Boletim Econômico | IAVAG recua em maio e reduz pressão acumulada em 12 meses

Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↑R$ 5,0424 | 15/06 (PTAX)

Inflação EUA (CPI): ↑0,5% no mês | maio/2026

Juros EUA (Fed): = 3,50% – 3,75% | FOMC – abril/2026

PIB EUA: 1,6% | 1º trimestre/2026 – 2ª estimativa

Desemprego EUA: = 4,3% | maio/2026

Selic (Brasil): = 14,50% | Copom – abril/2026

PIB Brasil trimestral: ↑1,1% | 1º trimestre/2026

PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: ↑ 2,0%

Petróleo WTI: 5,92% – US$ 79,85 | 15/06/2026

Petróleo Brent: 5,56% – US$ 82,48 | 15/06/2026

Heating Oil: 3,53% – US$ 3,28 /galão | 15/06/2026

Etanol anidro (SP): ↑0,70% – R$ 2,5284/litro | média semanal encerrada em 12/06/2026

INPC maio/2026: 0,65%

INPC dos últimos 12 meses: ↑4,42%

IAVAG – maio/2026: -1,12%

IAVAG – últimos 12 meses: 3,14%

Destaque da semana: IAVAG de maio, acordo no Golfo e Superquarta de juros

A semana reúne três pontos centrais para a leitura dos custos do setor aeroagrícola: o resultado oficial do IAVAG de maio, o alívio recente nos preços internacionais de energia e a expectativa pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O IAVAG de maio confirmou uma redução da pressão sobre os custos acompanhados pelo índice, refletindo principalmente o comportamento mais favorável dos componentes de energia ao longo do mês. Esse resultado ocorre em um contexto em que o mercado também passou a reagir ao recuo do petróleo e de seus derivados nesta segunda-feira, movimento associado ao avanço de um acordo no Golfo e à expectativa de reabertura do Estreito de Hormuz.

É importante destacar que a queda do petróleo observada nesta semana não explica o resultado oficial de maio, pois ocorreu após o fechamento do mês. No entanto, esse movimento melhora a leitura de curto prazo para os componentes de energia e pode influenciar os próximos resultados do índice, caso se mantenha ao longo de junho.

Além disso, a semana será marcada pela chamada Superquarta, com decisões de política monetária do Copom e do Federal Reserve. As sinalizações dos bancos centrais serão acompanhadas de perto pelo mercado, pois podem influenciar o câmbio, as expectativas de inflação e o custo financeiro das empresas.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

No câmbio, o dólar segue em patamar próximo de R$ 5,05, ainda refletindo um ambiente de cautela no mercado internacional. A PTAX de 15/06 foi registrada em R$ 5,0424 para compra e R$ 5,0430 para venda. Já por volta das 13h, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,0562 para compra e R$ 5,0568 para venda.

Apesar do alívio observado nos preços internacionais de energia, o câmbio ainda exige acompanhamento, especialmente porque o real permanece sensível às incertezas externas, à trajetória dos juros nos Estados Unidos e às expectativas para a inflação doméstica.

As expectativas do mercado também apontam para um câmbio ainda pressionado no horizonte mais longo. Segundo o Boletim Focus de 15 de junho, a projeção para o dólar ao final de 2026 foi elevada de R$ 5,15 para R$ 5,20, reforçando a percepção de um ambiente externo desafiador e de maior cautela para os agentes econômicos.

Para o IAVAG, o câmbio continua sendo um componente relevante, especialmente por sua influência sobre insumos dolarizados, combustíveis e custos operacionais do setor aeroagrícola.

Energia: heating oil e petróleo

O mercado de energia reagiu rapidamente ao anúncio do acordo. O Brent recuou para US$ 82,48 por barril, com queda diária de –5,56% e baixa de –26,03% no mês, segundo a Trading Economics.

O WTI também apresentou forte retração, sendo cotado a US$ 79,85 por barril, com queda de –5,92% no dia e de –23,05% no mês.

O principal ponto de atenção para o IAVAG, porém, segue sendo o heating oil, que caiu para US$ 3,28 por galão, com recuo de –3,53% no dia e de –20,32% no mês. Apesar da queda recente, a commodity ainda permanece 33,88% acima do nível observado há um ano, indicando que o alívio ocorre sobre uma base ainda elevada.

Para o setor aeroagrícola, esse movimento reduz a pressão imediata sobre o bloco de energia do IAVAG, mas não elimina totalmente o risco. A volatilidade internacional, os estoques apertados de destilados e a dependência da efetiva reabertura do Estreito de Hormuz mantêm o mercado sensível a novas oscilações.

Etanol anidro

No mercado doméstico, o etanol voltou a mostrar leve pressão semanal. O Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ foi cotado a R$ 2,5284 por litro entre 8 e 12 de junho, com alta de 0,70% na semana.

O movimento merece atenção porque ocorre após semanas de forte alívio nos preços. Isso pode indicar que o componente encontrou algum piso no curto prazo, limitando novas quedas relevantes e exigindo acompanhamento nas próximas divulgações.

Inflação e juros no Brasil

A inflação brasileira segue como ponto de alerta. O IPCA de maio foi de 0,58%, abaixo dos 0,67% registrados em abril, mas o acumulado em 12 meses subiu para 4,72%.

O INPC, componente relevante para o IAVAG, avançou 0,65% em maio, acumulando 4,42% em 12 meses.

As expectativas do mercado reforçam um cenário de maior cautela para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, marcando a 14ª alta consecutiva. A estimativa para a taxa Selic ao final de 2026 também foi elevada, passando de 13,50% para 13,75% ao ano.

Esse movimento mostra que, mesmo com algum alívio pontual nos preços de energia, o mercado ainda projeta inflação mais resistente e juros elevados por mais tempo. Para o setor aeroagrícola, esse cenário pode impactar o custo financeiro das empresas, o planejamento operacional e a formação dos custos acompanhados pelo IAVAG.

Assim, o bloco de inflação e juros segue como fator de atenção para o índice, principalmente porque a combinação entre inflação acima do centro da meta, juros elevados e câmbio sensível mantém o ambiente econômico mais restritivo.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

A atividade econômica brasileira mostrou desempenho positivo no início de 2026. O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre, frente ao quarto trimestre de 2025, com avanço da agropecuária, da indústria e dos serviços. O resultado reforça uma economia ainda resiliente, embora o cenário de juros elevados continue limitando uma aceleração mais forte da atividade.

As expectativas do mercado também melhoraram. Segundo o Boletim Focus divulgado em 15 de junho, a projeção para o crescimento do PIB de 2026 subiu de 1,91% para 1,96%, indicando uma leitura um pouco mais favorável para a economia brasileira neste ano.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, considerando os meses de janeiro, fevereiro e março. O resultado representa alta de 1,0 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa era de 5,1%, mas ainda indica melhora frente ao primeiro trimestre de 2025, quando o desemprego estava em 7,0%.

Para o IAVAG, esse cenário mostra uma economia ainda em crescimento e um mercado de trabalho relativamente mais favorável que no ano anterior. No entanto, a combinação entre juros elevados, inflação resistente e custos financeiros altos ainda exige cautela quanto ao ritmo de expansão da atividade nos próximos meses.

Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho

Nos Estados Unidos, a inflação segue como ponto de atenção, principalmente pela pressão dos componentes de energia. O CPI de maio avançou 0,5% no mês e 4,2% em 12 meses, enquanto o núcleo da inflação subiu 0,2%, indicando que a pressão mais forte ainda está concentrada em itens mais voláteis.

Diante desse cenário, o Federal Reserve mantém postura cautelosa, com os juros atualmente na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A próxima reunião do FOMC, comitê de política monetária do banco central americano, ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho, com anúncio da decisão sobre os juros no dia 17 de junho. O mercado deve acompanhar não apenas a decisão, mas também o comunicado e a coletiva, que podem sinalizar os próximos passos da política monetária.

Na atividade econômica, o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,6% no primeiro trimestre de 2026, após alta de 0,5% no quarto trimestre de 2025. Já o mercado de trabalho segue resiliente: em maio, foram criadas 172 mil vagas fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,3%.

Para o IAVAG, esse cenário mantém atenção sobre o diferencial de juros, o comportamento do dólar e os custos ligados à energia, especialmente porque a inflação norte-americana ainda influencia as decisões do Fed e os fluxos de capitais para economias emergentes.

Impactos para o IAVAG

Os indicadores atuais sugerem um cenário mais favorável para o IAVAG no curto prazo, especialmente pela perda de força dos componentes ligados à energia. A queda do heating oil em maio reduziu a pressão sobre o índice, e o recuo observado no petróleo e em seus derivados nesta segunda-feira melhora a perspectiva para os próximos resultados, desde que esse movimento se mantenha ao longo do mês.

Ainda assim, o cenário permanece condicionado. O alívio recente nos combustíveis depende da consolidação do acordo no Golfo, da normalização do fluxo pelo Estreito de Hormuz e da manutenção de preços internacionais menos pressionados. Qualquer reversão nesse ambiente pode recolocar volatilidade sobre o heating oil, que segue sendo um dos componentes mais sensíveis para o IAVAG.

Além da energia, o câmbio continuará sendo determinante para a trajetória do índice. A valorização do dólar em maio limitou parte do alívio observado no resultado oficial, e as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos podem influenciar diretamente a taxa de câmbio, as expectativas de inflação e o custo dos insumos dolarizados.

Dessa forma, a leitura para os próximos resultados do IAVAG é de possível continuidade do alívio, mas com cautela. Se a queda da energia persistir e o dólar permanecer relativamente estável, o índice pode seguir em trajetória mais comportada. Por outro lado, inflação resistente, juros elevados e nova volatilidade externa ainda podem limitar esse movimento e manter os custos do setor aeroagrícola sensíveis nos próximos meses.

IAVAG nos últimos 12 meses

jun/25-0,81%
jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,60%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
Total:+3,14% | ↓3,14%

IAVAG – resultado de maio/2026

O IAVAG registrou queda de -1,12% em maio de 2026, dando continuidade ao movimento de alívio observado após a forte pressão registrada nos meses anteriores. Com esse resultado, o acumulado de 2026 recuou de 3,28% para 2,16%, enquanto o acumulado em 12 meses passou de 3,91% para 3,14%.

O principal fator responsável pelo resultado negativo foi o recuo do bloco de energia. O heating oil encerrou maio com queda de -14,51%, com a média dos preços passando de US$ 4,0809 em abril para US$ 3,4886 em maio. Esse movimento teve impacto direto sobre o IAVAG, considerando a relevância dos combustíveis na estrutura de custos da aviação agrícola.

O etanol também contribuiu para o alívio do índice, com destaque para o etanol hidratado, que registrou queda de -9,35% no mês. A combinação entre heating oil e etanol em queda foi determinante para o resultado favorável de maio.

Apesar disso, o recuo do IAVAG foi parcialmente limitado por outros componentes. A inflação doméstica avançou 0,65%, a inflação norte-americana subiu 0,5% e o dólar registrou valorização de 1,35% no mês. Esses fatores impediram uma queda mais intensa do índice e mostram que, embora a energia tenha sido o principal vetor de alívio, câmbio e inflação continuam sendo pontos de atenção.

Comentário final

O boletim desta semana indica uma melhora no ambiente de custos, mas ainda sem eliminar os principais fatores de risco para o setor aeroagrícola. O resultado de maio confirmou que a energia voltou a atuar como vetor de alívio, reduzindo parte da pressão acumulada nos meses anteriores.

Ao mesmo tempo, o cenário segue dependente de fatores externos e monetários. A estabilidade dos preços de energia, o comportamento do dólar e as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos serão determinantes para avaliar se o alívio recente poderá se sustentar nos próximos resultados.

Para o setor, a mensagem central é de cautela acompanhada de melhora parcial: os custos mostram sinais de acomodação, mas ainda estão sujeitos à volatilidade internacional, à inflação resistente e às condições financeiras mais restritivas. Por isso, o acompanhamento dos indicadores de energia, câmbio e juros permanece essencial para antecipar os próximos movimentos do IAVAG.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.

Fonte da imagem destacada: Vecteezy

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia