Boletim Econômico | Selic cai, juros sobem nos EUA e mercados de dólar e petróleo recuam

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):  R$ 5,11 | (PTAX)
Inflação EUA (CPI):0,4% no mês | agosto/2026
Juros EUA (Fed):↑ 3,75% – 4,00% | FOMC – setembro/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – segunda estimativa
Desemprego EUA:4,1% | agosto/2026
Selic (Brasil): 13,75% | Copom – setembro/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:4,76% – US$ 95,51/barril | 21/09/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: 3,63% – US$ 100,00/barril |  21/09/2026 – Trading Economics
Heating Oil:3,67% – US$ 4,87/galão | 21/09/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑ 2,29% – R$ 2,9128/litro | média semanal encerrada em 18/09/2026
INPC agosto/2026:-0,32%
INPC dos últimos 12 meses:3,98%
IAVAG – agosto/2026:2,83%
IAVAG – últimos 12 meses:+7,52%

Destaque da Semana

A semana começa com mudanças importantes no cenário econômico doméstico e internacional. No Brasil, a Selic foi reduzida para 13,75% ao ano, enquanto, nos Estados Unidos, o Federal Reserve seguiu na direção oposta e elevou a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4,00%. No mercado internacional, o petróleo devolveu parte das fortes altas recentes, com recuo do WTI e do Brent, enquanto, no Brasil, o dólar também perdeu força nesta segunda-feira. Ao mesmo tempo, o mercado de etanol segue valorizado, mantendo atenção sobre os custos acompanhados pelo setor.

Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

Câmbio | Dólar recua e PTAX volta à região de R$ 5,11

O dólar iniciou a semana em queda. Nesta segunda-feira (21), a moeda norte-americana encerrou o mercado comercial a R$ 5,1084, recuo de 0,7% no dia. A PTAX de venda ficou em R$ 5,1117, ante R$ 5,1575 na sexta-feira (18), acompanhando o enfraquecimento da moeda ao longo do pregão.

Na comparação com o encerramento de agosto, quando a referência cambial estava próxima de R$ 5,18, o nível atual indica valorização do real ao longo de setembro. Para a apuração definitiva do IAVAG, entretanto, será considerada a série cambial adotada pelo índice e o fechamento do mês, portanto o movimento atual ainda pode se alterar nos próximos pregões.

No Boletim Focus, a expectativa para o dólar no encerramento de 2026 permanece em R$ 5,20. Dessa forma, enquanto o mercado acompanha os próximos desdobramentos domésticos e internacionais, o câmbio inicia esta semana em patamar inferior ao observado no fechamento do mês passado.

Energia | Petróleo e heating oil recuam, mas preços permanecem elevados

O mercado de energia iniciou a semana em forte correção. Nesta segunda-feira, o WTI recuou para a região de US$ 95 por barril, enquanto o Brent voltou para aproximadamente US$ 100 por barril. Apesar da queda diária, o WTI ainda acumula valorização expressiva na comparação com um mês atrás.

O movimento ocorre depois da forte pressão registrada no mercado internacional de petróleo durante setembro. Parte do alívio recente está relacionada às expectativas de melhora das condições de oferta e de utilização de rotas alternativas para o petróleo do Oriente Médio.

O heating oil, componente diretamente considerado no IAVAG, também apresentou forte correção nesta segunda-feira. A cotação recuou cerca de 3,67%, para US$ 4,8721 por galão, depois de ter alcançado aproximadamente US$ 5,26/galão na semana passada.

Apesar do recuo, o valor continua acima dos US$ 4,4106/galão registrados no fechamento de agosto. Portanto, o movimento recente representa um alívio em relação às máximas observadas na semana passada, mas ainda não elimina a pressão acumulada durante setembro.

Para o próximo IAVAG, será especialmente importante observar onde o heating oil encerrará setembro, já que a variação do componente considera a comparação entre o último valor do mês anterior e o último valor do mês observado.

Etanol |  Mantém trajetória de valorização no mercado paulista

O mercado de etanol manteve a trajetória de valorização na última semana. Segundo o indicador CEPEA/ESALQ, o etanol anidro, utilizado como principal referência para o acompanhamento do mercado, passou de R$ 2,8475 para R$ 2,9128 por litro, avanço de 2,29% na semana de 14 a 18 de setembro.

O movimento dá continuidade à valorização observada nas últimas semanas e ocorre em um cenário de maior firmeza nas negociações no mercado paulista. As chuvas também vêm interferindo no ritmo de moagem da cana-de-açúcar, contribuindo para as preocupações dos agentes quanto à oferta.

O etanol hidratado, embora não seja a principal referência utilizada para a leitura do mercado, é o componente considerado diretamente no cálculo do IAVAG. Na última semana, seu indicador passou de R$ 2,4622 para R$ 2,6412 por litro, uma alta mais intensa, de 7,27%.

Dessa forma, a valorização do anidro sinaliza a continuidade do movimento de alta no mercado de etanol, enquanto o avanço mais expressivo do hidratado reforça a possibilidade de pressão desse componente sobre a próxima apuração do IAVAG. Como setembro ainda não terminou, o movimento deve ser acompanhado até o fechamento do mês.

Inflação e juros no Brasil | Selic cai para 13,75% e Focus eleva projeção do IPCA

O cenário de inflação doméstica continua mostrando sinais distintos entre os dados realizados e as expectativas.

Em agosto, tanto o IPCA quanto o INPC recuaram 0,32%. O IPCA acumula alta de 4,22% em 12 meses e 3,11% em 2026, enquanto o INPC acumula 3,98% em 12 meses.

Na política monetária, o Copom reduziu novamente a Selic na reunião de 16 de setembro, de 14,00% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.

O Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe duas mudanças importantes. A projeção do IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, enquanto a expectativa para a Selic no encerramento do ano caiu de 13,75% para 13,50%.

A ata da última reunião do Copom será divulgada nesta terça-feira e poderá trazer novos elementos sobre a condução da política monetária nos próximos meses.

Atividade econômica | Focus reduz marginalmente projeção do PIB

O PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, enquanto o crescimento acumulado nos quatro trimestres encerrados no período ficou em 1,9%. A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua estava em 5,4% no segundo trimestre.

No Focus desta segunda-feira, a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026 foi revisada marginalmente, de 1,89% para 1,88%.

A alteração é pequena, mas reforça o cenário de desaceleração gradual da atividade que vem sendo acompanhado pelo Banco Central e ajuda a explicar a continuidade do ciclo de redução da Selic.

Estados Unidos | Estados Unidos | Fed eleva juros e inflação permanece pressionada

Nos Estados Unidos, a principal mudança da semana veio da política monetária.

O Federal Reserve elevou em 0,25 ponto percentual a faixa da taxa básica de juros, que passou de 3,50%–3,75% para 3,75%–4,00%. A decisão foi unânime. O Fed afirmou que a inflação permanece elevada e que a atividade econômica continua avançando em ritmo sólido.

A decisão ocorre depois de o CPI norte-americano acelerar 0,4% em agosto, após avanço de apenas 0,1% em julho. Em 12 meses, a inflação ao consumidor alcançou 3,4%. A energia avançou 2,1% no mês e a gasolina subiu 3,9%.

O PIB dos Estados Unidos permanece com crescimento anualizado de 1,5% no segundo trimestre, pela segunda estimativa, enquanto a taxa de desemprego estava em 4,1% em agosto.

A combinação entre inflação ainda elevada e juros maiores nos Estados Unidos merece acompanhamento porque pode influenciar tanto o comportamento internacional do dólar quanto os mercados de commodities.

Impactos para o próximo resultado do IAVAG | Energia concentra as atenções em setembro

Os movimentos observados em setembro continuam mostrando vetores em direções distintas.

No mercado de combustíveis, o heating oil permanece acima do fechamento de agosto, apesar da correção recente acompanhada pela queda do petróleo. A redução do WTI e do Brent nesta segunda-feira diminui parte da pressão observada na semana passada, mas será necessário acompanhar se esse movimento se sustentará até o encerramento do mês. O heating oil chegou a recuar para US$ 4,8039/galão durante esta segunda-feira, depois de atingir máximas próximas de US$ 5,26 na semana anterior.

No etanol, o cenário permanece de valorização. O avanço do anidro, principal referência para a leitura do mercado, sinaliza maior firmeza dos preços, enquanto a alta mais intensa do hidratado, componente efetivamente utilizado no cálculo do IAVAG, mantém esse item como vetor de pressão.

Já o dólar apresenta movimento contrário, com valorização do real em relação ao encerramento de agosto. Assim, o recuo cambial e a recente acomodação da energia oferecem algum contraponto à pressão observada no etanol e no heating oil.

Como setembro ainda não terminou, esses movimentos representam apenas a trajetória dos componentes até o momento e não permitem antecipar o resultado da próxima apuração do IAVAG.

IAVAG | Índice acumula 7,52% em 12 meses

O IAVAG avançou 2,83% em agosto, depois da alta de 1,14% registrada em julho.

Com o resultado, o índice passou a acumular 5,91% em 2026 e 7,52% nos últimos 12 meses, frente aos 3,39% acumulados em 12 meses até julho.

A mudança expressiva do acumulado em 12 meses decorreu tanto da alta de agosto de 2026 quanto da saída de agosto de 2025 da janela de comparação, mês em que o IAVAG havia recuado 1,29%.

IAVAG nos últimos 12 meses

set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
Ago/262,83%
Acumulado em 12 meses:+7,52%

Comentário final

O cenário desta semana mostra uma mudança de dinâmica depois da forte pressão observada recentemente nos mercados internacionais. A acomodação do petróleo reduz parte das preocupações imediatas com energia, enquanto a valorização do real também contribui para um ambiente menos pressionado no curto prazo. Por outro lado, a firmeza do mercado de etanol indica que os custos acompanhados pelo setor continuam sujeitos a movimentos relevantes.

Além disso, as decisões de política monetária colocam Brasil e Estados Unidos em momentos distintos do ciclo de juros, fator que pode influenciar o comportamento do câmbio e das commodities nas próximas semanas. Com o mês se aproximando do encerramento, os próximos pregões serão importantes para verificar quais desses movimentos ganharão consistência e efetivamente chegarão ao fechamento de setembro.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Money Times.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia