Air Tractor reforça projeto internacional que aprimora simulações das pulverizações e busca reconhecer os avanços tecnológicos dos equipamentos de aplicação
Estimar com mais precisão o caminho das gotas de uma pulverização é o objetivo de um projeto internacional que acaba de ganhar o apoio da fabricante de aviões agrícolas Air Tractor. A adesão foi anunciada na quinta-feira (8) pela Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA, na sigla em inglês), que lidera a modernização do AGDISP. Na sigla para Agricultural Dispersion (dispersão agrícola), trata-se um programa de computador utilizado para simular aplicações e estimar o risco de deriva — o deslocamento de gotas para fora da área que se pretende tratar.
A iniciativa reúne entidades aeroagrícolas, organizações de produtores, empresas de insumos e parceiros da saúde pública, com participação ainda da Associação Australiana de Aplicação Aérea (AAAA). O apoio da Air Tractor é celebrado como um passo importante para o projeto.
O Sindag já havia abordado essa iniciativa em reportagem publicada em novembro de 2025 em seu site (reveja AQUI). Agora, a adesão da fabricante fortalece o esforço para que as avaliações acompanhem os avanços dos equipamentos e das práticas empregadas no campo.
VIRTUAL
O funcionamento do AGDISP pode ser entendido como uma pulverização realizada primeiro no computador. O usuário informa características da aeronave e dos equipamentos, os tamanhos das gotas, a altura de aplicação, as propriedades da calda — mistura utilizada na lavoura — e as condições meteorológicas.
Com esses dados, o programa calcula trajetórias e estima onde o material tende a se depositar. A simulação considera o vento, a turbulência, a evaporação e até o movimento do ar provocado pela passagem da aeronave. Isso permite comparar configurações e avaliar como cada uma influencia o resultado.
Pesquisadores podem, por exemplo, testar mudanças no tamanho das gotas ou na altura de aplicação para identificar combinações que reduzam o deslocamento fora do alvo. A ferramenta complementa os ensaios de campo, cujas medições permitem verificar a capacidade do modelo de representar situações reais.
REGRAS
Esses cálculos também ajudam a fundamentar decisões sobre o uso de defensivos. O AGDISP fornece a base do AgDRIFT, uma versão modificada utilizada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) nas avaliações de deriva.

As autoridades utilizam essas estimativas, junto a outros estudos, para analisar os riscos e definir se um produto pode ser autorizado e em quais condições deve ser aplicado. Dessas avaliações podem sair exigências sobre equipamentos, condições de uso e medidas de proteção incluídas nas instruções dos produtos. Nos Estados Unidos, as determinações obrigatórias dos rótulos aprovados pela EPA têm força legal.
Segundo a NAAA, a modernização deverá permitir análises mais específicas para cada cenário e representar melhor os benefícios das tecnologias de redução de deriva. A perspectiva é oferecer uma base mais precisa para reconhecer os investimentos dos operadores em equipamentos e boas práticas na definição das exigências de segurança.
O alcance também inclui aplicações terrestres, como pulverizadores de barra e equipamentos que utilizam uma corrente de ar para distribuir as gotas, comuns em pomares. Assim, o trabalho impulsionado pela aviação agrícola poderá beneficiar outras ferramentas de proteção das lavouras.
Requisitos conforme a aplicação
Estados Unidos e Austrália também estabelecem faixas de segurança contra a deriva. Nesses países, as distâncias podem variar conforme o produto, o equipamento e as áreas vizinhas que precisam ser protegidas. Eventuais reduções dependem das condições expressamente autorizadas pelas autoridades.
Melhorar as simulações ajuda a fundamentar essas decisões: permite avaliar quanto uma configuração de aplicação pode reduzir a exposição fora do alvo e quais medidas de proteção, incluindo distâncias de segurança, são necessárias. A atualização do programa, porém, não altera automaticamente as exigências de uso dos defensivos.
PRÓXIMOS PASSOS
O projeto prevê incorporar variáveis que mudam durante o voo, como o peso da aeronave. Também busca desenvolver uma versão integrada ao sistema de navegação agrícola, que orienta as passadas sobre a lavoura. A perspectiva é oferecer estimativas de deriva em tempo real para apoiar as decisões do piloto.
Conforme o cronograma divulgado pela NAAA, a escrita do novo código do programa deve ser concluída até o fim de outubro. A conclusão integral do projeto está prevista para abril de 2027. O software modernizado permanecerá disponível ao público e terá código aberto. Seu uso como suporte às decisões regulatórias ainda depende de avaliação pelos órgãos responsáveis.
Em abril, a NAAA informou que a iniciativa reunia US$ 545 mil em recursos e compromissos de financiamento. Entre os apoiadores estavam Bayer, entidades de produtores de milho e algodão, a própria NAAA, sua fundação de pesquisa e educação (NAAREF) e a associação australiana. Também havia recursos dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), por meio da Associação Americana de Controle de Mosquitos. A participação da saúde pública se explica pelo uso da aviação também nas aplicações de produtos químicos e biológicos contra esses insetos.
O investimento reforça o esforço do setor para medir e aperfeiçoar as aplicações, oferecendo uma base mais precisa para o planejamento das operações e a definição das medidas de segurança.