Boletim Econômico | IAVAG segue desacelerando: acumulado em 12 meses passa a negativo e sinaliza cenário de custos mais moderado

Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,40 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): 3,50% – 3,75% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑4,4% | setembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑2,7% | 3º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓-1,39% – US$ 56,64| 15/12/2025

Petróleo Brent: ↓-1,28% – US$ 60,49| 15/12/2025

Heating Oil: ↓-0,85% – US$ 2,18/galão | 15/12/2025

Etanol anidro (SP): ↑0,39% R$ 3,3256litro | média semanal – 12/12/2025

INPC novembro/2025: 0,03%

INPC dos últimos 12 meses: 4,18%

IAVAG novembro/2025: ↓-0,60 %

IAVAG dos últimos 12 meses: ↓-1,43%

 

RESUMO DA SEMANA

Entre terça (09/12) e esta quinta-feira (19/12/2025), o cenário macro foi marcado por decisões relevantes de política monetária e por um dado-chave de inflação doméstica. Na “superquarta” (10/12), o Federal Reserve reduziu a taxa de juros em 0,25 p.p., levando a faixa-alvo dos Fed Funds para 3,50%–3,75% (vigente a partir de 11/12), em decisão com dissidências e sinalização de maior cautela para os próximos passos. No Brasil, no mesmo dia, o Copom manteve a Selic em 15,00% a.a., reforçando uma postura ainda restritiva para assegurar a convergência da inflação, o que preserva o custo financeiro elevado e pode limitar o ritmo de atividade no curto prazo. Também em 10/12, o IBGE divulgou o INPC de novembro (+0,03%), indicando inflação muito baixa na margem para a faixa de renda mais sensível ao índice (com o IPCA em 0,18% no mês e 4,46% em 12 meses), elemento que ajuda a moderar pressões de custos domésticos.

Impacto no IAVAG: além do INPC baixo atuar como amortecedor relevante — por compor a parcela doméstica do índice e reduzir a pressão de custos internos (serviços, mão de obra e itens nacionais) —, o resultado mais recente do IAVAG reforça a leitura de alívio na margem. Em novembro/2025, o IAVAG recuou -0,60%, sustentado principalmente pela desvalorização do dólar (-0,95%), pelo recuo do heating oil (-2,11%) e pela queda do etanol hidratado (-0,26%), fatores com impacto direto sobre itens dolarizados e combustíveis operacionais.

Em contrapartida, a combinação de Selic elevada e mudança de sinal nos juros externos reforça a sensibilidade do IAVAG ao canal do câmbio e às condições financeiras: o corte do Fed pode influenciar fluxos e expectativas, enquanto a Selic alta mantém o custo de capital e pode afetar decisões de investimento e operação no setor. Assim, o balanço da semana aponta para alívio doméstico via inflação, com atenção redobrada ao dólar e aos insumos dolarizados, que seguem determinantes para a trajetória do índice.

 

Câmbio (Dólar/Real)

Nesta segunda-feira (15/12/2025), o dólar teve leve alta e fechou a R$ 5,4215 (+0,16%), após ter oscilado abaixo de R$ 5,40 pela manhã. O movimento foi atribuído principalmente a fatores domésticos, com fluxo tradicional de saída de recursos no fim de ano, além da digestão de dados fracos de atividade (IBC-Br), e ocorreu na contramão do exterior, onde o dólar cedeu diante de várias moedas em uma semana carregada de eventos e dados.

Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda feira (15/12) pelo Banco Central, a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2025 permanece em R$ 5,40, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 seguem em R$ 5,50.

 

Inflação nos EUA (CPI)

O Bureau of Labor Statistics (BLS) reportou que o CPI-U (cheio) avançou 2,7% em 12 meses até novembro/2025, desacelerando em relação à leitura de 12 meses até setembro (3,0%). No núcleo, o CPI excluindo alimentos e energia acumulou 2,6% em 12 meses, com Habitação/Moradia ainda em alta de 3,0% no período — mantendo o componente de habitação como vetor relevante de persistência inflacionária.

Do lado dos grupos, energia subiu 4,2% em 12 meses (com fuel oil +11,3% no período), enquanto alimentos avançaram 2,6%. No curto prazo, por conta do shutdown e da ausência de coleta em outubro/2025, o BLS destacou que não foi possível divulgar a variação mensal tradicional e passou a reportar variações acumuladas em dois meses (setembro a novembro) — com o CPI-U e o núcleo avançando 0,2% nesse intervalo.

 

Taxa de Juros – EUA

Na última semana, o Federal Reserve reduziu a taxa básica em 0,25 p.p., levando a meta dos Fed Funds para 3,50%–3,75%, vigente a partir de 11/12/2025. A decisão ocorreu em votação dividida, refletindo diferentes leituras sobre a velocidade de convergência da inflação, e o tom predominante entre dirigentes tem sido de cautela e dependência de dados para calibrar os próximos movimentos. Esse quadro ganha relevância adicional porque o apagão estatístico provocado pelo shutdown atrasou/limitou indicadores importantes, o que tende a aumentar a sensibilidade do mercado a cada nova divulgação e, por consequência, a volatilidade em juros e dólar.

 

PIB – Estados Unidos

De acordo com a terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA), o PIB dos Estados Unidos avançou 3,8% no 2º trimestre de 2025. O dado evidencia a força da economia americana, amparada sobretudo pelo consumo das famílias e pelos investimentos das empresas, mesmo em um contexto de juros ainda elevados.

Ainda assim, apesar do desempenho sólido no trimestre, cresce a avaliação de que a atividade pode perder ritmo no segundo semestre, diante de uma desaceleração do mercado de trabalho e das incertezas associadas ao shutdown, que vem atrasando a divulgação de indicadores econômicos relevantes.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego dos Estados Unidos ficou em 4,4% em setembro de 2025, acima dos 4,3% de agosto, atingindo o maior nível desde 2021 e reforçando a leitura de arrefecimento gradual do mercado de trabalho. Com o impacto do shutdown, o BLS não publicará a taxa de desemprego de outubro (por ausência da pesquisa domiciliar), o que reduz a visibilidade de curto prazo. A próxima divulgação do relatório Employment Situation (com dados de novembro) está prevista para 16 de dezembro de 2025.

 

Selic – Brasil

Na reunião de 10/12/2025, o Copom manteve a Selic em 15,00% a.a., em decisão unânime, e reforçou a orientação de manter o nível atual por um “período bastante prolongado” para assegurar a convergência da inflação à meta. A manutenção foi motivada, principalmente, por: (i) ambiente externo ainda incerto (política econômica nos EUA e tensões geopolíticas) com efeitos nas condições financeiras globais; (ii) no cenário doméstico, apesar de alguma moderação da atividade, o mercado de trabalho segue resiliente; (iii) a inflação cheia e as medidas subjacentes tenham arrefecido, mas permanecem acima da meta, e as expectativas (Focus) para 2025 e 2026 seguem desancoradas e acima do objetivo; e (iv) o balanço de riscos continua mais elevado que o usual, incluindo atenção a câmbio mais depreciado, anúncios de tarifas comerciais e desdobramentos da política fiscal.

 

PIB – Brasil (3º Trimestre de 2025)

O PIB brasileiro registrou variação de +0,1% no 3º trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior (com ajuste sazonal), sinalizando perda de fôlego da atividade em um ambiente de juros ainda restritivos. Pela ótica da produção, Agropecuária (+0,4%) e Indústria (+0,8%) sustentaram o resultado, enquanto Serviços (+0,1%) ficaram praticamente estáveis. Pela demanda, o consumo das famílias (+0,1%) permaneceu quase inalterado, ao passo que o consumo do governo (+1,3%) e o investimento (FBCF, +0,9%) avançaram. No comparativo anual, o PIB cresceu +1,8%, e no acumulado do ano até o 3º trimestre a alta foi de +2,4%.

Em termos de leitura de ciclo, o dado reforça a tendência de desaceleração ao longo de 2025, com crescimento mais contido na margem, o que mantém o debate sobre o início de flexibilização monetária em 2026, sem eliminar riscos de volatilidade no curto prazo.

 

Desemprego – Brasil

Segundo a PNAD Contínua, a taxa de desocupação no Brasil foi de 5,6% no trimestre encerrado em outubro de 2025, menor patamar da série histórica (desde 2012). O indicador recuou 0,2 p.p. em relação ao trimestre móvel anterior (5,8%) e 0,7 p.p. frente ao mesmo período de 2024 (6,4%), sinalizando mercado de trabalho ainda resiliente. Na mesma divulgação, a taxa de subutilização ficou em 13,9%, indicando que, apesar do desemprego baixo, ainda há ociosidade relevante no mercado de trabalho.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil recuou para US$ 2,18 por galão, uma queda de -0,85% em relação ao dia anterior. No último mês (novembro), o preço do heating oil acumulou variação negativa de –2,11%, embora no ano (janeiro a novembro) ainda registre alta de 11,02%.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro registrou alta de 0,39% na semana de 08/12 a 12/12, alcançando R$ 3,3256 por litro nas usinas de São Paulo, segundo dados do CEPEA/ESALQ. Este foi o oitavo avanço semanal consecutivo, indicando um movimento consistente de recuperação dos preços ao longo das últimas semanas.

 

INPC – novembro/2025

O INPC avançou apenas 0,03% em novembro, com 4,18% em 12 meses, sinalizando inflação doméstica bem comportada e em trajetória de desaceleração na comparação anual. O resultado mensal muito baixo foi explicado, sobretudo, pela queda dos preços de alimentos (–0,06%), artigos de residência (-1,11), saúde e cuidados pessoais (-0,32) e por fim no grupo de comunicação (-0,24).

Para o IAVAG, esse resultado é particularmente relevante porque o INPC tem peso de 40% na composição do índice: uma inflação menor na margem tende a reduzir a pressão de custos internos (serviços, mão de obra, itens nacionais e reajustes indexados), ajudando a estabilizar o componente doméstico do indicador.

Ainda assim, o efeito líquido sobre o IAVAG depende do comportamento das variáveis mais voláteis — especialmente câmbio e combustíveis —, de modo que o INPC baixo funciona como amortecedor, mas não elimina a sensibilidade do índice a choques externos.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Out/251,29%
Nov/25↓-0,60%
Total-1,43%

 

 

IAVAG – novembro/2025

Em novembro de 2025, o IAVAG registrou recuo de -0,60%, indicando alívio marginal nas pressões de custo do setor aeroagrícola. O resultado refletiu, principalmente, a queda de componentes mais sensíveis ao ambiente externo e aos combustíveis, com destaque para a desvalorização do dólar (-0,95%), o recuo do heating oil (-2,11%) e a queda do etanol hidratado (-0,26%) — variáveis que tendem a reduzir o custo de itens dolarizados e de insumos energéticos relevantes para a operação. Em contrapartida, o INPC avançou 0,03% no mês, mas não foi suficiente para reverter a contribuição baixista dos fatores ligados a câmbio e combustíveis.

No acumulado de 2025, o dólar já apresenta desvalorização superior a 14% frente ao real, movimento compatível com um cenário de maior oferta de moeda estrangeira (associada ao aumento das exportações) e com a perda de força do dólar no mercado internacional, reduzindo pressões de repasse cambial sobre custos do setor.

Na leitura em horizontes mais longos, o IAVAG mostrou arrefecimento relevante: o acumulado em 12 meses passou para -1,43%, após +1,53% em outubro, sinalizando inflexão em relação ao patamar anterior. No acumulado de janeiro a novembro, o índice recua -4,29%, capturando o efeito das quedas observadas ao longo de 2025 e sugerindo um ambiente de custos mais favorável na média do ano.

Como elemento adicional do período, a paralisação (shutdown) nos Estados Unidos comprometeu a divulgação do CPI de outubro e resultou em informações incompletas em novembro, levando o cálculo do índice a utilizar a inflação norte-americana de setembro como referência. Esse ponto introduz maior incerteza no monitoramento de custos influenciados pelo cenário externo, especialmente na comparação intertemporal e na leitura de tendências de curto prazo.

 

Fonte da imagem: JTBopeN

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia