Boletim Econômico | Inflação recua em agosto, mas no acumulado segue acima da meta

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,50 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,4% | agosto/2025

Juros EUA (Fed): = 4,25% – 4,50% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,3% | 2º trimestre – Segunda Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↑ 1,15% – US$ 63,28 | 15/09/2025

Petróleo Brent: ↑ 0,77% – US$ 67,43 | 15/09/2025

Heating Oil: ↑ 1,75% – US$ 2,33 /galão | 15/09/2025

Etanol anidro (SP): ↑ 2,85% R$ 3,2746 /litro | média semanal – 12/09/2025

INPC (ago/2025): 0,21% | 12 meses: 5,05%

IAVAG de julho: ↑ 1,48%

IAVAG em 12 meses: ↓ 2,97%

 

Destaque:

O IPCA registrou deflação em agosto, refletindo principalmente a queda nos preços de energia elétrica e alimentos. Apesar da desaceleração, a inflação acumulada em 12 meses segue acima da meta de 3% do CMN, o que mantém a pressão sobre a política monetária.

O resultado reforça a necessidade de cautela do Banco Central. Mesmo com a expectativa de cortes na Selic apenas em 2026, o mercado acompanha de perto a evolução dos preços para avaliar a possibilidade de antecipação no ciclo de flexibilização.

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar iniciou a semana em queda, sendo cotado em torno de R$ 5,34, o menor valor desde junho do ano passado. Segundo o Boletim Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, a projeção para o final de 2025 foi ajustada de R$ 5,55 para R$ 5,50, enquanto, para 2026, a expectativa segue em R$ 5,60.

O mercado permanece atento às decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. A principal expectativa recai sobre a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos, movimento que pode impactar o apetite por dólar e influenciar o fluxo de capitais.

 

Inflação nos EUA (CPI)

Em agosto de 2025, a inflação anual nos Estados Unidos avançou para 2,9%, contra 2,7% em julho. A inflação “core” (que exclui alimentação e energia) se manteve estável em 3,1% ano a ano.

No mês de agosto, o índice geral de preços ao consumidor subiu cerca de 0,4% em relação a julho, uma aceleração, já que em meses anteriores o aumento mensal vinha sendo mais moderado.

Os maiores impulsos vieram dos alimentos e energia, além de habitação, que registrou aumento significativo no custo mensal.

A inflação nos Estados Unidos segue acima da meta de 2% definida pelo Federal Reserve, com o índice anual em 2,9% em agosto, após marcar 2,7% em julho. Esse resultado reforça a pressão sobre a política monetária, já que a alta de preços permanece resistente.

 

Taxa de Juros – EUA

Atualmente, a taxa básica de juros americana está no intervalo de 4,25% a 4,50%, mantida em patamar elevado justamente para conter as pressões inflacionárias. O cenário indica que o Federal Reserve – Fed deve manter cautela antes de iniciar cortes mais significativos, equilibrando o combate à inflação com os riscos de desaceleração da atividade econômica.

O mercado acompanha de perto os próximos passos do Federal Reserve diante da inflação ainda acima da meta. A principal expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros já nas próximas reuniões, o que sinalizaria o início de um ciclo de flexibilização monetária. A possível redução busca aliviar o custo do crédito e sustentar o crescimento, mas os investidores avaliam que o Fed só avançará com cortes graduais, garantindo que a inflação permaneça em trajetória de convergência para a meta de 2%.

 

PIB – Estados Unidos

O Produto Interno Bruto (PIB) real dos Estados Unidos avançou 3,3% no segundo trimestre. Esse crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento do consumo das famílias e pela expansão dos investimentos privados.

Por outro lado, o avanço foi parcialmente contido pela elevação das importações e pela queda nos gastos governamentais. O resultado evidencia a força e a resiliência da economia americana, mesmo diante de um contexto de juros elevados.

 

Desemprego – EUA

Na sexta-feira, 5 de setembro de 2025, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos publicou o relatório de emprego referente a agosto. O documento revelou a criação de apenas 22 mil vagas, resultado bem abaixo das projeções do mercado. Além disso, a taxa de desemprego registrou uma leve alta, chegando a 4,3%, o maior patamar em quase quatro anos.

 

Selic – Brasil

A Selic segue fixada em 15% ao ano desde a reunião de 30 de julho de 2025. O Banco Central opta por manter os juros em nível elevado como forma de conter a inflação persistente e sustentar a atratividade do real frente ao dólar. Segundo projeções do Relatório Focus, a expectativa é que os cortes na taxa básica comecem apenas em 2026, com possibilidade de redução para cerca de 12,50% ao ano.

 

PIB Brasil – 2º Trimestre de 2025

O PIB do Brasil cresceu 0,4% no 2º trimestre de 2025, alcançando R$ 3,2 trilhões, o maior valor da série histórica, segundo o IBGE. Na comparação anual, a alta foi de 2,2%, e em 12 meses, de 3,2%.

O avanço foi sustentado pelos serviços (+0,6%) e pela indústria (+0,5%), enquanto a agropecuária recuou 0,1%. Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu (+0,5%), mas houve queda no consumo do governo (-0,6%) e nos investimentos (-2,2%), refletindo os juros elevados.

Mesmo com desaceleração frente ao trimestre anterior, o resultado mostra que a economia segue em expansão em 2025, ainda pressionada por fatores externos — como as tarifas dos EUA — e internos, como o custo do crédito.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE. A redução foi puxada pelo aumento da ocupação em setores como serviços e construção civil, enquanto o agronegócio manteve estabilidade.

Para o próximo trimestre, o mercado projeta uma ligeira alta no desemprego, reflexo do impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e do crédito ainda caro, fatores que podem reduzir o ritmo de contratações, sobretudo em setores voltados à exportação.

 

Heating Oil

Os futuros do óleo de aquecimento têm apresentado movimentos de alta nas últimas sessões, negociando em torno de US$ 2,30 por galão, impulsionados por tensões geopolíticas no Oriente Médio e por decisões da OPEP+ de aumentar a produção em patamar menor do que o esperado.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro registrou nova alta no Estado de São Paulo: entre 1 e 5 de setembro de 2025, o indicador CEPEA/Esalq fechou em R$ 3,1838 por litro, representando um aumento semanal de 1,96%. Na semana seguinte (de 8 a 12 de setembro), o preço subiu ainda mais, chegando a R$ 3,2746 por litro, com variação de +2,85%. Este é o terceiro avanço consecutivo nas últimas 4 semanas.

Esse movimento de alta reflete um cenário de oferta relativamente apertada, já que as usinas têm priorizado a produção de açúcar em função dos preços internacionais atraentes. A pressão sobre os valores do combustível também é sustentada pela demanda firme e pela competitividade do anidro frente ao hidratado.

Em resumo, o etanol anidro está em trajetória de valorização no curto prazo no mercado paulista, com expectativas de que os preços sigam elevados enquanto persistirem restrições de oferta e altos preços relativos do açúcar.

 

INPC – julho/2025

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou em agosto de 2025 uma variação mensal de −0,21%, apontando para uma deflação, após ter subido 0,21% em julho. Esse recuo mensal ajudou a reduzir levemente o acumulado dos últimos 12 meses para 5,05%, contra 5,13% em julho.

Os principais fatores que puxaram essa queda foram a baixa nos preços de habitação (-1,04), especialmente da conta de luz — aliviada pelo bônus da Itaipu, o forte recuo nos alimentos (-0,54), grupo que vinha pressionando bastante e a queda nos preços do grupo de transportes (-0,25).

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

ago/24-0,84%
set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70
abri/25↓-0,86
maio/25↓-0,35
Jun/2025↓-0,81
Jul/20251,48
Total2,97%

 

IAVAG – julho/2025

O IAVAG avançou 1,48% em julho, após queda de 0,81% em junho. No acumulado de 12 meses, recuou de 3,61% para 2,97%, mostrando perda de ritmo. A alta foi puxada pelo dólar (+2,65%) e pelo heating oil (+5,56%), pressionados por estoques menores e tensões externas. O índice segue volátil e sensível ao câmbio e combustíveis.

O resultado de agosto será divulgado em meados do dia 22 de setembro.

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia