Boletim Econômico | Mesmo com queda em setembro, IAVAG avança 4,39% em 12 meses e sinaliza pressão nos custos do setor aeroagrícola.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): R$ 5,41 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 4,0% – 4,25% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ -0,18% – US$ 61,39| 27/10/2025

Petróleo Brent: ↓-0,30% – US$ 65,71 | 27/10/2025

Heating Oil: ↑ 1,34% – US$ 2,44 /galão | 27/10/2025

Etanol anidro (SP): ↑ 1,07% R$ 3,1411/litro | média semanal – 24/10/2025

INPC Setembro/2025: ↑ 0,52%

INPC dos últimos 12 meses: ↑ 5,10%

IAVAG setembro/2025: ↓ -0,68 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 4,39%

 

Importância em acompanhar o IAVAG para o setor aeroagrícola

O acompanhamento constante do IAVAG (Índice de Inflação da Aviação Agrícola) e dos principais indicadores econômicos é essencial para a gestão estratégica do setor aeroagrícola. Esses dados permitem antecipar variações nos custos operacionais, como combustível, peças importadas e insumos, e planejar com mais precisão as atividades de pulverização aérea e manutenção das frotas.

Tanto os aviões agrícolas quanto os drones aeroagrícolas são diretamente impactados por fatores como câmbio, preço do etanol, petróleo e inflação, que influenciam o valor de combustíveis, componentes eletrônicos e manutenção. Ao monitorar o IAVAG, empresas e operadores conseguem ajustar seus orçamentos, melhorar a eficiência e fortalecer a sustentabilidade econômica do setor.

Em um momento de rápida modernização, em que a tecnologia amplia o alcance do setor aeroagrícola, compreender como os indicadores afetam custos e investimentos se torna ainda mais relevante para garantir competitividade e inovação no campo.

Câmbio (Dólar/Real)

Nesta segunda-feira (27/10), o dólar opera próximo de R$ 5,39, em leve queda de 0,18%, refletindo o avanço nas negociações tarifárias entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a projeção para o câmbio em 2025 foi ajustada de R$ 5,45 para R$ 5,41, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 permanecem próximas de R$ 5,50. O movimento indica expectativa de estabilidade cambial em patamar elevado, o que mantém atenção sobre os custos de importação e insumos dolarizados, fatores com impacto direto na formação do IAVAG e nos custos operacionais do setor aeroagrícola.

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos registrou alta de 0,3% em setembro, conforme dados oficiais do Bureau of Labor Statistics (BLS). No acumulado de 12 meses, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 3,0%, mostrando leve desaceleração em relação ao mês anterior. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também subiu 3,0% no período, refletindo a persistência de pressões em habitação e serviços. O aumento dos preços de gasolina (+4,1%) e alimentos (+3,1%) contribuiu para o resultado. Apesar da moderação, a taxa permanece acima da meta de 2% do Federal Reserve, o que mantém cautela quanto a novos cortes de juros nos próximos meses.

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros na faixa de 4,00% a 4,25%, após o corte de 25 pontos-base realizado em setembro, o primeiro desde dezembro do ano anterior. A decisão reflete o equilíbrio delicado enfrentado pela autoridade monetária: de um lado, a inflação permanece acima da meta de 2%, e de outro, há sinais de desaceleração no mercado de trabalho, o que eleva os riscos de enfraquecimento da economia. O comitê destacou que a condução da política monetária não segue um curso pré-definido, permanecendo dependente da evolução dos indicadores econômicos.

Os dados mais recentes sobre emprego nos Estados Unidos ainda não foram divulgados, e o mercado acompanha com atenção, já que esse indicador será determinante para orientar os próximos passos do Fed. Uma eventual queda mais acentuada na criação de vagas ou aumento no desemprego pode reforçar a necessidade de novos cortes de juros para sustentar o crescimento. Atualmente, as projeções indicam forte probabilidade de uma nova redução de 50 pontos-base até dezembro, caso os sinais de desaceleração se confirmem.

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA) mostrou que o PIB real dos Estados Unidos cresceu 3,8% no segundo trimestre de 2025, acima dos 3,3% da leitura anterior, impulsionado principalmente pelo aumento do consumo e pela redução nas importações.

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego dos Estados Unidos manteve-se em 4,3% em agosto de 2025, ligeiramente acima dos 4,2% registrados em julho, conforme dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado indica uma moderação no ritmo de contratações, especialmente nos setores de serviços e manufatura, refletindo os efeitos cumulativos da política monetária restritiva e da desaceleração gradual da economia. Ainda assim, o mercado de trabalho permanece relativamente aquecido, com a taxa de participação estável e a criação líquida de empregos em níveis consistentes com um crescimento moderado.

De acordo com o calendário oficial do BLS, o relatório de emprego referente a setembro de 2025 será divulgado em 3 de outubro, às 8h30 (horário de Washington, DC). O mercado acompanha com atenção essa publicação, pois os novos dados podem influenciar as decisões futuras do Federal Reserve sobre a trajetória dos juros, especialmente diante das expectativas de um possível novo corte na taxa básica ainda em dezembro.

Selic – Brasil

O Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, com comunicação clara de que a política monetária seguirá em nível elevado por tempo prolongado. O mercado não projeta cortes em 2025, com possível início do ciclo de redução de juros apenas no início de 2026, dependendo da evolução da inflação, da atividade econômica e da trajetória fiscal.

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

A economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior e 2,2% na comparação anual, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo consumo das famílias (+0,5%) e pelo forte desempenho da agropecuária, beneficiada pelas exportações e pela safra recorde.

No acumulado de 12 meses, o PIB avançou 3,2%, mostrando resiliência mesmo com juros altos. De acordo com o Boletim Focus, o BCB projeta crescimento de 2,16% em 2025, com desaceleração para 1,78% em 2026, 1,83% em 2027 e 2,00% em 2028, refletindo um cenário de moderação da atividade, ainda liderado pelo agronegócio como principal motor da economia.

Desemprego – Brasil

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE. A redução reflete a retomada da atividade econômica e a geração de vagas em setores como serviços, construção e agronegócio. Apesar do resultado positivo, persistem desafios relacionados à informalidade e subutilização da força de trabalho, que ainda limitam uma melhora mais ampla no mercado laboral.

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil subiu para US$ 2,44 por galão um aumento de 1,34% em relação ao dia anterior, segundo o Trading Economics. A leve alta recente reflete a redução dos estoques de destilados nos Estados Unidos e a forte demanda de exportação, conforme dados da U.S. Energy Information Administration (EIA). A agência aponta que os níveis de estoque seguem abaixo da média histórica, o que mantém o mercado sensível a oscilações de oferta e demanda. Além disso, fatores geopolíticos e a manutenção em refinarias contribuíram para restringir a produção, sustentando os preços em patamar elevado.

Etanol Anidro

Na semana de 20 a 24 de outubro de 2025, o preço do etanol anidro nas usinas de São Paulo (segundo o indicador Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA/ESALQ) foi de R$ 3,1411 por litro, com avanço de 1,07% em relação à semana anterior (13–17 out) que fechou em R$ 3,1079.

O movimento de valorização refletiu a redução da oferta por parte das usinas, que vêm mantendo estoques mais controlados diante das incertezas quanto à demanda e à competitividade frente à gasolina. Além disso, o encarecimento da cana-de-açúcar e o avanço da entressafra contribuem para pressionar os custos de produção. A demanda firme do anidro para mistura obrigatória na gasolina também sustenta o preço no mercado paulista, reforçando a tendência de alta observada no período.

INPC – setembro/2025

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou elevação de 0,52% em setembro de 2025, após a deflação de –0,21% registrada em agosto, conforme dados divulgados pelo IBGE. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador avançou de 5,05% para 5,10%, evidenciando o retorno das pressões inflacionárias que afetam especialmente as famílias de menor poder aquisitivo.

O resultado de setembro foi puxado principalmente pelo grupo Habitação, impulsionado pelo aumento de 10,57% na energia elétrica residencial, reflexo do fim do bônus da Itaipu e da entrada em vigor de bandeira tarifária mais cara. Também contribuíram para a alta os ajustes nos aluguéis e o encarecimento do etanol, enquanto os alimentos e bebidas recuaram 0,33%, atenuando parcialmente o avanço do índice geral.

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Total4,39%

IAVAG – setembro/2025

O IAVAG (Índice de Inflação da Aviação Agrícola) registrou em setembro uma queda de -0,68% em relação ao mês anterior, configurando o segundo recuo consecutivo. A redução observada foi impulsionada, principalmente, por fatores cambiais e energéticos. O dólar apresentou desvalorização de –1,98% entre o final de agosto e o final de setembro, movimento influenciado pelo cenário internacional mais favorável a países emergentes, pela expectativa de cortes adicionais na taxa de juros dos Estados Unidos e pela entrada de fluxos externos no mercado brasileiro, o que fortaleceu temporariamente o real.

Outro componente relevante foi a queda de –2,13% no preço do etanol hidratado para outros fins, registrada no mesmo período. O recuo foi resultado da redução dos preços internacionais da gasolina, da demanda interna enfraquecida e da melhora na oferta de etanol nas usinas da região Centro-Sul, fatores que contribuíram para aliviar os custos com combustíveis e insumos no segmento aeroagrícola.

No acumulado de 12 meses, o índice apresentou um comportamento oposto à variação mensal, avançando de 2,52% para 4,39%. Ao se observarem os resultados dos últimos 12 meses evidenciados na tabela acima, nota-se que os avanços do índice foram mais significativos do que os recuos, principalmente nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2024, o que evidencia uma tendência de pressão de custos no setor ao longo do período. Esse comportamento reforça a importância do setor aeroagrícola de acompanhar, de forma contínua, o IAVAG e os indicadores que o influenciam, como o câmbio, o preço do etanol e do petróleo.

Tanto os aviões agrícolas quanto os drones são diretamente impactados por essas oscilações, que afetam desde os custos operacionais e de manutenção até o planejamento de safra e investimentos em tecnologia. Assim, o monitoramento constante dos indicadores é essencial para garantir gestão eficiente, competitividade e sustentabilidade econômica do setor aeroagrícola brasileiro.

 

Fonte da imagem: Politik Ratgeber

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia