Boletim Informativo Especial – Dólar, Petróleo e INPC

Dólar

A moeda norte americana vem apresentando quedas consecutivas, desde 23 de março até o período vigente, com pequenos intervalos de estabilidade. No dia 13 de abril, estas reduções chegaram a atingir -1,29%, ficando com R$ 4,94 para a compra. E no dia 14 de abril, o dólar voltou a recuar na manhã desta sexta-feira, cerca -0,37%, às 09h30, chegando a atingir cotação de R$ 4,91.

Com as eventuais notícias de que tanto o Banco Central do Brasil (Bacen) quanto o Federal Reserve Board (Fed, Banco Central dos Estado Unidos), comecem a dar iniciativas para as reduções na taxa de juros, levou investidores a migrarem dos títulos públicos, atrelados nestes juros, para aplicações em renda variáveis. No cenário doméstico, aguardam-se as decisões posteriori sobre as medidas que serão tomadas pelo governo sobre as políticas fiscais, no qual também poderá afetar o câmbio ao longo do dia.

Conforme o último relatório da Focus – Relatório de Mercado, publicado pelo Bacen no dia 6 de abril, as estimativas apontam um câmbio de 5,25. Agora com os novos dados em circulação e impactando o mercado e a variação cambial, é estimado que as projeções se alterem, caso se consolidem as informações de reduções nos juros do Brasil e Estados Unidos, assim também como acordos com a China sobre negociações de comércio e uma possível substituição do dólar nas transações comerciais.

Inflação Americana (CPI)

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos apontou um indicador de 0.1% em março, gerando 5,0% no acumulado de 12 meses. Desta vez, o índice de habitação (“Shelter”) foi o que mais contribuiu, registrando um avanço de 0,6% frente a fevereiro e 8,2% ante março de 2022.

A inflação nos Estados Unidos ainda continua acima da meta estipulada pelo Fed, 2% ao ano, o que considera continuar impactando levemente o crescimento econômico para trazer este indicador, no qual se encontra em 5,00% ao ano, para este patamar de 2%. É provável que o Fed faça um leve ajuste de 0,25 nos juros, para garantir que o retrocesso inflacionário no País continue declinando para que no longo prazo as reduções nos juros se consolidem, como estima o mercado para os juros americanos, olhando para o futuro.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) previstos para maio constaram no dia 14 de abril, às 13h23, uma variação de 0,11%, com preço de US$ 82,25, esses valores chegaram a oscilar entre, ainda hoje, US$ 81,79 a US$ 83,12. O Brent também teve aumentos, com variação diária de US$ 85,56 a US$ 87,47, com valor às 13:28 o dia 14 de abril, de US$ 86,23 e oscilação de 0,16%, para entrega de junho. Os motivos desses aumentos seriam de cortes na produção do petróleo, impostas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), para os próximos meses, levando na redução de oferta.

Com sinais de estabilidade pela demanda doméstica e dos últimos dados da Energy Information Administration (EIA) sobre os estoques de diesel e óleo de aquecimento terem caído em mais de 0,606 milhões de barris no fechamento da semana em 7 de abril, os futuros do Heating Oil chegaram a ser negociados em torno de US$ 2,67/Galão. A linha de tendência vem apontando queda desde 20 de junho 2022, no qual se encontrava no valor de 4,44 USD/GAL, uma queda de 40%, quando comparado ao período vigente, 2,66 USD/GAL.

As previsões indicam que até o final deste trimestre o Heating Oil seja vendido ao preço de 2,88 USD/GAL, segundo modelos macro globais da Trading Economics e analistas.

Etanol

A vendas do etanol hidratado em março atingiram um valor de 2,32 bilhões de litros, uma variação negativa de 10,27% quando comparado nesse mesmo período na safra de 2021/22. Já o do tipo anidro obteve um avanço de 1,40% em março, cerca 924,38 milhões de litros, no mercado doméstico. Semanalmente a média de preços são divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em suas últimas postagens, dia 06 de abril, para o etanol hidratado do Estado de São Paulo, a média de preços foi de R$ 2,80, com variação de 2,51%, o anidro apontou R$ 3,21, com variação de 4,34%.

As perspectivas para preços futuros serão provavelmente impactadas por um aumento de demanda que ocorrerá no feriado do dia 21 de abril, pois maiores circulações de automóveis tendem a crescer nestas datas, contribuindo com isto no alavancamento dos preços.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)

No mês de março o INPC apontou um indicador de 0,64% e 4,29% no acumulado de 12 meses. Desta vez o índice geral e grupos de produtos e serviços que mais se destacou foi o de transportes, com 2,23% na variação mensal da tabela desses grupos. Alimentação e bebida (-0,07%), Habitação (0,54%), Vestuário (0,24%), Saúde e cuidados pessoais (0,72%), despesas pessoais (0,29%), Educação (0,14%) e comunicação (0,44%).

No dia 28 de março foram feitas análises e projeções de inflação para 2023 pelo Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com uma nova variação para este ano, cerca de 5,5% projetado pelo Ipea.

IAVAG dos Últimos 12 meses

mar/223,11%
abr/223,61%
mai/220,63%
jun/220,17%
jul/22-1,47%
ago/22-1,30%
set/221,46%
out/221,50%
nov/220,46%
dez/22-0,24%
jan/23-2,21%
fev/231,29%

 

O IAVAG de fevereiro saiu de uma deflação de -2,21%, referente a janeiro, para um indicador que registrou aumento de 1,29%, gerando um acumulado de 7,01% em 12 meses. Conforme o relatório no Dashboard, o Etanol variou 2,10%, o petróleo Heating Oil caiu -7,70%. O conjunto destes combustíveis resultou em uma queda de -1,75%, um aumento quando comparado a oscilação de janeiro, -6,05%. Já a inflação de fevereiro, o INPC, voltou a subir, com 0,77% no período, dólar também acusou diferencial positivo ante a janeiro, 0,02% e a CPI dos Estado Unidos registrou um percentual de 0,4%.

Caso essas quedas no câmbio se perpetuem para os próximos meses, é provável que o IAVAG volte a registrar indicadores mensais de deflação, combinado com uma série de fatores que envolvem também a inflação, mercados futuros de commodities e combustíveis.

Fontes

G1, BCB, INFOMONEY, INVESTING, TERRA, TRADINGECONOMICS, CEPEA, REVISTARPANEWS, IBGE, IPEA

Claudio Junior Oliveira, Msc Economista e Diretor Operacional SINDAG

 

Resp. Técnico: CORECONRS 8905

 

Eduardo Tenório – Economista e Assistente de Política e Economia