑ 1,45% – US$ 106,13/barril |  14/09/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↑ 0,96% – US$ 5,01/galão | 14/09/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑ 2,32% – R$ 2,8475/litro | média semanal encerrada em 11/09/2026
INPC agosto/2026:-0,32%
INPC dos últimos 12 meses:+3,98%
IAVAG – agosto/2026:2,83%
IAVAG – últimos 12 meses:+7,52%

Destaque da Semana

A semana reúne três movimentos centrais para o acompanhamento econômico do setor: a divulgação do resultado oficial do IAVAG de agosto, a continuidade da pressão nos mercados de petróleo e derivados e as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Também foram divulgados os dados de inflação de agosto utilizados na composição do IAVAG, com comportamentos distintos entre Brasil e Estados Unidos, acrescentando novos elementos à leitura do cenário.

Com o fechamento de agosto já consolidado, a atenção agora se volta para a evolução dos componentes ao longo de setembro e para os possíveis efeitos das decisões de política monetária sobre câmbio, energia e expectativas.

Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

Câmbio | Dólar volta a se aproximar de R$ 5,20

O dólar voltou a apresentar pressão nesta segunda-feira, em meio ao fortalecimento da moeda norte-americana no exterior e ao aumento da cautela provocado pela escalada dos preços internacionais do petróleo.

A PTAX está em R$ 5,1690, aproximando novamente a cotação do patamar observado no encerramento de agosto.

No cenário de expectativas, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (14) manteve a projeção para o dólar em R$ 5,20 ao final de 2026, patamar que segue como referência para as expectativas de mercado.

O comportamento do câmbio segue particularmente relevante para o IAVAG, tanto por integrar diretamente sua composição quanto por influenciar custos associados a produtos e insumos negociados internacionalmente.

Energia | Petróleo acima de US$ 100 mantém atenção sobre o heating oil

O mercado internacional de energia voltou a apresentar forte volatilidade. Nesta segunda-feira (14), o WTI estava cotado a US$ 101,87 por barril, alta de 1,82%, enquanto o Brent alcançava US$ 106,13, avanço de 1,45%.

A escalada recente está associada principalmente ao aumento dos riscos sobre a oferta internacional e às tensões no Oriente Médio, com preocupação sobre infraestrutura e importantes rotas de transporte de petróleo.

O movimento merece atenção porque a valorização do petróleo tende a repercutir sobre seus derivados. O heating oil, que integra diretamente o cálculo do IAVAG, estava cotado a US$ 5,01 por galão nesta segunda-feira, alta de 0,96% no dia.

O patamar é significativamente superior ao fechamento de agosto, quando o heating oil terminou o mês em US$ 4,4106 por galão. Embora setembro ainda esteja em andamento e não seja possível antecipar o fechamento do componente, a permanência dos preços de energia em níveis elevados reforça a necessidade de acompanhamento ao longo das próximas semanas.

Etanol | Indicadores continuam a apresentar valorização

O mercado paulista de etanol apresentou nova valorização na última semana. O indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro avançou 2,32%, para R$ 2,8475 por litro, na média semanal encerrada em 11 de setembro.

O movimento dá continuidade à recuperação observada nas últimas semanas e merece atenção diante do comportamento recente dos demais componentes de custos.

Para o IAVAG, é importante distinguir os indicadores: o etanol hidratado para outros fins é o componente utilizado diretamente no cálculo, enquanto o anidro funciona como importante referência para acompanhar a dinâmica do mercado de etanol.

Inflação e juros no Brasil | INPC recua e mercado aguarda decisão do Copom sobre juros

O INPC registrou queda de 0,32% em agosto, após recuo de 0,01% em julho. Em 12 meses, o indicador desacelerou de 4,10% para 3,98%.

O resultado teve influência importante da redução dos custos de Habitação, principalmente pelo desconto temporário do Bônus de Itaipu sobre as contas de energia elétrica.

O IPCA também apresentou deflação de 0,32% em agosto, com a inflação oficial acumulada em 12 meses desacelerando de 4,44% para 4,22%.

A melhora dos indicadores também aparece nas expectativas. O Boletim Focus de 14 de setembro reduziu de 5,00% para 4,90% a projeção do IPCA para 2026. É a primeira vez desde maio que a mediana fica abaixo de 5%. Para setembro, o mercado projeta inflação de aproximadamente 0,50%.

A atenção agora se volta para o Copom, que decide nesta quarta-feira (16) o novo patamar da Selic, atualmente em 14,00% ao ano. O Focus manteve a projeção de 13,75% para o encerramento de 2026, enquanto as expectativas de mercado apontam para possibilidade de novo corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião.

Atividade econômica | PIB desacelera e Focus reduz projeção para 2026

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano. No acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB apresentou expansão de 1,9%.

O resultado mostra continuidade do crescimento da atividade econômica, porém em ritmo mais moderado.

As expectativas também foram revistas. No Boletim Focus desta segunda-feira, a projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 caiu de 1,93% para 1,89%, menor estimativa desde maio.

A combinação entre desaceleração da atividade e inflação mais moderada reforça o espaço para continuidade da flexibilização monetária, embora o ambiente externo e a recente escalada dos preços de energia permaneçam como fatores de atenção.

Estados Unidos | CPI avança com pressão da energia, enquanto mercado aguarda decisão de juros

Nos Estados Unidos, o CPI avançou 0,4% em agosto, acelerando em relação à alta de 0,1% registrada em julho. Em 12 meses, a inflação ao consumidor ficou em 3,4%.

Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), a energia teve papel importante na aceleração da inflação no mês. O índice de energia avançou 2,1% em agosto, após queda de 1,5% em julho. Dentro do grupo, a gasolina subiu 3,9% e respondeu por mais de um terço da alta mensal do CPI. O fuel oil também apresentou forte valorização, de 10,1% no mês.

Além da energia, o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3%, com pressões em itens como habitação, tarifas aéreas, comunicação e educação. O índice de habitação subiu 0,3%, enquanto as passagens aéreas avançaram 2,7%.

Para o IAVAG, o resultado merece atenção direta, uma vez que a inflação norte-americana integra a metodologia do indicador. A pressão observada no bloco de energia também reforça o cenário já identificado nos mercados de petróleo e derivados.

A atividade econômica norte-americana também permanece no radar. A segunda estimativa apontou crescimento anualizado de 1,5% do PIB no segundo trimestre, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1% em agosto.

O Federal Reserve divulga nesta quarta-feira (16) sua nova decisão de política monetária. Atualmente, a taxa dos Fed Funds está no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano. A combinação entre inflação mais resistente e preços elevados de energia aumenta a importância da decisão e, principalmente, da sinalização do Fed sobre os próximos passos da política monetária.

Impactos para o próximo resultado do IAVAG | Energia concentra as atenções em setembro

Com a apuração de agosto encerrada, o acompanhamento se volta para os movimentos de setembro. O principal ponto de atenção está no mercado internacional de energia: o heating oil opera na região de US$ 5,01 por galão, enquanto Brent e WTI permanecem acima de US$ 100 por barril.

O câmbio também merece acompanhamento diante da aproximação do patamar de R$ 5,20 em uma semana que terá decisões de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Mudanças nas expectativas de política monetária podem aumentar a volatilidade do dólar nos próximos dias.

No etanol, os indicadores paulistas continuam apresentando valorização, com o anidro avançando 2,32% na última semana disponível.

Esses movimentos indicam pontos de pressão que precisam ser monitorados, especialmente no bloco de energia. Entretanto, setembro ainda está em andamento e as cotações podem mudar até o fechamento da janela de apuração. Por isso, ainda não há elementos suficientes para antecipar uma tendência para o próximo IAVAG.

IAVAG nos últimos 12 meses

ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
Acumulado em 12 meses:+3,39%

IAVAG | Índice sobe 2,83% em agosto e acumula 7,52% em 12 meses

O IAVAG registrou alta de 2,83% em agosto, acima do avanço de 1,14% observado em julho. Com o novo resultado, o índice passou a acumular 5,91% em 2026 e 7,52% nos últimos 12 meses, frente aos 3,39% acumulados em 12 meses até julho.

A mudança na janela de 12 meses foi expressiva porque, além da alta de agosto de 2026, de 2,83%, saiu da comparação agosto de 2025, quando o IAVAG havia recuado 1,29%.

Na composição de agosto, três importantes componentes apresentaram valorização:

Dólar: passou de R$ 5,0767 em julho para R$ 5,1810 em agosto, alta de 2,05%.

Heating oil: passou de US$ 4,0955 por galão em julho para US$ 4,4106 em agosto, valorização de 7,69%.

Etanol hidratado para outros fins: avançou de R$ 2,1337 por litro em julho para R$ 2,3212 em agosto, alta de 8,78%.

Diferentemente de julho, quando movimentos de queda do dólar e do etanol ajudaram a compensar a forte valorização do heating oil, agosto apresentou alta simultânea dos três componentes, aumentando a pressão sobre o resultado do índice.

Em sentido contrário, o INPC recuou 0,32%, oferecendo uma compensação parcial. Já o CPI norte-americano avançou 0,4%.

O resultado mostra que não foi apenas um componente isolado que pressionou o IAVAG em agosto. A combinação entre energia, câmbio e etanol explica a aceleração do índice e contribuiu para elevar de forma significativa o acumulado dos últimos 12 meses.

Comentário final

A semana reúne fatores importantes para o ambiente econômico do setor aeroagrícola. De um lado, a divulgação do IAVAG consolida os movimentos de custos observados em agosto. De outro, o mercado internacional inicia uma nova fase de maior volatilidade, especialmente nos preços de petróleo e derivados.

As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos acrescentam outro elemento relevante ao cenário, principalmente pelos possíveis reflexos sobre câmbio, inflação e expectativas.

Nesse ambiente, o acompanhamento dos indicadores continua essencial para distinguir movimentos pontuais de mudanças mais persistentes na estrutura de custos do setor, especialmente em um período no qual energia e política monetária voltaram a ocupar o centro das atenções.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Econostrum.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia