Boletim Econômico Extra | IAVAG Aponta Deflação no Bimestre com Recuo nos Combustíveis, Etanol e Apreciação do Real

O Índice de Inflação da Aviação Agrícola (IAVAG) nos últimos dois meses de 2025 (março e abril) apresentou um comportamento deflacionário, fechando o mês de março com uma queda de -0,70% e o mês de abril com -0,86%. Esse desempenho contribuiu para aliviar a inflação acumulada em 12 meses, que, até fevereiro, estava em torno de 13,20% e agora caiu quase pela metade, atingindo 7,94%, segundo dados apresentados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG). Ao analisarmos os componentes do índice, observa-se que os principais fatores responsáveis por esse resultado foram a queda nos preços do heating oil e a valorização do real frente ao dólar.

A queda nos preços dos combustíveis, incluindo o óleo de aquecimento, nos meses de março e abril de 2025, foi resultado de uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos que afetaram diretamente a dinâmica da oferta e da demanda global por derivados de petróleo. Um fator importante foi a diminuição natural da demanda por heating oil nesse período, causada pelo fim do inverno no hemisfério norte, além do aumento das temperaturas acima da média esperada, o que colaborou para uma redução ainda maior na demanda. As tensões comerciais, provocadas pelo anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos e pelo crescente temor de uma recessão econômica global, contribuíram para a queda dos preços. A esse cenário somou-se o aumento da oferta de petróleo devido à superprodução por parte de alguns países, o que fez os preços despencarem, atingindo o menor nível em mais de quatro anos — abaixo de US$ 60 por barril, segundo a International Energy Agency (IEA).

O dólar fechou os meses de março e abril de 2025 com o menor valor do ano, chegando a R$ 5,66 no final de abril, de acordo com o Portal de Índices yahii. Essa valorização do real frente ao dólar foi impulsionada, principalmente, pelo aumento da entrada de capital estrangeiro no país e pela desvalorização da moeda norte-americana. Essa queda do dólar contribuiu para a redução nos preços de alguns insumos importados, impactando positivamente o setor.

Em contrapartida, a inflação americana, que até o momento, permanece estável devido ao cenário de guerra comercial, apresentou oscilações nos meses de março e abril. Em março, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) registrou uma leve queda de 0,1%, refletindo uma redução pontual nos preços da energia e de alguns bens duráveis, essa queda colaborou com a deflação no IAVAG. Já em abril, houve uma reversão parcial desse movimento, com o CPI apresentando uma alta de 0,2% no mês, puxada principalmente por aumentos nos setores de habitação e serviços. Segundo as expectativas, esse cenário pode se agravar no longo prazo com o aumento das tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, o que deve elevar os preços de produtos e insumos importados, afetando diretamente o setor de aviação agrícola.

No que diz respeito ao etanol anidro, insumo estratégico para a aviação agrícola, o mercado paulista registrou uma leve queda nos preços durante os meses de março e abril de 2025. Segundo dados do CEPEA/ESALQ, o valor médio semanal do litro do etanol anidro caiu de R$ 3,2491 na primeira semana de março para R$ 3,0914 na última semana de abril. Essa redução foi influenciada principalmente pelo avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, com início oficial em abril, o que aumentou a oferta de etanol no mercado. Além disso, o clima favorável contribuiu para um bom rendimento agrícola, reforçando a disponibilidade do biocombustível nas usinas.

Já o etanol hidratado Outros Fins, insumo importante para o setor de aviação agrícola, observou-se um comportamento de leve queda no final do mês de março, retomando o preço no final do mês de abril na média semanal do estado de São Paulo, segundo os dados do CEPEA/ESALQ. Na última semana do mês de março houve uma queda no preço em relação à última semana do mês de fevereiro de -0,4 pontos percentuais, incentivados pela demanda enfraquecida no período, fato que colaborou com a deflação do índice IAVAG no mês de março. Já em abril tivemos uma valorização no preço de 7,55% em relação ao final de março, que pode ser explicado por uma demanda mais aquecida em abril. Esta valorização no preço do etanol colaborou com a inflação no período. Mesmo tendo esta contribuição com a inflação em abril, a queda nos preços do heating oil e a valorização do real frente ao dólar foram suficientes para segurar a inflação no índice IAVAG.

Diante dos resultados observados, o setor de aviação agrícola atravessa um momento de alívio inflacionário, impulsionado pela combinação entre a valorização do real, a retração nos preços dos combustíveis e a entrada da nova safra de cana. Esses fatores contribuíram para uma redução consistente no IAVAG, favorecendo a redução dos custos operacionais no curto prazo. No entanto, as perspectivas exigem cautela: a instabilidade no cenário internacional, marcada pela guerra comercial e pelo risco de escalada nas tarifas americanas, pode pressionar os preços de insumos importados nos próximos meses. Além disso, o comportamento do câmbio continuará sendo um ponto de atenção, especialmente em um ambiente de incertezas fiscais internas e oscilação dos fluxos de capital. Assim, embora o cenário atual seja positivo, a sustentabilidade dessa tendência dependerá da evolução das condições externas e da política econômica doméstica no segundo semestre de 2025.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia