Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG
Indicadores de Destaque:
| Câmbio (USD/BRL): | R$ 5,1170 | PTAX de 17/07 |
| Inflação EUA (CPI): | ↓ 0,4% no mês | junho/2026 |
| Juros EUA (Fed): | = 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026 |
| PIB EUA: | 2,1% | 1º trimestre/2026 – 3ª estimativa |
| Desemprego EUA: | ↓ 4,2% | junho/2026 |
| Selic (Brasil): | ↓ 14,25% | Copom – junho/2026 |
| PIB Brasil trimestral: | ↑ 1,1% | 1º trimestre/2026 |
| PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: | ↑ 2,0% |
| Petróleo WTI: | ↑ 0,44% – US$ 82,85 | cotação intradiária de 20/07/2026 |
| Petróleo Brent: | ↑ 0,92% – US$ 88,91 | cotação intradiária de 20/07/2026 |
| Heating Oil: | ↑ 1,39% – US$ 4,12/galão | cotação intradiária de 20/07/2026 |
| Etanol anidro (SP): | ↓ 0,98% – R$ 2,4421/litro | média semanal encerrada em 17/07/2026 |
| INPC junho/2026: | 0,14% |
| INPC dos últimos 12 meses: | ↓ 4,33% |
| IAVAG – junho/2026: | -0,21% |
| IAVAG – últimos 12 meses: | +3,74% |
Destaque da semana
O IAVAG recuou 0,21% em junho, completando o terceiro mês consecutivo de queda. O resultado foi favorecido principalmente pelo recuo do heating oil e da inflação dos Estados Unidos, enquanto a valorização do dólar, o avanço do INPC e a alta do etanol limitaram uma redução mais intensa do índice.
A inflação norte-americana caiu 0,4% em junho, influenciada principalmente pela redução dos preços da energia e da gasolina. Entretanto, o cenário energético voltou a se deteriorar em julho: nesta segunda-feira, a intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã e as restrições ao transporte de petróleo pelo Estreito de Hormuz mantiveram as cotações do petróleo e dos derivados sob pressão.
Análise dos principais indicadores
Câmbio
O dólar à vista encerrou a sexta-feira, 17 de julho, cotado a R$ 5,1109, com alta de 0,25% no dia. Apesar da valorização diária, a moeda acumulou variação de apenas 0,06% na semana, indicando relativa estabilidade frente ao real.
Nesta segunda-feira, o dólar iniciou as negociações novamente próximo de R$ 5,11, acompanhando um ambiente externo dividido entre a busca por segurança provocada pelo conflito no Oriente Médio e a redução das expectativas de alta dos juros nos Estados Unidos após a divulgação da inflação.
O Boletim Focus divulgado em 20 de julho manteve a projeção para o câmbio em R$ 5,20 ao final de 2026. Embora a moeda esteja relativamente estável no curto prazo, seu patamar continua relevante para as empresas de aviação agrícola, devido à influência sobre combustíveis, peças, manutenção de aeronaves e demais insumos vinculados ao mercado internacional.
Heating oil e petróleo
O mercado internacional de energia apresentou forte volatilidade nesta segunda-feira, refletindo o equilíbrio entre a intensificação das tensões no Oriente Médio e as novas tentativas de negociação entre Estados Unidos e Irã. Os ataques contra embarcações e instalações de energia mantiveram elevados os riscos de interrupção do fornecimento, enquanto a possibilidade de uma trégua temporária reduziu parte dos ganhos registrados no início do pregão.
Na cotação consultada na Trading Economics, o petróleo Brent avançava 0,92%, para US$ 88,91 por barril, enquanto o WTI apresentava alta de 0,44%, para US$ 82,85 por barril. As duas referências permaneceram próximas das maiores cotações em cinco semanas, mesmo após recuarem das máximas alcançadas durante a sessão.
O heating oil, componente considerado diretamente na formação do IAVAG, era negociado a US$ 4,12 por galão, com alta diária de 1,39% e valorização acumulada de 33,24% em um mês. O derivado chegou a superar US$ 4,20 durante o pregão, mas perdeu parte dos ganhos diante das expectativas de retomada das negociações diplomáticas.
Apesar da redução em relação às máximas do dia, a permanência do heating oil acima de US$ 4 por galão reforça o risco de pressão sobre o IAVAG de julho. O movimento representa uma reversão importante em relação a junho, quando o componente recuou 7,43% e foi o principal vetor de alívio para o índice.
Etanol
Os preços do etanol apresentaram queda no mercado paulista durante a última semana. Entre os dias 13 e 17 de julho, o Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ ficou em R$ 2,4421 por litro, recuo de 0,98% em relação à semana anterior.
O Indicador do Etanol Hidratado Outros Fins, utilizado no cálculo do IAVAG, apresentou queda mais intensa, de 6,61%, passando de R$ 2,3762 para R$ 2,2191 por litro.
O movimento representa um fator favorável para o resultado de julho e pode compensar parte da pressão proveniente do heating oil. Entretanto, os preços continuam sujeitos às condições da safra, ao ritmo de comercialização das usinas e à relação de rentabilidade entre a produção de açúcar e etanol.
No resultado do IAVAG de junho, o etanol apresentou alta de 0,70% e exerceu pressão de alta sobre o índice. A queda observada nas últimas semanas, portanto, sinaliza uma mudança de direção que deverá ser acompanhada até o fechamento do atual período de apuração.
Inflação e juros no Brasil
O INPC, componente considerado diretamente no cálculo do IAVAG, avançou 0,14% em junho, desacelerando em relação à alta de 0,65% registrada em maio. No acumulado de 2026, o índice apresenta elevação de 3,51%, enquanto a variação em 12 meses passou de 4,42% para 4,33%.
O IPCA também apresentou desaceleração, passando de 0,58% em maio para 0,16% em junho. Em 12 meses, a inflação oficial recuou de 4,72% para 4,64%. A redução dos preços de alimentação e bebidas ajudou a limitar o resultado, enquanto o grupo Habitação apresentou a principal contribuição positiva.
Mesmo com a desaceleração mensal, as expectativas permanecem elevadas. O Boletim Focus desta segunda-feira reduziu a projeção do IPCA de 2026 de 5,16% para 5,15%, na terceira semana consecutiva de revisão para baixo. A projeção, entretanto, continua acima do limite superior de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.
Na reunião de junho, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano. O Banco Central destacou que os juros ainda precisam permanecer em nível restritivo, diante das expectativas desancoradas, das incertezas econômicas e do risco de novos choques provenientes do mercado internacional de energia.
Para as empresas do setor aeroagrícola, os juros elevados continuam afetando o custo do crédito, o financiamento de aeronaves e equipamentos e a necessidade de capital de giro.
Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil
O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o trimestre imediatamente anterior. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o crescimento foi de 1,8%, enquanto o acumulado dos quatro trimestres encerrados em março apresentou alta de 2,0%.
O resultado trimestral foi sustentado pelo crescimento da Agropecuária, da Indústria e dos Serviços. Apesar do desempenho positivo, a taxa de investimento ficou em 16,5% do PIB, abaixo dos 17,6% registrados no mesmo período de 2025.
No mercado de trabalho, a taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, abaixo dos 6,2% registrados no mesmo período do ano anterior. A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas, enquanto o rendimento real habitual foi estimado em R$ 3.726, alta de 4% na comparação anual.
Os dados mostram que o mercado de trabalho continua sustentando a atividade econômica. Por outro lado, os juros elevados e a desaceleração esperada para os próximos trimestres podem limitar o ritmo de crescimento, o investimento e a demanda por crédito.
Estados Unidos: Inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho
O Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos apresentou queda de 0,4% em junho, após avançar 0,5% em maio. Em 12 meses, o CPI acumulou alta de 3,5%. O resultado mensal foi o menor desde abril de 2020.
A queda foi influenciada principalmente pelo grupo Energia, que recuou 5,7% no mês. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, permaneceu estável em junho e acumulou alta de 2,6% em 12 meses.
O dado reduziu parte das preocupações com a inflação norte-americana e enfraqueceu as expectativas de uma alta imediata dos juros. Entretanto, a retomada dos preços do petróleo, dos combustíveis e dos derivados ao longo de julho pode interromper parte desse movimento favorável.
O Federal Reserve mantém a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto ocorrerá nos dias 28 e 29 de julho.
No mercado de trabalho, os Estados Unidos criaram 57 mil vagas em junho, enquanto a taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%. Apesar da queda do desemprego, a geração de vagas permaneceu moderada, mostrando perda de ritmo do mercado de trabalho.
A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo a terceira estimativa do Departamento de Comércio. O resultado foi sustentado por investimentos, exportações, gastos governamentais e consumo das famílias.
Impactos para o IAVAG
Os movimentos de julho indicam possível retorno da pressão sobre o IAVAG, concentrada principalmente no mercado internacional de energia. A valorização do heating oil, em meio às novas tensões no Oriente Médio, pode reverter parte do alívio observado em junho.
Em sentido contrário, a queda recente do etanol e a relativa estabilidade do dólar podem limitar parte dessa pressão. A leitura preliminar para julho é, portanto, de maior pressão no bloco energético, com o resultado ainda dependente da duração do conflito e do comportamento dos demais componentes ao longo do mês.
IAVAG nos últimos 12 meses
| jul/25 | 1,48% |
| ago/25 | -1,29% |
| set/25 | -0,68% |
| out/25 | 1,29% |
| nov/25 | -0,61% |
| dez/25 | 1,58% |
| jan/26 | 0,15% |
| fev/26 | -0,85% |
| mar/26 | 7,96% |
| abr/26 | -3,98% |
| mai/26 | -1,12% |
| jun/26 | -0,21% |
| Acumulado em 12 meses: | +3,74% |
IAVAG — resultado de junho de 2026
O IAVAG registrou queda de 0,21% em junho de 2026, contabilizando o terceiro mês consecutivo de recuo. O índice permanece em trajetória de queda desde abril, após apresentar redução de 3,98% naquele mês e de 1,12% em maio.
Com o resultado de junho, o acumulado do IAVAG em 2026 passou de 2,16% para 1,95%. Nos últimos 12 meses, o índice passou a acumular alta de 3,74%.
O principal vetor de alívio foi o heating oil, que apresentou queda de 7,43% durante o período de apuração. O movimento ocorreu em meio à trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, que reduziu momentaneamente as preocupações com a oferta internacional de petróleo e derivados.
A inflação dos Estados Unidos também contribuiu para o recuo do IAVAG. O CPI apresentou queda de 0,4% em junho, influenciado principalmente pela redução dos preços da energia e da gasolina.
Os demais componentes atuaram em sentido contrário e limitaram uma queda mais intensa do índice. O dólar apresentou valorização de 2,36% e foi o principal vetor de pressão de alta, elevando os custos vinculados a combustíveis, peças, manutenção e demais insumos dolarizados.
No mercado doméstico, o INPC avançou 0,14%, enquanto os preços do etanol aumentaram 0,70%. Esses movimentos reduziram parte do alívio proporcionado pelo heating oil e pela inflação norte-americana.
O resultado mostra uma dinâmica de compensação entre os componentes: embora a queda do heating oil e do CPI norte-americano tenha contribuído para a redução do índice, a valorização cambial e o avanço dos preços domésticos impediram um recuo mais expressivo.
Comentário final
O terceiro recuo consecutivo do IAVAG confirma a continuidade do movimento de alívio observado desde abril. Com a queda de 0,21% em junho, o índice encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 1,95%, mostrando que parte das pressões registradas no início do ano foi reduzida, embora os custos ainda permaneçam acima do nível observado no encerramento de 2025.
O resultado de junho foi favorecido principalmente pela queda do heating oil e pelo recuo do CPI norte-americano. Entretanto, a valorização do dólar, o avanço do INPC e a alta do etanol limitaram uma redução mais expressiva, evidenciando que o alívio não ocorreu de forma generalizada entre os componentes.
Para julho, o cenário exige cautela. A retomada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar o petróleo e os derivados, com o heating oil novamente acima de US$ 4 por galão. Caso esse movimento persista, o componente energético poderá interromper a sequência de quedas do IAVAG. Por outro lado, o recuo recente do etanol e a estabilidade do dólar podem limitar parte dessa pressão.
Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.






Fonte da imagem destacada: Wayup Brasil.
Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

