Dirigentes do sindicato aeroagrícola e dos criadores de abelhas e meliponas discutiram em Brasília ações para proteger polinizadores, ampliar a comunicação em campo e combater operações irregulares com drones
A proteção das abelhas deve entrar em pauta no Congresso 80 anos da Aviação Agrícola, que ocorrerá no ano que vem, no nordeste paulista. A ideia ganhou força no último mês, com o convite do Sindag para a Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA) integrar o evento. A programação do Congresso AvAg 80 anos será de 17 a 19 de agosto, na base da empresa Tangará Aeroagrícola em Orlândia, na Região Metropolitana de Ribeirão Preto. O convite foi entregue pelo diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, ao presidente da CBA, Sérgio Farias, durante encontro em 21 de outubro, em Brasília.
De acordo com o dirigente aeroagrícola, o encontro tratou da construção de um projeto conjunto para fortalecer a apicultura e melhorar a convivência e a comunicação entre apicultores e operadores agrícolas. A ideia inclui a profissionalização das operações com drones agrícolas e o combate à ilegalidade no uso desses equipamentos.

CONTINUIDADE
A agenda dá continuidade ao diálogo iniciado em maio, durante o Congresso Brasileiro de Apicultura e de Meliponicultura, em Florianópolis, Santa Catarina. Na ocasião, Oliveira palestrou sobre tecnologia de aplicação aérea e boas práticas, além de conversar com Farias e outras lideranças do setor apícola.
Essa aproximação se soma a um histórico de iniciativas voltadas à proteção dos polinizadores. Entre elas está o Agro Cooperação, desenvolvido entre 2021 e 2023 no Mato Grosso do Sul, sob coordenação da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), com parceria do Sindag e outras entidades. O trabalho teve como foco a conscientização e a comunicação entre produtores, apicultores, operadores aeroagrícolas, agrônomos e técnicos.
O Sindag também mantém parceria com o movimento Colmeia Viva desde seu início, em 2014, apoiando a divulgação de ferramentas e boas práticas para aproximar agricultores e criadores de abelhas. A iniciativa, neste caso, é coordenada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).
No interior paulista, outro exemplo é o Projeto Polinizar, da Cofco International Brasil, com participação da Imagem Aviação Agrícola. A iniciativa reúne usinas, apicultores e prestadores de serviços no planejamento das aplicações e na proteção das colmeias. Entre os recursos utilizados estão mapas digitais com a localização dos apiários, cujas coordenadas são inseridas nos sistemas das aeronaves para interromper automaticamente a pulverização nas zonas de segurança estabelecidas.
Aproximar o público
A edição especial do Congresso AvAg em 2027 celebrará as oito décadas do primeiro voo agrícola brasileiro, realizado em 19 de agosto de 1947, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. O local da festa em Orlândia foi anunciado no encerramento do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg), realizado em agosto.
O evento do ano que vem no interior paulista já começou a ser construído inclusive com a Prefeitura de Orlândia, a partir de uma reunião ocorrida em setembro. Conforme a presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, além da Tangará ter estrutura para receber um evento do porte do Congresso AvAg, a ideia de levar o evento para dentro de uma empresa do setor é aproximar o público do dia a dia da atividade. O foco é permitir que autoridades, pesquisadores, jornalistas e o público de fora do setor conheçam de perto as regras, rotinas, tecnologias e procedimentos que orientam o trabalho no campo.
MERCADO
O País tem hoje uma das melhores e a segunda maior aviação agrícola do planeta, com mais de 2,8 mil aeronaves em operação. Atrás apenas dos Estados Unidos e à frente de países como México, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e outros.
Além de ser atualmente um dos maiores mercados das das fabricantes norte-americanas de aviões agrícolas, o País é o único no mundo que fabrica uma aeronave movida a etanol. No caso o avião Ipanema, da Embraer, responsável por cerca de um terço da aviação agrícola nacional voar utilizando biocombustível.