Boletim Econômico | Energia mantém pressão sobre o setor, enquanto dólar e etanol aliviam custos e Focus eleva inflação esperada

Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,20 | estimativa para 2026

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,9% no mês | março/2026

Juros EUA (Fed): = 3,50% – 3,75% | FOMC – Abril/2026

PIB EUA: ↑ 2,0% | 1º trimestre/2026 – Estimativa preliminar

Desemprego EUA: = 4,3% | Abril/2026

Selic (Brasil): ↓ 14,50% | Copom – abril/2026

PIB Brasil: ↑ 1,8% | 4º trimestre/2025

PIB Brasil: ↑ 2,3% | acumulado de 2025

Petróleo WTI: ↑ 2,86% – US$ 98,15 | 11/05/2026

Petróleo Brent: ↑ 3,30% – US$ 104,00 | 11/05/2026

Heating Oil: ↑ 2,46% – US$ 3,98/galão | 11/05/2026

Etanol anidro (SP): ↓ -3,49% – R$ 2,6015/litro | média semanal encerrada em 08/05/2026

INPC março/2026: ↑ 0,91%

INPC dos últimos 12 meses: ↑ 3,77%

IAVAG – março/2026: ↑ 7,96%

IAVAG – últimos 12 meses: ↑ 7,03%

Destaques da semana

A semana começa com o mercado atento a três pontos principais: a nova alta do petróleo, o avanço das expectativas de inflação no Brasil e a manutenção de um câmbio mais favorável. O conflito no Oriente Médio voltou a ganhar peso nas cotações internacionais de energia, especialmente após a rejeição de uma proposta envolvendo o Irã, o que reacendeu preocupações sobre a segurança do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Por volta das 14h10 desta segunda-feira, o Brent avançava para cerca de US$ 104 por barril, enquanto o WTI subia para aproximadamente US$ 99 por barril.

No Brasil, o Boletim Focus voltou a elevar a projeção para o IPCA de 2026, de 4,89% para 4,91%, na nona alta consecutiva. A estimativa já supera o teto da meta de inflação, de 4,5%, reforçando a preocupação do mercado com os efeitos da alta dos combustíveis, alimentos e custos logísticos.

Ao mesmo tempo, o câmbio segue como ponto de alívio. O dólar opera próximo de R$ 4,89, abaixo da projeção do Focus para o fim de 2026, que foi reduzida para R$ 5,20. Esse movimento ajuda a conter parte dos custos dolarizados da aviação agrícola, como peças, manutenção, aeronaves, seguros, componentes importados e combustíveis com referência internacional.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

O câmbio segue como fator de alívio para o setor aeroagrícola nesta semana. O dólar permanece próximo de R$ 4,89, ajudando a reduzir parte da pressão sobre custos dolarizados, como combustíveis, peças, manutenção, aeronaves, seguros e componentes importados.

O Boletim Focus divulgado em 11 de maio também reforçou essa leitura mais favorável, ao reduzir a projeção do dólar para o fim de 2026, de R$ 5,25 para R$ 5,20. A revisão indica uma expectativa menos pressionada para o câmbio, embora o cenário externo ainda exija cautela diante da alta do petróleo, das tensões geopolíticas e dos juros nos Estados Unidos.

O câmbio segue como fator de alívio parcial, reduzindo parte da pressão sobre custos dolarizados, embora esse efeito possa ser limitado pela alta da energia internacional.

Heating oil e petróleo

O mercado de energia voltou a ser o principal ponto de atenção da semana. O petróleo Brent superou a faixa de US$ 100 por barril, pressionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelas incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. O WTI também avançou, aproximando-se da faixa de US$ 99 por barril.

O heating oil também permanece em patamar elevado, sendo negociado próximo de US$ 3,98 por galão em 11 de maio. Esse movimento merece atenção especial porque o heating oil foi o principal vetor de pressão no resultado oficial do IAVAG de março, quando registrou alta de 58,46%, contribuindo diretamente para o avanço de 7,96% do índice no mês.

Dessa forma, a permanência da energia em níveis elevados mantém o risco de novas pressões sobre os custos da aviação agrícola, especialmente em combustíveis, fretes, logística, insumos e demais despesas operacionais.

Aenergia segue como o principal fator de risco para o índice. Mesmo com o alívio do dólar e do etanol anidro, a alta do petróleo e do heating oil pode limitar esse efeito positivo e manter o IAVAG sensível ao cenário internacional.

Etanol anidro

No mercado interno, o etanol anidro segue trazendo alívio. O Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ para São Paulo ficou em R$ 2,6015 por litro na semana de 04 a 08 de maio, com queda de 3,49% frente à semana anterior.

Esse movimento é positivo para o setor, pois o recuo do etanol ajuda a compensar parte da pressão observada nos derivados internacionais de energia. No entanto, esse alívio pode ser limitado caso o petróleo e o heating oil continuem em alta nas próximas semanas.

O etanol anidro atua como fator de alívio no curto prazo, ajudando a compensar parcialmente a pressão vinda do petróleo e do heating oil.

Inflação e juros no Brasil

No Brasil, a inflação segue no centro das preocupações. O Boletim Focus elevou novamente a projeção para o IPCA de 2026, de 4,89% para 4,91%, mantendo a expectativa acima do teto da meta. A projeção para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,00% ao ano.

Além disso, a Selic atual foi reduzida para 14,50% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual pelo Copom. Mesmo com a redução, a taxa básica permanece elevada, mantendo o crédito caro e impactando decisões de investimento, financiamento de aeronaves, capital de giro e expansão das empresas.

A prévia da inflação de abril também reforça esse quadro. O IPCA-15 foi de 0,89% em abril, acumulando 2,39% no ano e 4,37% em 12 meses, com destaque para a pressão em Alimentação e Bebidas. O último dado disponível do INPC, referente a março, mostrou alta de 0,91%, acumulando 3,77% em 12 meses, reforçando a pressão dos preços internos sobre os custos operacionais.

Inflação elevada e juros ainda altos mantêm pressão sobre custos operacionais, crédito, financiamento, manutenção, serviços e decisões de investimento.

Inflação e juros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião de abril, reforçando o compromisso de trazer a inflação de volta à meta de 2%.

O último dado disponível do CPI, referente a março, mostrou alta de 0,9% no mês e 3,3% em 12 meses. A energia foi o principal destaque: os preços de energia subiram 10,9% no mês, enquanto a gasolina avançou 21,2%, uma alta expressiva para o período.

O CPI de abril será divulgado em 12 de maio de 2026, e o mercado acompanha o dado com atenção porque ele pode alterar as expectativas para os próximos passos do Fed. Juros elevados nos EUA podem influenciar o dólar, o fluxo de capitais e o preço das commodities. Além disso, a inflação norte-americana pressionada por energia reforça o risco de manutenção dos juros globais em patamar elevado.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

A economia brasileira manteve crescimento no fechamento de 2025. No 4º trimestre de 2025, o PIB avançou 1,8%, enquanto no acumulado do ano a alta foi de 2,3%, segundo o IBGE. O resultado anual foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que cresceu 11,7%, enquanto serviços avançaram 1,8% e a indústria registrou alta de 1,4%.

Para 2026, o Boletim Focus manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,85%, indicando expectativa de desaceleração moderada da atividade econômica. Esse cenário sugere uma economia ainda resiliente, mas com ritmo menor de expansão diante dos juros elevados, da inflação persistente e das incertezas externas.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, avançando 1,0 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em dezembro, quando estava em 5,1%. Apesar da alta na margem, o indicador ainda ficou abaixo dos 7,0% registrados no mesmo período de 2025.

A atividade econômica brasileira segue sustentada pelo bom desempenho da agropecuária, setor diretamente ligado à demanda por serviços aeroagrícolas. No entanto, juros elevados e inflação ainda resistente podem limitar investimentos, crédito e decisões de expansão das empresas.

Atividade econômica e mercado de trabalho nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o PIB cresceu 2,0% em taxa anualizada no primeiro trimestre de 2026, segundo estimativa preliminar do BEA. O crescimento foi sustentado por investimentos, exportações, consumo das famílias e gastos do governo.

O mercado de trabalho norte-americano também segue resiliente. Em abril, foram criadas 115 mil vagas, e a taxa de desemprego permaneceu em 4,3%. Os ganhos ocorreram principalmente em saúde, transporte, armazenagem e varejo.

Uma economia norte-americana ainda resistente reduz a urgência de cortes de juros pelo Fed. Isso pode manter o dólar e os juros globais sensíveis aos dados de inflação e emprego, afetando indiretamente os custos do setor aeroagrícola.

Impactos para o IAVAG

A leitura da semana indica pressão moderada a elevada sobre o IAVAG, com predominância do bloco de energia como principal vetor de risco. A alta do petróleo e a permanência do heating oil em patamar elevado mantêm o índice sensível ao cenário internacional, especialmente diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio e dos riscos associados ao fluxo global de petróleo e derivados.

Por outro lado, o câmbio em patamar mais favorável e a queda do etanol anidro ajudam a suavizar parte da pressão sobre os custos do setor. No entanto, esse alívio ainda é parcial, pois a energia segue influenciando diretamente combustíveis, logística, fretes, insumos e despesas operacionais.

Assim, o comportamento do IAVAG nas próximas semanas dependerá principalmente da combinação entre energia internacional, câmbio e inflação doméstica, com atenção especial à continuidade das pressões sobre petróleo e derivados.

IAVAG nos últimos 12 meses

abr/25↓-0,86%
mai/25↓-0,35%
jun/25↓-0,81%
jul/251,48%
ago/25↓-1,29%
set/25↓-0,68%
out/251,29%
nov/25↓-0,60%
dez/251,58%
jan/26↑0,15%
fev/26↓-0,85%
mar/26↑7,96%
Total:+7,03%

IAVAG – resultado de março/2026

O resultado oficial de março mostrou forte pressão sobre o IAVAG. O índice avançou 7,96% no mês, acumulando alta de 7,25% no primeiro trimestre de 2026 e variação de 7,03% em 12 meses.

O principal fator de pressão foi o bloco de energia, com destaque para o heating oil, que registrou alta expressiva no mês de 58,46%. O movimento refletiu o agravamento das tensões no Oriente Médio e a maior percepção de risco sobre o fornecimento global de petróleo e derivados.

Além da energia, o câmbio, o etanol e os indicadores de inflação também contribuíram para o avanço do índice. Março representou uma mudança importante no ambiente de custos da aviação agrícola, pois os riscos geopolíticos passaram a ter impacto mais direto sobre os componentes acompanhados pelo IAVAG.

Comentário final

O cenário da semana reforça a necessidade de cautela e acompanhamento próximo dos custos pelas empresas de aviação agrícola. Mesmo com sinais de alívio em alguns indicadores, a volatilidade internacional ainda limita a previsibilidade dos preços e pode afetar o planejamento operacional do setor.

Nesse contexto, é importante que as empresas acompanhem a evolução dos combustíveis, revisem contratos, avaliem estratégias de compra e mantenham atenção às decisões de investimento e capital de giro. A combinação entre energia pressionada, juros elevados e inflação ainda resistente exige planejamento financeiro mais cuidadoso para reduzir riscos e preservar a margem operacional.


A seguir, os gráficos consolidam os principais movimentos do índice IAVAG e dos indicadores que o compõem, acompanhados ao longo do boletim. A leitura visual facilita a identificação de tendências, pontos de inflexão e períodos de maior volatilidade, complementando as análises apresentadas ao longo do texto.

Fonte da imagem destacada: Globovision.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

Dieiriane Flores – Assistente de Economia