O tema apareceu no Editorial de O Globo no e em reportagem no jornal Estadão a partir de falas de dirigentes do Consórcio Amazônia Legal e do Ministério do Meio Ambiente
A atuação da aviação agrícola contra o fogo refletiu nesta semana, em citações de autoridades do Consórcio Amazônia Legal (CAL) e do Ministério do Meio Ambiente em matérias a imprensa brasileira sobre incêndios florestais no País. A primeira delas foi o secretário executivo do Consórcio Amazônia Legal (CAL), Marcello Brito, citado no editorial do jornal O Globo do último domingo (30). Ele destacou o exemplo das brigadas aéreas de combate a incêndios de Goiás, onde as empresas aeroagrícolas mantém equipes de plantão em parceria com produtores – proporcionando atendimento rápido logo que um foco de chamas é localizado.
“Enquanto o poder público se move com lentidão, os produtores rurais se organizam”, sublinha Britto. Formado pelos nove Estados da Amazônia Legal (AC, AP, AM, MT, MA, PA, RO, RR e TO), há quatro anos o CAL apresentou ao Banco Mundial um projeto de R$ 250 milhões para estruturar o combate a incêndios, mas que “continua em alguma gaveta do Bird em Washington”, assinala o editorial.
O texto de O Globo menciona dados do MapBiomas para lembrar que o País vem perdendo superfície inundada e que a década passada teve oito dos 10 anos mais secos da história no Brasil. O que tem acentuado também a incidência de incêndios, que em 2024 queimaram 30,8 milhões de hectares, mais que a área da Itália – com Amazônia sendo o bioma mais afetado (com 58% da área queimada no País.
ORÇAMENTO
O assunto incêndios florestais repercutiu também no Estadão, onde o secretário Antidesmate do Ministério do Meio Ambiente, André Lima argumentou que adquirir helicópteros para combater incêndios é inviável para o orçamento da pasta, devido a custos de manutenção.
Mesmo assim , ele disse que o governo federal prevê neste ano 15 helicópteros, 10 aeronaves “de lançar água”, dois aviões de transporte, quase 200 veículos especializados, 340 caminhonetes operacionais e 50 embarcações.
Mas enfatiza ser necessário que Estados e entes privados também se equipem, “adaptando” (na verdade, utilizando) aeronaves usadas pelo agronegócio na pulverização aérea. A forma como Lima se refere, na matéria do jornal, à utilização da aviação agrícola contra as chamas reflete a falta de familiaridade do secretário sobre o uso e a eficiência (além do histórico) da ferramenta. Mas já é alguma coisa o indicativo de que percebeu que a ferramenta está à disposição.
Aliás, desde os anos 1990 o setor aeroagrícola combate anualmente incêndios no País. E desde a década de 1960 esse tipo de operação está entre suas prerrogativas legais. Lembrando que no ano passado a aviação agrícola brasileira lançou nada menos do que 40,1 milhões de litros de água contra as chamas em operações em 11 Estados. Onde 118 aviões de empresas aeroagrícolas somaram 10,7 mil horas de voo na proteção de biomas e lavouras. Revezando 171 pilotos e contando com mais de 140 profissionais de suporte em solo.
Uma força que, sem dúvida, seria muito cara para o Estado brasileiro manter o ano todo apenas para atuar na temporada (caso não pudesse contar com a estrutura do setor privado). Ao mesmo tempo, um case digno de ser apresentado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) que vai ocorrer de 10 a 21 de novembro, em Belém do Pará.

EXPERTISE: no ano passado, aviões agrícolas lançaram mais de 40 milhões de litros de água contra incêndios em 11 Estados – foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress