Boletim Econômico | Retomada das tensões no Estreito de Hormuz pressiona o petróleo e acende alerta para os custos da aviação agrícola

Confira as principais notícias dos indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↓ R$ 5,1085 | PTAX de 10/07
Inflação EUA (CPI):↑ 0,5% no mês | maio/2026
Juros EUA (Fed):= 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026
PIB EUA:2,1% | 1º trimestre/2026 – 3ª estimativa
Desemprego EUA:↓ 4,2% | junho/2026
Selic (Brasil):↓ 14,25% | Copom – junho/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI:4,54% – US$ 74,65 | cotação intradiária de 13/07/2026
Petróleo Brent: 4,30% – US$ 79,36 | cotação intradiária de 13/07/2026
Heating Oil:5,58% – US$ 3,75/galão | cotação intradiária de 13/07/2026
Etanol anidro (SP):↓ 4,44% – R$ 2,4662/litro | média semanal encerrada em 10/07/2026
INPC junho/2026:0,14%
INPC dos últimos 12 meses:↓ 4,33%
IAVAG – maio/2026:-1,12%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,14%

Destaque da semana

O mercado internacional de energia volta a ser o principal ponto de atenção para os custos da aviação agrícola. A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã elevou as preocupações com a circulação de petróleo e derivados pelo Estreito de Hormuz, importante rota do comércio mundial de energia.

Na manhã desta segunda-feira, o petróleo Brent apresentava alta de aproximadamente 4,30%, sendo negociado próximo de US$ 79,36 por barril. O WTI avançava cerca de 4,54%, para US$ 74,65. Embora as cotações ainda estejam abaixo de alguns dos picos registrados durante os momentos mais críticos do conflito, a nova escalada geopolítica voltou a incluir um prêmio de risco nos preços.

O heating oil, indicador energético considerado diretamente na formação do IAVAG, também apresentou pressão. Depois de encerrar a sexta-feira próximo de US$ 3,55 por galão, o contrato operava na faixa de US$ 3,75 nesta segunda-feira. O movimento ocorre após uma semana marcada pela forte valorização dos destilados, influenciada pelas incertezas no Oriente Médio e por restrições russas às exportações de diesel.

Em sentido contrário, o recuo do dólar e a queda do etanol anidro oferecem alívio parcial. Já o INPC, embora tenha desacelerado para 0,14%, permaneceu positivo e continua pressionando os custos do setor, porém com menor intensidade.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

A PTAX passou de R$ 5,1714 em 3 de julho para R$ 5,1085 em 10 de julho, representando uma redução aproximada de 1,22% no período. Esse movimento é favorável para o setor aeroagrícola, pois diminui o valor, em reais, de combustíveis, peças, componentes, serviços de manutenção e outros itens vinculados ao mercado internacional.

Entretanto, o início desta semana trouxe uma reversão parcial. Na manhã de segunda-feira, o dólar à vista avançava cerca de 0,33%, para aproximadamente R$ 5,1245, refletindo o aumento da aversão ao risco após a retomada dos ataques no Oriente Médio.

Apesar da alta intradiária, a cotação ainda permanece próxima dos níveis observados no encerramento da semana anterior. Para o IAVAG, o câmbio continua funcionando como fator de contenção, mas o agravamento das tensões internacionais pode provocar maior volatilidade ao longo de julho.

O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o final de 2026. A estimativa do mercado para o crescimento do PIB permaneceu em 1,99%, enquanto a projeção do IPCA foi reduzida de 5,30% para 5,16%. A estimativa para a Selic no encerramento do ano permaneceu em 14,00%.

Heating oil e petróleo

O petróleo iniciou a semana em alta após novos ataques entre Estados Unidos e Irã e informações divergentes sobre a circulação de navios pelo Estreito de Hormuz. Embora embarcações ainda estejam atravessando a região, a redução do tráfego e o risco de novas interrupções elevaram as preocupações com a oferta internacional.

O Brent operava próximo de US$ 79,36 por barril, enquanto o WTI estava na faixa de US$ 74,65. A alta do petróleo tende a influenciar os preços dos derivados, especialmente em um cenário no qual os estoques de destilados permanecem pressionados.

No mercado de heating oil, a cotação estava próxima de US$ 3,75 por galão nesta segunda-feira, acima do fechamento anterior de aproximadamente US$ 3,55. A valorização representa uma mudança importante em relação ao alívio observado no final de maio e em parte de junho.

Para o IAVAG, o comportamento do heating oil será o principal indicador a ser acompanhado durante julho. Caso a cotação permaneça nos níveis atuais ou registre novas altas, o componente energético poderá exercer pressão relevante sobre o próximo resultado do índice.

Etanol anidro

O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro registrou queda de 4,44% entre os períodos de 29 de junho a 3 de julho e de 6 a 10 de julho. A cotação passou de R$ 2,5808 para R$ 2,4662 por litro.

O resultado reverte a alta de 1,17% registrada na semana anterior e coloca o indicador abaixo dos valores observados durante praticamente todo o mês de junho.

A queda do etanol representa um fator favorável para o IAVAG e pode compensar parte da pressão proveniente do heating oil. A continuidade desse movimento dependerá do ritmo de comercialização das usinas, da oferta disponível e das condições da safra.

Inflação e juros no Brasil

O IPCA registrou alta de 0,16% em junho, desacelerando significativamente em relação ao avanço de 0,58% observado em maio. No acumulado do ano, a inflação alcançou 3,36%, enquanto o resultado em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%.

Entre os grupos pesquisados, Habitação apresentou a maior variação, com alta de 0,63%. Alimentação e bebidas recuou 0,24%, contribuindo para a desaceleração do índice. No grupo Transportes, os combustíveis caíram 0,48%, com redução de 3,09% no etanol, de 1,19% no óleo diesel e de 0,12% na gasolina.

O INPC, componente considerado diretamente na formação do IAVAG, avançou 0,14% em junho, após alta de 0,65% em maio. No acumulado do ano, o indicador registra 3,51%, enquanto a variação em 12 meses passou de 4,42% para 4,33%.

Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, a variação positiva de 0,14% do INPC continua contribuindo para a inflação dos custos do setor e exerce pressão de alta sobre o próximo cálculo do IAVAG. No entanto, essa contribuição ocorre em menor intensidade do que em maio, quando o indicador avançou 0,65%.

Na reunião de junho, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano. Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a política monetária brasileira permanece em nível restritivo, diante das expectativas de inflação ainda elevadas e das incertezas relacionadas ao cenário econômico internacional.

Para as empresas do setor aeroagrícola, a manutenção dos juros em patamar elevado continua encarecendo o crédito, o financiamento de aeronaves, equipamentos e capital de giro. Dessa forma, embora a redução da Selic represente um movimento favorável, seus efeitos sobre a atividade econômica e sobre as condições de financiamento tendem a ocorrer de forma gradual.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

A produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio frente a abril, interrompendo quatro meses consecutivos de crescimento. Na comparação com maio de 2025, houve avanço de 0,2%. No acumulado de 2026, a indústria registra crescimento de 1,4%, enquanto a variação em 12 meses ficou em 0,4%.

A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre de janeiro a março de 2026, acima dos 5,1% registrados no trimestre de outubro a dezembro de 2025, mas abaixo dos 7,0% observados no mesmo período de 2025. Apesar do aumento trimestral, essa foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

A população ocupada foi estimada em 102 milhões de pessoas, apresentando redução de 1,0% frente ao trimestre anterior e crescimento de 1,5% na comparação anual. O rendimento real habitual alcançou R$ 3.722, com alta de 1,6% no trimestre e de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Os dados indicam que, embora o desemprego tenha aumentado no início do ano, o mercado de trabalho brasileiro permanece relativamente aquecido na comparação histórica e anual. Ao mesmo tempo, os sinais de moderação da atividade industrial e a manutenção dos juros em nível elevado continuam limitando o crédito, os investimentos e a expansão da atividade econômica.

Inflação e juros nos Estados Unidos

O CPI norte-americano avançou 0,5% em maio, após alta de 0,6% em abril. Em 12 meses, a inflação passou de 3,8% para 4,2%, influenciada principalmente pelo aumento de 3,9% no grupo de energia. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês e 2,9% em 12 meses.

O resultado referente a junho será divulgado na terça-feira, 14 de julho de 2026, às 8h30 no horário de Washington. Até o fechamento deste boletim, o dado mais recente disponível permanece sendo o de maio.

A divulgação será importante para o IAVAG, pois a inflação norte-americana integra diretamente a formação do índice. Além disso, um resultado acima das expectativas poderá aumentar a possibilidade de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, pressionando os juros internacionais e o dólar.

Na reunião de junho, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Atividade econômica e mercado de trabalho nos Estados Unidos

O PIB dos Estados Unidos cresceu 2,1% em taxa anualizada no primeiro trimestre de 2026, segundo a terceira estimativa do Bureau of Economic Analysis. O resultado foi superior à segunda estimativa, que indicava crescimento de 1,6%.

Em junho, a economia norte-americana criou 57 mil vagas fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%. Apesar da redução, o BLS avaliou que os indicadores apresentaram pouca variação no período.

A moderação do emprego poderia contribuir para reduzir pressões sobre a demanda. Entretanto, neste momento, os riscos relacionados à oferta de energia e às tensões geopolíticas exercem maior influência sobre os preços internacionais.

Impactos para o IAVAG

Os indicadores desta semana apresentam movimentos opostos para os custos da aviação agrícola.

Entre os fatores favoráveis estão a queda de aproximadamente 1,22% da PTAX e o recuo de 4,44% do etanol anidro. O INPC, embora tenha desacelerado para 0,14% em junho, permaneceu positivo e continua contribuindo para a elevação do índice, mas com menor intensidade do que em maio.

Por outro lado, a valorização do heating oil representa o principal risco para o IAVAG de julho. A cotação próxima de US$ 3,75 por galão pode reverter parte do alívio energético registrado em maio e junho. A alta do Brent e do WTI reforça esse cenário, principalmente se as restrições à circulação de petróleo pelo Estreito de Hormuz persistirem.

A queda acumulada do dólar durante a última semana ajuda a limitar o impacto do aumento do heating oil quando o preço é convertido para reais. No entanto, a intensidade e a velocidade da valorização dos derivados internacionais indicam que o efeito cambial poderá não ser suficiente para neutralizar integralmente a pressão energética.

A leitura preliminar para julho é, portanto, de aumento da volatilidade, com pressão concentrada no heating oil. O comportamento médio do dólar, do etanol e das cotações energéticas durante o restante do mês será determinante para o resultado final.

A divulgação da inflação norte-americana de junho também deverá ser acompanhada. Um CPI elevado poderá pressionar diretamente o IAVAG e fortalecer as expectativas de manutenção ou elevação dos juros nos Estados Unidos, com possíveis reflexos sobre o câmbio.

IAVAG nos últimos 12 meses

jun/25-0,81%
jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
Acumulado em 12 meses:+3,14% | ↓

IAVAG — resultado de maio de 2026

O IAVAG registrou queda de 1,12% em maio de 2026, reduzindo o acumulado do ano para 2,16%. Em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 3,14%.

O resultado foi influenciado principalmente pela redução de 14,51% do heating oil e pelo recuo de 9,35% do etanol. Esses movimentos compensaram a alta de 1,35% do dólar durante o período de apuração.

Apesar do resultado favorável em maio, a valorização recente do heating oil mostra que o cenário energético permanece instável e sujeito a rápidas mudanças provocadas por conflitos geopolíticos e restrições na oferta internacional.

Comentário final

O cenário desta semana reforça a elevada sensibilidade dos custos da aviação agrícola ao mercado internacional de energia. A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o petróleo e, principalmente, o heating oil, que assume novamente a posição de principal fator de risco para o IAVAG.

Ao mesmo tempo, o recuo do dólar e a queda do etanol anidro oferecem compensação parcial. O INPC desacelerou, mas sua variação positiva continua exercendo pressão sobre os custos do setor. Esses movimentos reduzem a possibilidade de uma pressão generalizada sobre todos os componentes do índice.

O comportamento das cotações ao longo das próximas semanas será decisivo. Caso o heating oil permaneça próximo dos níveis atuais, poderá exercer pressão relevante sobre o IAVAG de julho. Se houver redução das tensões geopolíticas, normalização do transporte pelo Estreito de Hormuz e manutenção do dólar e do etanol em níveis mais baixos, parte desse impacto poderá ser limitada.

O ambiente exige acompanhamento constante, especialmente das cotações de energia, da inflação norte-americana e do câmbio. Neste momento, o cenário aponta para maior volatilidade e para uma possível reversão parcial do alívio de custos observado nos últimos meses.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.

Fonte da imagem destacada: Israel noticias

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia