Boletim Econômico | IAVAG volta a subir em outubro pressionado pelo câmbio e combustíveis.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,40 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 3,75% – 4,00% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑4,4% | setembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↑1,52% – US$ 58,94| 24/11/2025

Petróleo Brent: ↑1,37% – US$ 63,42| 24/11/2025

Heating Oil: ↓-1,71% – US$ 2,41/galão | 24/11/2025

Etanol anidro (SP): ↑1,05% R$ 3,2434/litro | média semanal – 21/11/2025

INPC outubro/2025: ↓0,03%

INPC dos últimos 12 meses: ↓4,49%

IAVAG outubro/2025: ↑1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 1,53%

 

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar comercial fechou a segunda feira sendo cotado a R$ 5,39, registrando alta moderada de 0,32%. No acumulado da semana, a moeda americana apresenta valorização de 1,97%, enquanto no ano ainda acumula desvalorização de aproximadamente –12,60% frente ao real.

O avanço do dólar no dia reflete um aumento da aversão ao risco no exterior, impulsionado principalmente pelas incertezas quanto à condução da política monetária dos Estados Unidos. A falta de divulgação de dados econômicos relevantes, consequência do shutdown parcial, também elevou a cautela dos investidores, favorecendo a busca por ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. No cenário doméstico, ajustes de portfólio e a maior sensibilidade do mercado às dúvidas fiscais contribuíram para o fortalecimento do dólar.

De acordo com o Boletim Focus do Banco Central, a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2025 permanece em R$ 5,40, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 seguem em R$ 5,50, sem alterações em relação à semana anterior.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos avançou 0,3% em setembro, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 3,0%, mantendo-se acima da meta de 2% do Federal Reserve. O resultado foi impulsionado principalmente pelos aumentos nos preços da gasolina (+4,1%) e dos alimentos (+3,1%), que seguem pressionando o custo de vida das famílias americanas e reforçando um cenário de inflação ainda resistente.

No entanto, o shutdown parcial do governo americano comprometeu o calendário regular de divulgação dos indicadores econômicos. Com isso, as atualizações mais recentes do CPI permanecem atrasadas, e o mercado aguarda novas publicações que devem ser liberadas nas próximas semanas, embora ainda sem data definida. Essa falta de visibilidade aumenta a incerteza e dificulta a leitura do ritmo atual da inflação, fator crucial para as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve.

 

Taxa de Juros – EUA

A taxa básica de juros dos EUA permanece no intervalo de 3,75% a 4,00%. O último corte de 0,25 pontos percentuais ocorreu em um contexto de sinais de desaceleração do mercado de trabalho e de uma inflação ainda acima da meta de 2%, especialmente nos setores de serviços e habitação, componentes que seguem pressionando o núcleo inflacionário americano.

Apesar da redução, o ambiente permanece carregado de incertezas. O shutdown parcial do governo dos EUA interrompeu a divulgação de vários indicadores chave, como dados de emprego e inflação, deixando o Federal Reserve com menos informações para calibrar suas próximas decisões. Essa ausência de atualizações limita a leitura sobre o ritmo atual da atividade econômica e reforça a necessidade de prudência.

Dirigentes do banco central americano enfatizaram que o movimento não configura o início de um ciclo contínuo de cortes. Segundos o vice-chair, Philip Jefferson, o atual patamar de juros ainda é considerado moderadamente restritivo, indicando que novos cortes dependerão da evolução dos dados, quando forem divulgados.

 

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA) revelou que a economia americana cresceu 3,8% em taxa anualizada no segundo trimestre de 2025. O desempenho mais forte reflete o aumento do consumo das famílias e o impacto positivo da queda das importações no cálculo do PIB. No entanto, a leitura do cenário permanece limitada pelo shutdown do governo, que tem atrasado a divulgação de dados essenciais de atividade e inflação. Essa falta de atualização reduz a visibilidade sobre o ritmo atual da economia e adiciona incerteza às avaliações de curto prazo feitas por analistas e pelo Federal Reserve.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego nos Estados Unidos subiu de 4,3% em agosto para 4,4% em setembro de 2025, de acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS). Embora o avanço seja moderado, o movimento indica uma perda de fôlego no mercado de trabalho, marcada pela desaceleração das contratações em setores como transporte e armazenagem, além do governo federal. O resultado reforça sinais de arrefecimento gradual da atividade, um ponto importante para o acompanhamento das próximas decisões de política monetária do Federal Reserve.

 

Selic – Brasil

O Copom manteve a taxa Selic em 15,00% ao ano na reunião de 05 de novembro de 2025, marcando o terceiro encontro consecutivo sem mudanças. A decisão reflete a combinação de incertezas externas, especialmente ligadas à política monetária dos EUA, e pressões inflacionárias internas ainda persistentes. O Banco Central ressaltou que seguirá cauteloso e disposto a manter os juros elevados por mais tempo, caso necessário. Segundo o Boletim Focus, a Selic deve encerrar 2025 em 15,00%, com trajetória de queda gradual nos próximos anos: 12,00% em 2026, 10,50% em 2027 e 9,75% em 2028.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

O PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, enquanto a comparação anual mostrou avanço de 2,2%. O resultado foi impulsionado pelo consumo das famílias, apoiado pelo mercado de trabalho aquecido, e pelo forte desempenho da agropecuária, favorecida por exportações e por uma safra recorde. No acumulado de 12 meses, a economia avançou 3,2%, mostrando resiliência mesmo em um ambiente de juros elevados.

As projeções do Boletim Focus apontam crescimento de 2,16% em 2025, com expansão moderada nos próximos anos, indicando um ritmo mais contido.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desocupação ficou em 5,6% no terceiro trimestre de 2025, segundo o IBGE, recuando frente ao trimestre anterior e atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O contingente de desocupados, estimado em cerca de 6 milhões de pessoas, reforça a melhora do mercado de trabalho. Apesar disso, a subutilização da força de trabalho permanece elevada, em 13,9%, indicando que ainda há desafios estruturais. Para o setor aeroagrícola, o quadro combinando emprego forte e custos trabalhistas em alta reforça a importância de acompanhar os impactos sobre demanda, operações e financiamento.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil recuou para US$ 2,41 por galão, queda de 2,06% em relação ao dia anterior, segundo o Trading Economics. O movimento de baixa ocorre após semanas de volatilidade, influenciado principalmente por correções no mercado de energia, diante de expectativas de menor pressão imediata sobre a demanda e de ajustes pontuais na oferta das refinarias. Além disso, o mercado segue reagindo às incertezas geopolíticas, que continuam elevando a sensibilidade dos preços, mas que, nesta sessão, não foram suficientes para impedir o recuo.

Mesmo com a queda de hoje, o heating oil fechou outubro em US$ 2,3986 por galão, acumulando alta de 3,20% em relação a setembro, impulsionada pela aproximação do inverno no hemisfério norte — período de aumento sazonal da demanda — e pelos custos de refino mais elevados. No acumulado, o produto registra alta de 12,91% nos últimos 12 meses e de 8,91% no ano (janeiro a outubro), mantendo pressão sobre os custos dos combustíveis utilizados pela aviação agrícola.

Para o IAVAG, esse comportamento segue relevante: mesmo com quedas pontuais como a de hoje, o nível de preços permanece elevado, podendo gerar pressão inflacionária nos componentes ligados a combustíveis e insumos aeroagrícolas nas próximas leituras do índice.

 

Etanol Anidro

Na semana de 17 a 21 de outubro de 2025, o preço do etanol anidro nas usinas de São Paulo (segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ) fechou com uma média de R$ 3,2434 por litro, com avanço de 1,05% em relação à semana anterior (10 a 14 – out) que fechou em R$ 3,2097por litro.

 

INPC – outubro/2025

O INPC avançou apenas 0,03% em outubro, mostrando forte desaceleração frente a setembro (0,52%) e indicando um ambiente de preços mais controlado para as famílias de menor renda. O resultado foi influenciado pela estabilidade dos alimentos, pelo arrefecimento dos itens não alimentícios e, principalmente, pela queda no grupo Habitação após a redução da bandeira tarifária de energia. Apesar do alívio no mês, o acumulado em 12 meses segue em 4,49% e ainda requer atenção, especialmente diante de possíveis pressões vindas do câmbio e de custos industriais. Para o setor aeroagrícola, o dado reduz pressões indiretas sobre custos, mas não muda o quadro de sensibilidade aos insumos importados.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Out/251,29%
Total1,53%

 

 

IAVAG – outubro/2025

O IAVAG avançou 1,29% em outubro, revertendo o recuo observado em setembro e refletindo a pressão de componentes fundamentais da estrutura de custos do setor aeroagrícola, como câmbio, combustíveis e etanol.

A valorização de 1,24% do dólar em outubro esteve ligada a fatores externos e internos. No cenário internacional, o shutdown do governo americano elevou a incerteza fiscal e interrompeu a divulgação de dados essenciais, como inflação e emprego, levando investidores a buscar proteção na moeda americana. A ausência desses indicadores reforçou ainda mais as apostas de que o Federal Reserve manteria os juros elevados por mais tempo, sustentando a valorização do dólar. No Brasil, a menor entrada de capital estrangeiro e a cautela fiscal contribuíram para intensificar a pressão cambial.

Apesar desse avanço em outubro, no acumulado do ano (janeiro a outubro) o dólar registra desvalorização de –13,81%, o que tem sido um dos principais fatores para a queda do IAVAG ao longo de 2025, já que o câmbio possui peso significativo na composição do índice (cerca de 40%). Essa desvalorização anual continua ajudando a reduzir os custos de insumos importados e, portanto, a aliviar a pressão sobre o índice.

Outro destaque foi a alta de 3,20% no heating oil, impulsionada pela maior demanda sazonal com a proximidade do inverno no hemisfério norte, por estoques mais apertados e por tensões geopolíticas que mantêm os preços dos derivados de petróleo elevados. Como esse insumo possui peso relevante no setor, sua elevação intensificou a pressão sobre o IAVAG no mês.

O preço do etanol hidratado para outros fins também apresentou alta, avançando 1,95%, sustentado pela menor oferta nas usinas, pela firmeza no mercado físico e pelos custos de produção mais elevados.

No acumulado de 12 meses, o IAVAG desacelerou de 4,39% para 1,53%, refletindo a dissipação dos choques de preço do fim de 2024.

Já no acumulado do ano (janeiro a outubro), o índice passou de –4,98% para –3,69%, indicando redução da deflação. Esse movimento representa uma perda de alívio nos custos, à medida que a pressão de câmbio e combustíveis está diminuindo o impacto deflacionário que vinha sendo observado ao longo de 2025.

Por fim, o shutdown do governo americano prejudicou a divulgação do CPI de outubro, impedindo o acesso a dados essenciais para o cálculo do IAVAG. Com isso, foi necessário utilizar o CPI de setembro, o que garante a continuidade da série, embora com limitação técnica quanto à precisão do resultado mensal.

 

 

Fonte da imagem: Energia A debate.

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia