Aviação agrícola contra o fogo no Amazonas

Jusarah Aeroagrícola integra força-tarefa estadual onde atuação do setor complementa aeronaves de maior porte e reforça o apoio aos brigadistas em solo

A empresa Jusarah Aeroagrícola, de Rondônia, integra desde 3 de outubro a força-tarefa de combate aos incêndios florestais no Amazonas. Contratada pela Defesa Civil estadual, a associada do Sindag opera um Thrush S2R-510, com capacidade para cerca de 2 mil litros de água por lançamento.

As primeiras missões ocorreram na região de Parintins. Depois, a aeronave prestou apoio em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, e seguiu para Itacoatiara, onde um incêndio havia atingido aproximadamente 1,1 mil hectares e já ultrapassava 17 dias. O roteiro incluiu ainda o combate às chamas na área do Distrito Industrial da capital amazonense.

A operação se soma à mobilização de aviões agrícolas contratados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de dois KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), que também lançam água contra as chamas – com capacidade para até 12 mil litros por vez. Uma combinação de recursos para enfrentar incêndios em áreas extensas, com dificuldades de acesso e necessidade de apoio às equipes em solo.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação no Estado, segundo o Instituto Espacial de Pesquisas Espaciais (Inpe) o Amazonas registrava nesta segunda-feira (dia 12) 331 incêndios ativos, abrangendo uma área estimada em 619,3 mil hectares. O maior deles estava em Manacapuru, com duração de 85 dias e área estimada em 26,9 mil hectares.

COMPLEMENTARIEDADE

Os aviões agrícolas que operam no Amazonas têm capacidade para transportar entre 2 mil e 3 mil litros de água por vez. Sua contribuição à força-tarefa está também na possibilidade de operar em pistas menores e utilizar bases mais próximas dos incêndios.

Conforme as condições da operação, essa proximidade pode reduzir o intervalo entre os lançamentos e facilitar ataques sucessivos às chamas. Assim, as aeronaves agrícolas complementam o trabalho dos KC-390, ampliando as alternativas disponíveis para conter o avanço do fogo e apoiar os brigadistas.

Uma prova do valor dos “pequenos”, aliás, também vem da Jusarah. Na temporada de incêndios de 2024, só a aeroagrícola rondonense lançou mais de 4 milhões de litros de água contra as chamas em seu Estado. Foi o primeiro ano em que o governo estadual apostou na ferramenta aérea tanto para apoiar os brigadistas quanto para combater o fogo em pontos de difícil acesso na floresta.

Naquele ano, segundo levantamento do Sindag sobre as operações em todo o país, a aviação agrícola brasileira lançou pelo menos 40,1 milhões de litros de água contra o fogo em 11 Estados. O trabalho envolveu 118 aviões de 22 empresas aeroagrícolas e mobilizou 171 pilotos e 140 profissionais de suporte em solo. Foram 10,7 mil horas de voo e mais de 16,6 mil lançamentos de água na proteção de biomas e lavouras, contribuindo também para a segurança das equipes terrestres.

 Experiência internacional

A importância dos aviões agrícolas, que internacionalmente entram na categoria Single-Engine Air Tankers (SEAT), também fica clara na de outros países. Como mostra uma reportagem na edição deste mês da revista especializada norte-americana Aerial Fire – repercutida na edição em português em sua coirmã do setor agrícola AgAir Update. A matéria mostra como a França ampliou o emprego dessas aeronaves após os desafios enfrentados na temporada de incêndios de 2022.

O país já contava com uma frota de grandes aeronaves de combate ao fogo, incluindo modelos anfíbios, mas identificou a necessidade de complementar sua estrutura com aviões agrícolas. Entre as vantagens estava a possibilidade de operar em aeródromos menores e mais próximos das áreas atingidas, favorecendo a resposta às chamas e o apoio às equipes em solo.

Daí o governo francês recorreu, já no ano passado, a duas empresas australianas que operam modelos agrícolas para o combate  às chamas: a XO Aviation e a Aerotech Group. Aderindo a uma tendência que já fez também os pilotos brasileiros serem despertado interesse no exterior. Tanto que em 2024 profissionais daqui foram convidados a integrar uma equipe de profissionais que combatiam incêndios na Argélia.

SUPORTE AÉREO: Associada do Sindag opera um Thrush S2R-510, com capacidade para cerca de 2 mil litros de água por lançamento para proteger brigadistas e ajudar a salvar a floresta – foto: Jusarah/divulgação