BOLETIM ECONÔMICO | IAVAG: ACUMULADO EM 12 MESES SALTA DE 7,52% PARA 11,03% EM SETEMBRO

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑R$ 5,0096     | (PTAX) 13/10
Inflação EUA (CPI):0,6% no mês | setembro/2026
Juros EUA (Fed):↑3,75% – 4,00% | FOMC – setembro/2026
PIB EUA:2,2% | 2º trimestre/2026 – terceira estimativa
Desemprego EUA:4,2% | setembro/2026
Selic (Brasil):↓13,75% | Copom – setembro/2026
PIB Brasil trimestral:↑0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↑1,67% – US$ 95,71/barril | 14/10/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↑0,82% – US$ 106,56/barril | 14/10/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↑0,08% – US$ 4,94/galão | 14/10/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↓0,15% – R$ 3,0532/litro | média semanal encerrada em 09/10/2026
INPC setembro/2026:+0,82%
INPC dos últimos 12 meses:4,29%
IAVAG – setembro/2026:+2,84%
IAVAG – últimos 12 meses:+11,03%

DESTAQUE DA SEMANA

O Índice de Variação dos Custos da Aviação Agrícola (IAVAG) acumulou alta de 11,03% nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, evidenciando a elevação dos custos acompanhados pelo setor aeroagrícola. No mês, o indicador avançou 2,84%, alcançando 8,76% no acumulado do ano.

Entre os principais destaques da semana está a aceleração da inflação brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,82% em setembro, revertendo a deflação de 0,32% observada em agosto. O IPCA também avançou 0,82%, pressionado principalmente pela elevação dos preços da energia elétrica residencial.

Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor (CPI) acelerou de 0,40% em agosto para 0,60% em setembro, impulsionada especialmente pelo aumento dos preços dos combustíveis. O resultado reforçou a atenção do mercado às perspectivas para os juros americanos e seus possíveis reflexos sobre o dólar e a energia.

No mercado de combustíveis, o etanol e o heating oil registraram valorizações expressivas na apuração de setembro. Já em outubro, os primeiros indicadores apontam sinais de acomodação no câmbio e no etanol, enquanto os preços internacionais de energia permanecem voláteis.Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

CÂMBIO | REAL SE VALORIZA NO INÍCIO DE OUTUBRO

O mercado cambial brasileiro apresentou valorização do real nas primeiras semanas de outubro, após a relativa estabilidade observada no encerramento de setembro.

A PTAX de venda de 13 de outubro foi de R$ 5,0096, abaixo dos R$ 5,1809 registrados em 30 de setembro. O movimento ocorreu em um ambiente de ajustes nas expectativas políticas e econômicas, embora persistam incertezas relacionadas ao cenário doméstico e internacional.

No Boletim Focus divulgado em 13 de outubro, a projeção para o dólar ao final de 2026 foi reduzida de R$ 5,20 para R$ 5,15.

A divulgação da inflação americana acrescentou um novo fator de atenção ao mercado. A persistência das pressões inflacionárias nos Estados Unidos pode influenciar as expectativas para os juros americanos e, consequentemente, o comportamento do dólar frente às demais moedas. Para o setor aeroagrícola, a manutenção de um câmbio mais baixo tende a favorecer os custos de insumos e equipamentos expostos à moeda americana.

ENERGIA | MERCADO INTERNACIONAL MANTÉM VOLATILIDADE

O mercado internacional de energia segue marcado pela volatilidade, influenciado pelas incertezas relacionadas à oferta global de petróleo, às tensões geopolíticas e às perspectivas de demanda.

Nesta quarta-feira (14), o petróleo WTI é negociado a US$ 95,71 por barril, enquanto o Brent registra US$ 106,56 por barril, conforme as cotações acompanhadas pelo Trading Economics.

O heating oil, componente utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, é negociado a US$ 4,94 por galão, refletindo a manutenção de preços elevados no mercado de derivados.

As oscilações desses indicadores demonstram a sensibilidade do mercado energético às condições internacionais de oferta e demanda, mantendo a atenção sobre a trajetória dos combustíveis nas próximas semanas.

ETANOL | PREÇOS APRESENTAM ACOMODAÇÃO EM OUTUBRO

Os indicadores semanais do CEPEA/ESALQ para o mercado paulista de etanol apresentaram recuos no período de 5 a 9 de outubro, após as valorizações observadas durante setembro.

O etanol anidro foi negociado a R$ 3,0532 por litro, registrando queda de 0,15% em relação à semana anterior, quando havia alcançado R$ 3,0579.

Já o Indicador Semanal do Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ – São Paulo, utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, encerrou o período em R$ 2,6163 por litro, com redução de 0,51% na comparação semanal.

Esta foi a segunda semana consecutiva de queda do indicador, sinalizando uma acomodação dos preços após o movimento de alta registrado no mês anterior.

Apesar das reduções recentes, os valores ainda permanecem acima dos níveis observados no encerramento de agosto. A evolução das próximas semanas será importante para verificar a continuidade dessa tendência.

INFLAÇÃO E JUROS NO BRASIL | INPC AVANÇA 0,82% E FOCUS ELEVA PROJEÇÕES

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,82% em setembro, revertendo a queda de 0,32% observada em agosto. Com o resultado, o indicador acumulou 4,01% em 2026 e 4,29% nos últimos 12 meses.

Os produtos alimentícios apresentaram aumento de 0,80%, enquanto os não alimentícios avançaram 0,83%, demonstrando que a elevação dos preços atingiu diferentes grupos de consumo.

O IPCA, indicador oficial da inflação brasileira, também registrou alta de 0,82% em setembro, acumulando 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses.

O principal fator de pressão foi a energia elétrica residencial, que subiu 7,98%. O aumento esteve associado, sobretudo, ao encerramento do desconto temporário do Bônus de Itaipu, aplicado nas contas de agosto. Com o fim desse benefício, os valores voltaram a subir na comparação mensal, contribuindo para a aceleração do índice.

Os grupos de alimentação e transportes também registraram pressões, refletindo aumentos em diferentes produtos e serviços.

No Boletim Focus divulgado em 13 de outubro, a projeção para o IPCA de 2026 passou de 5,01% para 5,22%, enquanto a estimativa para a Selic ao final do ano recuou de 13,50% para 13,25%. A projeção para o dólar também foi reduzida, de R$ 5,20 para R$ 5,15.

A taxa Selic permanece em 13,75% ao ano, após a redução promovida pelo Banco Central em setembro.

O cenário demonstra que, apesar da perspectiva de redução gradual dos juros, a inflação continua exigindo atenção, especialmente diante das pressões observadas sobre energia e outros itens de consumo.

ATIVIDADE ECONÔMICA BRASILEIRA | EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO PERMANECE ESTÁVEL

As projeções para a atividade econômica brasileira permaneceram estáveis no Boletim Focus divulgado em 13 de outubro.

A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 1,85%, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em 1,40%.

O cenário econômico continua caracterizado por crescimento moderado, juros elevados e pressões inflacionárias que influenciam as condições de crédito, consumo e investimento.

Para o setor produtivo, a evolução desses indicadores permanece importante para o planejamento financeiro e as decisões de investimento.

ESTADOS UNIDOS | INFLAÇÃO ACELERA COM FORTE ALTA DOS COMBUSTÍVEIS

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos apresentou aceleração em setembro. Segundo os dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) nesta quarta-feira (14), o CPI avançou 0,60% no mês, após alta de 0,40% em agosto.

Em 12 meses, a inflação passou de 3,40% para 3,70%, indicando intensificação das pressões sobre os preços ao consumidor.

O principal responsável pelo resultado foi o setor de energia, que registrou alta de 5,20% em setembro, após avanço de 2,10% no mês anterior.

Dentro desse grupo, a gasolina apresentou aumento de 9,10%, respondendo por mais da metade da elevação mensal do CPI. O óleo combustível utilizado para aquecimento residencial também registrou forte valorização, de 15,30%.

Além dos combustíveis, os custos de moradia avançaram 0,40%, após alta de 0,30% em agosto. Também foram registrados aumentos em recreação, veículos usados, educação, passagens aéreas, serviços médicos e vestuário.

Em contrapartida, o grupo de alimentação permaneceu estável no mês, contribuindo para limitar uma aceleração ainda maior da inflação.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, apresentou alta de 0,30%, mesma variação de agosto. Entretanto, no acumulado de 12 meses, passou de 2,40% para 2,60%, demonstrando que as pressões inflacionárias não ficaram restritas ao mercado energético.

O resultado amplia a atenção sobre os próximos movimentos do Federal Reserve. A persistência da inflação pode influenciar o ritmo de redução dos juros americanos, com possíveis reflexos sobre o dólar, os fluxos internacionais de capital e os preços das commodities.

IMPACTOS PARA O IAVAG | ANÁLISE DE SETEMBRO E PERSPECTIVAS PARA OUTUBRO

O resultado do IAVAG de setembro refletiu a pressão exercida principalmente pelos combustíveis. O etanol apresentou valorização de 16,53%, enquanto o heating oil avançou 6,29%, registrando os movimentos percentuais mais expressivos entre os componentes acompanhados. O INPC e o CPI americano também contribuíram positivamente para o índice, enquanto o dólar permaneceu praticamente estável.

Para outubro, os primeiros indicadores apresentam um cenário distinto. A valorização do real e as reduções recentes nos preços do Etanol Hidratado Outros Fins sinalizam uma possível moderação de parte dos custos acompanhados pelo índice.

Entretanto, o mercado internacional de energia permanece pressionado, com oscilações nas cotações do heating oil. Além disso, a aceleração da inflação americana pode influenciar as expectativas para os juros nos Estados Unidos e, consequentemente, o comportamento do dólar.

Dessa forma, o cenário de outubro apresenta fatores de pressão e de alívio atuando simultaneamente, sem uma tendência consolidada para o próximo resultado do IAVAG. A apuração dependerá da evolução dos componentes e de seus valores de referência no encerramento do mês.

IAVAG | ACUMULADO EM 12 MESES ATINGE 11,03%

O Índice de Variação dos Custos da Aviação Agrícola (IAVAG) acumulou alta de 11,03% nos últimos 12 meses encerrados em setembro de 2026, refletindo a evolução dos custos acompanhados pelo setor aeroagrícola. No resultado mensal, o índice registrou variação positiva de 2,84%, ligeiramente acima dos 2,83% observados em agosto. Com isso, o acumulado de 2026 alcançou 8,76%.

Entre os componentes do índice, o etanol apresentou a maior valorização percentual em setembro, com alta de 16,53%, seguido pelo heating oil, que avançou 6,29%. Os indicadores de inflação também registraram variações positivas, com aumento de 0,82% no INPC brasileiro e de 0,60% no CPI americano. O dólar, por sua vez, apresentou leve recuo de 0,01%, permanecendo praticamente estável no período.

O resultado de setembro evidencia a influência das oscilações dos combustíveis e da inflação sobre os custos do setor, enquanto o acumulado de 11,03% em 12 meses reforça a importância do acompanhamento contínuo desses indicadores para o planejamento econômico e financeiro das empresas de aviação agrícola.

COMENTÁRIO FINAL

A evolução dos indicadores econômicos reforça a importância do acompanhamento dos custos no setor aeroagrícola, especialmente diante das oscilações dos mercados internacionais e das pressões inflacionárias.

A aceleração da inflação americana acrescenta incertezas às perspectivas para os juros e o câmbio, enquanto os primeiros movimentos de outubro indicam possíveis mudanças na trajetória de determinados custos.

Nesse contexto, o monitoramento contínuo dos indicadores econômicos contribui para um planejamento financeiro mais consistente e para decisões estratégicas das empresas de aviação agrícola.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Portal da Industria.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia