Boletim Econômico | Choque do heating oil interrompe ciclo de queda e eleva IAVAG em 1,14%

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG.

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):R$ 5,152| PTAX de 24/08
Inflação EUA (CPI):0,1% no mês | julho/2026
Juros EUA (Fed):3,50% – 3,75% | FOMC – julho/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – estimativa preliminar
Desemprego EUA:4,1% | julho/2026
Selic (Brasil):↓ 14,00% | Copom – agosto/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI:3,23% – US$ 82,27 | cotação intradiária de 25/08/2026
Petróleo Brent: 4,00% – US$ 88,49 | cotação intradiária de 25/08/2026
Heating Oil:↓0,84% – US$ 4,23/galão | cotação intradiária de 25/08/2026
Etanol anidro (SP):↑ 5,05% – R$ 2,5546/litro | média semanal encerrada em 21/08/2026
INPC julho/2026:-0,01%
INPC dos últimos 12 meses:4,10%
IAVAG – julho/2026:1,14%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,39%

Destaque da semana

O IAVAG registrou alta de 1,14% em julho, interrompendo três meses consecutivos de queda. O avanço foi determinado principalmente pela forte valorização do heating oil, enquanto as quedas do dólar, do etanol e do INPC ajudaram a limitar a pressão sobre o índice.

Com o resultado, o IAVAG passou a acumular alta de 3,09% em 2026 e de 3,39% nos últimos 12 meses. Os movimentos observados em agosto, especialmente a correção dos preços da energia e a recuperação do etanol, passam agora a orientar as perspectivas para a próxima apuração.

Análise dos principais indicadores

Câmbio | Dólar permanece próximo de R$ 5,15

Depois de contribuir para conter o IAVAG em julho, o dólar voltou a operar em patamar mais elevado em agosto. Em 24 de agosto, a PTAX encerrou cotada a R$ 5,1512, enquanto, na manhã de 25 de agosto, o dólar comercial permanecia praticamente estável, negociado em torno de R$ 5,152.

Em comparação com o valor de R$ 5,0767 utilizado no fechamento do IAVAG de julho, a cotação atual representa alta aproximada de 1,5%. Esse movimento ainda não integra o resultado divulgado, mas indica que o câmbio poderá exercer maior pressão na próxima apuração.

A elevada taxa de juros brasileira e o fluxo comercial positivo ajudam a sustentar o real. Em sentido contrário, as incertezas fiscais, eleitorais e geopolíticas mantêm o mercado cambial sensível a mudanças no cenário doméstico e internacional.

Heating oil e petróleo | Preços recuam com possibilidade de acordo entre EUA e Irã

Após a forte valorização registrada durante julho, o mercado de energia iniciou esta semana em trajetória de correção. Na manhã de 25 de agosto, o heating oil era negociado próximo de US$ 4,23 por galão, com queda intradiária de 0,84%.

No mesmo período, o WTI recuava 3,23%, cotado a US$ 82,27 por barril, enquanto o Brent apresentava queda de 4,00%, negociado a US$ 88,49 por barril.

O movimento refletiu a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, incluindo a possibilidade de flexibilização das sanções econômicas e de reabertura do Estreito de Ormuz. Uma normalização da circulação pela região poderá ampliar a oferta internacional e reduzir o prêmio de risco incorporado aos preços.

A correção representa um sinal favorável para a próxima apuração do IAVAG. Entretanto, o mercado permanece vulnerável às negociações diplomáticas, aos níveis dos estoques e às condições de circulação pelas principais rotas de transporte de petróleo e derivados.

Etanol | Anidro e hidratado voltam a subir em agosto

Os indicadores do etanol passaram a apontar recuperação em agosto. Entre 17 e 21 de agosto, o Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ – São Paulo alcançou R$ 2,5546 por litro, com alta de 5,05% em relação à semana anterior.

Embora não componha diretamente o cálculo do IAVAG, o anidro é utilizado como referência para compreender a formação dos preços e antecipar possíveis movimentos dos demais tipos de etanol.

No mesmo período, o Indicador Semanal do Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ – São Paulo, componente utilizado no cálculo do IAVAG, atingiu R$ 2,2348 por litro, com avanço semanal de 5,48%.

A elevação simultânea dos dois indicadores sinaliza uma reversão do movimento de queda observado em julho. Caso essa trajetória seja mantida até o encerramento da próxima apuração, o etanol hidratado poderá deixar de atuar como fator de alívio e voltar a exercer pressão sobre o IAVAG.

Inflação e juros no Brasil | Preços desaceleram, mas expectativas exigem atenção

O IPCA avançou apenas 0,07% em julho e acumula 4,44% nos últimos 12 meses. O INPC, componente do IAVAG, recuou 0,01%, após subir 0,14% em junho. No ano, o indicador acumula alta de 3,50%.

Apesar da inflação mensal moderada, o Relatório Focus de 24 de agosto manteve a projeção do IPCA de 2026 em 5,02%, acima do limite superior da meta. A expectativa para a Selic ao final do ano permaneceu em 13,75%, indicando espaço limitado para novos cortes no curto prazo.

Para o IAVAG, a desaceleração do INPC reduz a pressão dos custos domésticos. Entretanto, seus efeitos podem ser superados por choques internacionais de energia e câmbio, como ocorreu em julho.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

Os indicadores econômicos apresentam sinais mistos. Enquanto alguns setores mostram perda de ritmo, o mercado de trabalho continua relativamente aquecido.

A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, abaixo dos 6,1% observados no primeiro trimestre de 2026. O resultado mantém o desemprego em patamar historicamente baixo e indica resiliência do mercado de trabalho.

Por outro lado, o mercado financeiro revisou nesta semana a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 1,98% para 1,95%, segundo o Focus. Embora o ajuste seja pequeno, ele reforça a expectativa de desaceleração gradual da atividade econômica diante dos efeitos acumulados do período prolongado de juros elevados.

A redução gradual da Selic tende a aliviar as condições financeiras nos próximos meses, podendo contribuir para a recuperação do consumo e dos investimentos. Contudo, os efeitos da política monetária sobre a atividade ocorrem com defasagem.

Estados Unidos | Inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho

O CPI dos Estados Unidos avançou 0,1% em julho, após recuar 0,4% em junho. Em 12 meses, a inflação acumulou 3,4%, enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego recuou para 4,1% em julho, mas os dados de geração de vagas apontaram enfraquecimento do emprego. A combinação entre inflação ainda acima da meta e menor dinamismo do mercado de trabalho amplia as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

As decisões do banco central norte-americano influenciam o dólar, os fluxos de capitais e os preços das commodities, transmitindo seus efeitos ao IAVAG por meio dos componentes internacionais.

Impactos para o próximo resultado do IAVAG

Os indicadores mais recentes apontam um cenário misto para o próximo resultado do IAVAG.

De um lado, a queda do petróleo e do heating oil poderá contribuir para reduzir o índice, caso seja mantida até o encerramento do período de apuração. De outro, o dólar voltou a operar acima do valor de julho e o etanol já acumula recuperação em agosto.

A leitura prospectiva mostra uma mudança em relação a julho. Naquele mês, a pressão ficou concentrada no heating oil e foi parcialmente compensada pelo dólar e pelo etanol. Em agosto, a energia apresenta sinais de correção, mas o câmbio e o etanol passaram a se movimentar em direção menos favorável.

Assim, embora a queda recente dos derivados de petróleo represente um fator positivo, ainda é cedo para confirmar uma reversão do IAVAG. A intensidade e a duração desses movimentos serão determinantes para o próximo resultado.

IAVAG nos últimos 12 meses

ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
Acumulado em 12 meses:+3,39%

IAVAG — resultado de julho de 2026

Após recuar em abril, maio e junho, o IAVAG voltou ao campo positivo em julho, registrando alta de 1,14%. O resultado, entretanto, não refletiu uma elevação generalizada dos custos. A pressão ficou concentrada no mercado internacional de energia, enquanto os demais componentes contribuíram para conter o índice.

O principal vetor de alta foi o heating oil, que avançou 26,83%, passando de uma média de US$ 3,2291 para US$ 4,0955 por galão. O movimento ocorreu em um ambiente de intensificação dos riscos geopolíticos e de preocupação com o transporte internacional de petróleo e derivados.

Durante julho, o Brent saiu de valores próximos de US$ 69 por barril no início do mês e chegou a alcançar US$ 105 em 23 de julho. A valorização foi influenciada pelos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e pelas ameaças às rotas alternativas utilizadas para o transporte de petróleo.

Em sentido contrário, o dólar recuou 1,92%, de R$ 5,1760 para R$ 5,0767, reduzindo o custo, em reais, dos componentes cotados no mercado internacional. O etanol hidratado também exerceu efeito de alívio, com queda de 7,39%, de R$ 2,3041 para R$ 2,1337 por litro.

Entre os componentes inflacionários, o CPI dos Estados Unidos avançou apenas 0,1%, enquanto o INPC brasileiro recuou 0,01%, indicando baixa pressão dos índices de preços no período.

Nos últimos 12 meses, o IAVAG apresentou cinco resultados positivos e sete negativos. Mesmo com maior número de meses de queda, o índice acumula alta de 3,39%, mostrando que a intensidade das elevações superou o alívio proporcionado pelos períodos de recuo.

A maior alta ocorreu em março de 2026, quando o índice avançou 7,96%. No mês seguinte, houve queda de 3,98%, seguida por novos recuos em maio e junho. A alta de julho, portanto, interrompeu o movimento de redução observado durante o segundo trimestre.

Apesar do avanço mensal, o acumulado em 12 meses diminuiu de 3,74% em junho para 3,39% em julho. Isso ocorreu porque a alta de 1,14% registrada em julho de 2026 substituiu, na janela de comparação, o avanço maior de 1,48% observado em julho de 2025. Trata-se de um efeito de base: o índice subiu no mês, mas desacelerou na comparação acumulada.

Comentário final

O resultado de julho mostra que o período de alívio observado entre abril e junho não eliminou os riscos sobre os custos da aviação agrícola. A alta concentrada no heating oil reforça a vulnerabilidade do setor a choques externos e à geopolítica energética.

Para as empresas aeroagrícolas, esse cenário aumenta a importância do acompanhamento contínuo dos custos, da proteção das margens operacionais e da utilização do IAVAG como referência para a atualização de contratos. A dificuldade de repasse imediato torna essencial considerar o intervalo entre o aumento dos insumos e sua incorporação aos preços dos serviços.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Click petróleo e gás.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia