Indicadores de Destaque:
Câmbio (USD/BRL): ↑R$ 5,1436| PTAX de 19/06
Inflação EUA (CPI): ↑0,5% no mês | maio/2026
Juros EUA (Fed): = 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026
PIB EUA: 1,6% | 1º trimestre/2026 – 2ª estimativa
Desemprego EUA: = 4,3% | maio/2026
Selic (Brasil): ↓ 14,25% | Copom – junho/2026
PIB Brasil trimestral: ↑1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: ↑ 2,0%
Petróleo WTI: –4,72% – US$ 73,78 ↓ | 22/06/2026
Petróleo Brent: –3,60% – US$ 77,69 ↓ | 22/06/2026
Heating Oil: –2,30% – US$ 3,12 /galão ↓ | 22/06/2026
Etanol anidro (SP): ↑0,11% – R$ 2,5311/litro | média semanal encerrada em 19/06/2026
INPC maio/2026: 0,65%
INPC dos últimos 12 meses: ↑4,42%
IAVAG – maio/2026: -1,12%
IAVAG – últimos 12 meses: +3,14%
Destaque da semana
O principal destaque da semana está na divergência entre as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto o Banco Central brasileiro deu continuidade ao ciclo de flexibilização e reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, o Federal Reserve manteve os juros norte-americanos na faixa entre 3,50% e 3,75%, diante da inflação ainda elevada e da resiliência da atividade econômica nos Estados Unidos.
Esse contraste é relevante para o mercado cambial. Embora o corte da Selic represente um alívio gradual para o custo do crédito e para as despesas financeiras das empresas brasileiras, a manutenção dos juros nos Estados Unidos preserva a atratividade dos ativos norte-americanos e pode limitar a entrada de capital em economias emergentes. Como consequência, o real tende a permanecer sensível a movimentos de valorização do dólar, especialmente em períodos de maior aversão ao risco.
Ao mesmo tempo, o mercado de energia apresentou alívio nesta semana. O heating oil e o petróleo recuaram diante da redução temporária das preocupações relacionadas ao abastecimento global, melhorando a perspectiva para os custos de combustíveis. No entanto, o risco geopolítico continua elevado e ainda pode provocar reversões nas cotações. Para a aviação agrícola, o cenário combina vetores opostos: a queda dos preços energéticos favorece a trajetória de curto prazo do IAVAG, enquanto a redução dos juros no Brasil, acompanhada da manutenção da taxa norte-americana, mantém o câmbio como um ponto de atenção. Dessa forma, o alívio observado nos combustíveis pode ser parcialmente limitado caso haja nova valorização do dólar ou retomada das tensões no mercado internacional de petróleo.
Análise dos principais indicadores
Câmbio
O dólar encerrou a última sexta-feira cotado a R$ 5,14 na PTAX e iniciou esta segunda-feira próximo de R$ 5,13 no mercado comercial. Embora permaneça abaixo da projeção de R$ 5,20 para o fim de 2026, indicada pelo Boletim Focus, a moeda norte-americana acumulou valorização de cerca de 2,04% na semana passada.
O comportamento cambial continua sendo um ponto de atenção para o IAVAG. Uma valorização adicional do dólar tende a pressionar os custos dos itens dolarizados e pode limitar o efeito positivo da queda das commodities energéticas. O ambiente externo, ainda marcado por inflação elevada nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas, mantém espaço para movimentos de aversão ao risco e fortalecimento da moeda norte-americana.
Energia: heating oil e petróleo
O bloco de energia apresentou alívio importante nesta segunda-feira. O heating oil foi cotado próximo de US$ 3,12 por galão, em queda superior a 13% no acumulado de um mês. O petróleo Brent recuou para a faixa de US$ 77 por barril, refletindo a percepção de menor risco imediato sobre o fluxo de petróleo no Oriente Médio.
Esse movimento é favorável para a composição do IAVAG, uma vez que o heating oil é um dos principais vetores de custo monitorados pelo índice. A queda das cotações reduz a pressão sobre os combustíveis e pode contribuir para resultados mais benignos nos próximos fechamentos.
Ainda assim, o cenário exige cautela. A redução dos preços está associada à expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à menor preocupação momentânea com o Estreito de Hormuz. Caso as tensões aumentem novamente ou haja interrupções na circulação de petróleo, o mercado pode reagir rapidamente e devolver parte do alívio observado nos últimos dias.
Etanol anidro
O etanol anidro apresentou estabilidade na semana. O indicador CEPEA/ESALQ para o mercado paulista ficou em R$ 2,5311 por litro entre os dias 15 e 19 de junho, com leve alta de 0,11% em relação à semana anterior.
O comportamento atual indica menor pressão vinda do mercado de etanol, especialmente após as quedas observadas nos meses anteriores. Embora a estabilidade não represente novo alívio expressivo, o produto também não apresenta, neste momento, um vetor relevante de alta para os custos acompanhados pelo IAVAG.
A atenção deve permanecer sobre as condições de oferta, o ritmo de moagem da safra e a dinâmica entre etanol e gasolina, pois alterações nesses fatores podem influenciar os preços nas próximas semanas.
Inflação e juros no Brasil
A inflação brasileira segue acima do centro da meta. Em maio, o IPCA registrou alta de 0,58%, acumulando variação de 4,72% em 12 meses. O INPC avançou 0,65% no mês e acumulou 4,42% em 12 meses, mantendo pressão sobre despesas operacionais, serviços e custos relacionados à mão de obra.
Na política monetária, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano. Apesar do corte, o nível de juros permanece elevado e restritivo, enquanto o Boletim Focus passou a projetar Selic de 14,00% ao fim de 2026. O cenário indica que a redução dos juros deverá ocorrer de forma gradual, condicionada à evolução da inflação e das expectativas do mercado.
Para o setor aeroagrícola, a combinação entre inflação acima da meta e juros ainda elevados mantém o crédito mais caro e exige atenção ao planejamento de caixa, à renovação de ativos e às decisões de investimento.
Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil
A economia brasileira manteve desempenho positivo no início de 2026, embora com sinais de heterogeneidade entre os setores. O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente pelo desempenho da atividade agropecuária.
Os dados mais recentes também indicam avanço da indústria e dos serviços em abril. A produção industrial cresceu 0,7% no mês, enquanto o setor de serviços avançou 1,2%. Em sentido contrário, o comércio varejista registrou queda de 1,5%, evidenciando que o consumo das famílias ainda sente os efeitos dos juros elevados e do comprometimento da renda.
No mercado de trabalho, a taxa de desocupação foi de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, considerando os meses de janeiro, fevereiro e março. O resultado representa alta de 1,0 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa era de 5,1%. O mercado de trabalho ainda demonstra resiliência, mas a elevação da taxa de desemprego na margem e a desaceleração de alguns segmentos merecem acompanhamento.
Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho
Nos Estados Unidos, a inflação continua sendo um dos principais fatores de atenção para os mercados globais. O índice de preços ao consumidor registrou alta de 0,5% em maio e acumulou 4,2% em 12 meses. A inflação de energia teve contribuição relevante para esse resultado, reforçando a sensibilidade da economia norte-americana às oscilações do petróleo e dos combustíveis.
Diante desse cenário, o Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A autoridade monetária reconheceu que a inflação permanece elevada e indicou que a condução da política monetária seguirá dependente da evolução dos preços, da atividade e do mercado de trabalho.
A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no primeiro trimestre de 2026. O mercado de trabalho também permanece relativamente aquecido, com criação de 172 mil vagas em maio e taxa de desemprego em 4,3%.
Para o Brasil, esse conjunto de dados reforça a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo. Esse fator tende a sustentar o dólar globalmente, aumentar a volatilidade dos fluxos financeiros e manter pressão sobre moedas de países emergentes, como o real.
Impactos para o IAVAG
A queda recente do heating oil e do petróleo melhora a perspectiva de curto prazo para o IAVAG, pois reduz a pressão sobre o principal componente energético do índice. Caso as cotações permaneçam próximas aos níveis observados nesta semana, o bloco de energia poderá contribuir para resultados menos pressionados nos próximos fechamentos.
Esse alívio, porém, ainda depende da estabilidade do mercado internacional de petróleo. Uma retomada das tensões geopolíticas, novas interrupções na oferta ou uma valorização mais intensa do dólar podem reverter parte do ganho observado nos combustíveis.
Além disso, a inflação elevada nos Estados Unidos, a manutenção dos juros norte-americanos e o ambiente doméstico de juros ainda restritivos mantêm o câmbio como um fator de risco. Assim, a trajetória do IAVAG nas próximas semanas dependerá principalmente do comportamento do heating oil, do dólar e da evolução do cenário geopolítico.
IAVAG nos últimos 12 meses
| jun/25 | -0,81% |
| jul/25 | 1,48% |
| ago/25 | -1,29% |
| set/25 | -0,68% |
| out/25 | 1,29% |
| nov/25 | -0,60% |
| dez/25 | 1,58% |
| jan/26 | 0,15% |
| fev/26 | -0,85% |
| mar/26 | 7,96% |
| abr/26 | -3,98% |
| mai/26 | -1,12% |
| Acumulado em 12 meses: | 3,14% |
IAVAG – resultado de maio/2026
O IAVAG registrou queda de 1,12% em maio de 2026, após o recuo de -3,98% observado em abril. Com esse resultado, o acumulado do índice no ano passou para 2,16%, enquanto a variação acumulada em 12 meses recuou para 3,14%.
O principal fator de alívio foi o heating oil, que apresentou queda de 14,51% no mês. A média da commodity recuou de US$ 4,0809 por galão em abril para US$ 3,4886 em maio. O etanol hidratado também contribuiu para o resultado, com redução de 9,35%.
Por outro lado, a queda do índice foi limitada pela inflação doméstica, pela inflação norte-americana e pela valorização do dólar em maio. O INPC avançou 0,65%, o CPI dos Estados Unidos subiu 0,5% e o dólar apresentou alta de 1,35% no período.
O resultado de maio confirma que a energia foi determinante para o alívio recente do IAVAG. Ainda assim, o índice permanece positivo no acumulado do ano e em 12 meses, indicando que os custos do setor continuam em patamar superior ao observado no mesmo período de 2025.
Comentário final
O boletim desta semana indica uma melhora no ambiente de custos, mas ainda sem eliminar os principais fatores de risco para o setor aeroagrícola. O resultado de maio confirmou que a energia voltou a atuar como vetor de alívio, reduzindo parte da pressão acumulada nos meses anteriores.
Ao mesmo tempo, o cenário segue dependente de fatores externos e monetários. A estabilidade dos preços de energia, o comportamento do dólar e as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos serão determinantes para avaliar se o alívio recente poderá se sustentar nos próximos resultados.
Para o setor, a mensagem central é de cautela acompanhada de melhora parcial: os custos mostram sinais de acomodação, mas ainda estão sujeitos à volatilidade internacional, à inflação resistente e às condições financeiras mais restritivas. Por isso, o acompanhamento dos indicadores de energia, câmbio e juros permanece essencial para antecipar os próximos movimentos do IAVAG.
Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.






Fonte da imagem destacada: Semana.com
Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

