Resultado geral positivo veio apesar da influência negativa dos fatores climáticos no agro, pesando nos serviços aeroagrícolas conforme a região, mas com aposta de safra em alta para 2023
O Produto Interno Bruto (PIB – soma dos bens e serviços produzidos no País) fechou 2022 em R$ 9,9 trilhões. O dado foi divulgado hoje (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e repercutido pela Agência Brasil. Segundo o órgão, o volume representa um crescimento de 2,2% na riqueza do País no ano passado, apesar de uma queda de 0,2% verificada no quarto semestre (no comparativo com o mesmo período de 2021). O crescimento do PIB em 2022 foi puxado pelas altas nos serviços (4,2%) e na indústria (1,6%), que juntos representam cerca de 90% do indicador.
Porém, conforme o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a desaceleração no final do ano foi consequência do resultado negativo em 1,7% no agro em 2022 – principalmente pela perda de produtividade na agricultura, impactada por fatores climáticos. Mesmo assim, com reflexos diferentes nas regiões brasileiras, inclusive na aviação agrícola, segundo levantamento do Sindag.
Enquanto, por exemplo, no Mato Grosso as aplicações aéreas em soja estiveram dentro do normal (com o clima prolongando o ciclo da lavoura em novembro), em São Paulo justamente a chuva acima da média na safra da oleaginosa aumentou a demanda pelos serviços aeroagrícolas. Neste caso, com o terreno encharcado, produtores que tinham pulverizadores terrestres (mas que não puderam rodar nas culturas) buscaram os serviços de aviões para o trato de suas plantações.
PIOR SECA DO PLANETA
Já no Rio Grande do Sul, a redução das operações em soja dos 50%, com cerca de 40% menos também no milho, em algumas áreas do Estado. Lembrando que o território gaúcho não só sofreu influência da grave seca que deixou no chão boa parte da aviação agrícola da Argentina, como integrou em janeiro, junto aquele país e mais o Uruguai, a região de pior seca no Planeta. Outro exemplo de variação de cenário abrange o Paraná e Mato Grosso do Sul, que também tiveram atraso no ciclo da soja. Nestes Estados, a preocupação passou a ser outra: atrasando a colheita da soja, atrasa também o plantio do milho, que por sua vez pode acabar entrando no período de risco de geada nas regiões mais frias.
INCREMENTO
Paralelo a esses cenários, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) segue apostando em incremento na safra de grãos brasileira no ciclo 2022/23, estimada em 310,6 milhões de toneladas. O número integra o quinto levantamento da safra, divulgado em fevereiro pelo órgão (outro estudo deve sair na próxima semana), que projeta um incremento de 14,3% na produção deste ano, em relação à safra 2021/22. A avaliação já leva em conta a queda de produtividade pela seca no milho gaúcho, compensada pelo desempenho das lavouras no Centro-Oeste
“O início da colheita de milho e soja no estado gaúcho confirmam as previsões de queda de produtividade acentuada devido às baixas precipitações ocorridas durante o ciclo da cultura no estado. Por outro lado, o desempenho das lavouras no Centro-Oeste foi beneficiado pelo clima”, destacou o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, no último comunicado da Companhia, destacando a produtividade acima da média na soja do Mato Grosso e com a oleaginosa devendo atingir 159,2 milhões de toneladas em todo o País – com plantio finalizado e colheita iniciando (com atraso) em algumas regiões.
No Rio Grande do Sul, o setor aeroagrícola marcou presença, em fevereiro, na a 33ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas. Celebrando também a parceria no programa Duas Safras, da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) – cujo seminário foi um dos pontos altos da programação em Capão do Leão. Lançado em abril de 2022, o Duas Safras congrega diversas entidades com o objetivo de meta ampliar em 40% a produção agropecuária gaúcha. A ideia é revezar o plantio de arroz irrigado (cultura da qual o Estado é fornecedor de 70% do produto brasileiro) com cereais de inverno, além da produção também de soja e milho e da integração lavoura/pecuária em áreas de várzea. Gerando não só maior oferta de grãos, mas favorecendo também a cadeia da proteína animal.