Boletim Econômico | Anúncio de Trump sobre novas tarifas eleva tensões globais e acende alerta para os custos da aviação agrícola

Possíveis retaliações comerciais e nova guerra tarifária podem afetar commodities, câmbio e insumos importados no setor aéreo agrícola

 

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio: ↓ R$ 5,70 | Estimativa/2025

CPI (Inflação EUA): ↑ 0,1% | maio/2025

Juros EUA (Fed): = 4,25% – 4,50% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↓ -0,5% | 1º trimestre – Terceira estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,1% | junho/2025

SELIC: = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑ 2,9% | 1º trimestre/2025

Petróleo Brent: ↑ 1,67% – US$ 69,34 | 07/07/2025

Petróleo WTI: ↑ 1,95% – US$ 67,60 | 07/07/2025

Heating oil: ↓ -0,24 % – US$ 2,40 | 07/07/2025

Etanol anidro: ↑ 0,11% – R$ 2,9996/Litro | Média Semanal – SP – 04/07/2025

INPC (maio/2025): ↑ 0,35% (acumulado 12 meses: 5,20%)

IAVAG maio: ↓ -0,35%

IAVAG em 12 meses: ↑ 7,75%

 

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar encerrou junho (30/06) cotado a R$ 5,4565, com leve queda de 0,27%, refletindo a desvalorização do dólar em nível global. Nesta segunda (07/07), a moeda voltou a subir, sendo negociada a R$ 5,4548 pela manhã, após o anuncio do presidente Donald Trump de impor uma taxa adicional de 10% a qualquer nação ligada a políticas antiamericanas do Brics.

A estimativa do Boletim Focus para o fim de 2025 mantém em R$ 5,70. Essa valorização do real tende a reduzir o custo de insumos importados utilizados na aviação agrícola.

 

Inflação EUA (CPI)

O CPI de maio nos EUA subiu 0,1%, com alta de 2,4% em 12 meses. O aumento foi impulsionado por moradia (+0,3%) e alimentos (+0,3% no mês), enquanto energia caiu -1,0% devido à queda de -2,6% nos preços da gasolina. O núcleo da inflação segue acima da meta de 2%, sustentando a expectativa de manutenção da taxa de juros. A inflação controlada nos EUA reduz riscos de aperto monetário global, favorecendo o real e o cenário para commodities.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) manteve, na sua última reunião, a taxa de juros básica dos EUA entre 4,25% e 4,50% ao ano, conforme amplamente esperado pelos mercados. A autoridade monetária reforçou que continuará adotando uma postura cautelosa, avaliando a trajetória da inflação e do mercado de trabalho antes de qualquer corte.

O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent disse na terça feira (01/07) que acredita que o Federal Reserve poderia reduzir as taxas de juros até setembro, o Presidente Jerome Powell se pronunciou também no mesmo dia, disse que os formuladores da política monetária teriam flexibilizado os juros, se não fosse pelo plano tarifário de Trump.

A primeira redução de juros deve ocorrer no último trimestre de 2025, se a inflação continuar convergindo para a meta. Para 2026, o consenso é de que a taxa de juros deve cair para em torno de 3,50 a. a., com nova redução esperada em 2027 de 3,25% a. a., conforme os modelos da Trading Economics. Esse cenário contribui para estabilidade cambial e menor pressão sobre preços de commodities e combustíveis.

 

PIB EUA

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA), divulgada em 26 de junho de 2025, mostra que o PIB real dos EUA caiu a uma taxa anualizada de 0,5 % no primeiro trimestre de 2025. Esse número revisa para baixo a segunda estimativa, que apontava uma contração de 0,2 %, surpreendendo analistas que não esperavam alteração.

A retração de 0,5% no 1º trimestre marca o primeiro recuo desde 2022. Com menor consumo, queda no investimento público e aumento das importações (resultado da tentativa de empresas de antecipar compras e evitar custos adicionais das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump), os EUA sinalizam desaceleração. Apesar disso, espera-se recuperação no 2º trimestre (+3%). Uma economia americana mais fraca pode conter preços de combustíveis, impactando os custos da aviação agrícola de forma indireta.

 

Desemprego EUA

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA divulgou na quinta-feira, 3 de julho de 2025, que a taxa de desemprego teve um leve recuou de 4,2% para 4,1% em junho de 2025, sinalizando uma leve melhora no mercado de trabalho, após três meses de estabilidade.

A leve queda no desemprego reforça a resiliência da economia americana, mas ainda mantém pressões sobre os juros e a inflação. Para a aviação agrícola brasileira, esse quadro exige monitoramento cuidadoso, já que qualquer alteração no apetite global por risco ou nas taxas americanas pode impactar o câmbio e, por consequência, o custo dos insumos importados.

 

SELIC – Brasil

A taxa foi elevada para 15% a.a., maior nível desde 2006. A decisão visa controlar a inflação doméstica, mas afeta o crédito e o investimento. Juros altos também contribuem para valorização do real, com efeitos de redução de custos para setores que dependem de importações, como o aéreo agrícola.

 

PIB Brasil

No 1º trimestre, o PIB brasileiro cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior e 2,9% na base anual, de acordo com o IBGE. O destaque foi a Agropecuária (12,2%), também houve alta nos Serviços (0,3%) enquanto a Indústria (-0,1%) não mostrou variação significativa. Já o PIB do agronegócio como um todo avançou 6,49% no trimestre, segundo Cepea/CNA. O desempenho do agronegócio é positivo para a demanda de serviços de aviação agrícola, embora a pressão de custos limite a expansão de margens de lucro.

A previsão oficial do governo ajustou o crescimento do PIB para 2,4% em 2025 de 2,3% anteriormente. O Banco Central também revisou o crescimento de 2,21% para 2,23% em 2025.

 

Desemprego – Brasil

A taxa ficou em 7,0%, refletindo leve recuperação. A informalidade ainda é alta, e o emprego industrial segue enfraquecido. Esse cenário influencia diretamente a inflação de serviços e mão de obra, componentes importantes do IAVAG.

 

Heating Oil

O heating oil teve uma leve queda nesta segunda feira 07/07/2025, com o preço em 2,40 USD/Galão, uma diminuição de 0,24% em relação ao dia anterior, segundo dados da Trading Economics. A volatilidade reflete incertezas no Oriente Médio. Para o setor aéreo agrícola, isso representa risco contínuo nos custos de operação.

 

Etanol Anidro

A alta semanal de 2,99% (SP – CEPEA) reflete menor produção e aumento na mistura obrigatória. O etanol é um dos principais insumos energéticos para o setor, e a tendência de alta pressiona os custos, especialmente no segundo semestre, de maior atividade agrícola.

 

INPC

Com alta de 0,35% em maio, o INPC acumula 5,20% em 12 meses. A desaceleração mensal indica perda de força da inflação, mas o acumulado ainda é significativo. Esse índice impacta diretamente os contratos e os custos com mão de obra e serviços do setor.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses

jun/243,33%
jul/242,12%
ago/24-0,84%
set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70
abri/25↓-0,86
maio/25↓-0,35
Total7,75%

 

 

Comentário Final sobre o IAVAG

O IAVAG registrou queda de 0,35% em maio, completando três meses consecutivos de recuo, o que representa um alívio nos custos da aviação agrícola. Apesar dessa desaceleração, o índice ainda acumula alta expressiva de 7,75% nos últimos 12 meses, revelando que os custos operacionais continuam elevados.

A queda no índice foi favorecida por fatores como a leve retração nos preços do heating oil e a queda nos preços do etanol, consequência do aumento na oferta devido ao início da colheita de cana-de-açúcar.

Para o segundo semestre de 2025, o setor deve manter cautela. A volatilidade cambial, riscos geopolíticos e possíveis reajustes de combustíveis e serviços exigem planejamento financeiro cuidadoso. Monitorar os custos e revisar contratos indexados ao IAVAG torna-se essencial para preservar a rentabilidade das operações.

 

Fontes: Fontes: BCB, IBGE, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, BRINVESTING, REUTERS, BARRON’S, WSJ, CNN BRASIL.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia