Boletim Econômico | Selic em 15% ao ano: como os juros altos influenciam o custo do setor aeroagrícola.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,48 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,4% | agosto/2025

Juros EUA (Fed): ↓ 4,0% – 4,25% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓ -1,32% – US$ 62,61| 30/09/2025

Petróleo Brent: ↓ -1,24% – US$ 66,26 | 30/09/2025

Heating Oil: ↓ -0,56% – US$ 2,34 /galão | 30/09/2025

Etanol anidro (SP): ↓ -3,02% R$ 3,1184/litro | média semanal – 26/09/2025

INPC agosto/2025: ↓ -0,21%

INPC dos últimos 12 meses: ↓ 5,05%

IAVAG agosto/2025: ↓ -1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 2,52%

 

Selic e IAVAG

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano tem efeito direto na formação do IAVAG, refletindo-se em diversos componentes que compõem os custos do setor aeroagrícola. Com juros elevados, o acesso ao crédito para aquisição de aeronaves, drones, peças e insumos ficam mais restrito e caro, limitando investimentos e expansão do setor.

Por outro lado, o patamar elevado da Selic atrai fluxos de capitais externos, fortalecendo o real frente ao dólar. Esse movimento ajuda a conter parte da pressão sobre itens importados, como peças e equipamentos, mas também aumenta a sensibilidade do índice às oscilações do câmbio e às decisões futuras de política monetária.

Na prática, a Selic em 15% cria um ambiente de custos financeiros mais altos, compensado parcialmente pela valorização cambial. Esse equilíbrio delicado mostra como a política monetária, além de influenciar inflação e consumo no país, tem impacto direto sobre a dinâmica de custos do setor aeroagrícola, parte estratégico para o agronegócio brasileiro.

 

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar segue em trajetória de desvalorização frente ao real, influenciado por fatores externos e internos. No cenário internacional, a menor probabilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos e os sinais de desaceleração da economia americana reduziram a atratividade da moeda norte-americana. No Brasil, a manutenção da Selic em 15% sustenta o diferencial de juros, fortalecendo o real e atraindo fluxo de capitais.

Segundo o Boletim Focus, a projeção para o câmbio ao fim de 2025 recuou de R$ 5,50 para R$ 5,48, enquanto para 2026 a expectativa é de R$ 5,58. Nesta terça-feira (30/09), o dólar abriu em queda, sendo negociado na faixa de R$ 5,31 – R$ 5,32, refletindo esse movimento de valorização do real.

 

Inflação nos EUA (CPI)

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, acima dos 0,2% de julho, acumulando 2,9% em 12 meses. Os maiores impactos vieram de alimentos, energia e habitação, este último com avanço expressivo nos custos. O resultado reforça que a inflação segue acima da meta de 2% do Federal Reserve, mantendo pressão sobre a política monetária.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve reduziu sua taxa básica em 0,25 p.p., passando de 4,25%–4,50% para 4,00%–4,25%. Esse foi o primeiro corte do ano, em resposta a sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho, mas com inflação ainda acima da meta.

O Fed sinalizou cautela: novos cortes só virão se os dados confirmarem queda sustentada da inflação sem comprometer o emprego. O impacto começa a aparecer nos custos de financiamento (empréstimos, hipotecas e cartões), o que pode estimular consumo e investimento, mas a confiança e as expectativas inflacionárias ainda serão determinantes.

 

PIB – Estados Unidos

O Produto Interno Bruto (PIB) real dos Estados Unidos do segundo trimestre foi revisado de 3,3% na segunda estimativa para 3,8% na terceira estimativa. O desempenho foi sustentado principalmente pelo maior consumo das famílias e a queda nas importações. O resultado reforça a solidez e a capacidade de resistência da economia americana, mesmo em um cenário de juros elevados.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego norte-americana avançou para 4,3% em agosto, após marcar 4,1% em julho, sinalizando leve enfraquecimento do mercado de trabalho. O aumento reflete os efeitos acumulados da política monetária restritiva, com juros elevados por vários meses, que começam a impactar a atividade econômica.

Esse movimento pode reduzir a pressão inflacionária sobre salários, mas também evidencia que o crescimento dos EUA perde fôlego. Para o Federal Reserve, o cenário exige cautela: a autoridade monetária precisa equilibrar o combate à inflação com o risco de uma desaceleração mais intensa.

 

Selic – Brasil

O Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, reforçando sua postura de cautela diante de um cenário ainda marcado por incertezas externas e pressões inflacionárias domésticas. A decisão reflete a necessidade de preservar a ancoragem das expectativas de inflação e garantir a estabilidade do câmbio, em um momento em que os custos de energia e combustíveis continuam voláteis e o mercado de trabalho mostra sinais de aquecimento.

Para os próximos meses, a autoridade monetária sinalizou que a taxa deve permanecer em patamar elevado por mais tempo, avaliando de forma gradual o impacto das condições econômicas. A expectativa do mercado, refletida no Boletim Focus, é de que o início de um ciclo de cortes só ocorra no segundo semestre de 2026, condicionado à convergência mais firme da inflação para a meta e à dissipação dos riscos fiscais e externos.

Para o setor aeroagrícola, o cenário significa maior cautela no acesso a linhas de crédito, o que pode adiar planos de expansão e renovação de frota. Por outro lado, o fortalecimento do real frente ao dólar ajuda a conter pressões vindas das importações.

 

PIB Brasil – 2º Trimestre de 2025

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,4% no segundo trimestre de 2025 frente ao primeiro trimestre, já com ajuste sazonal. Na comparação anual, houve crescimento de 2,2% em relação ao 2º trimestre de 2024, refletindo a continuidade da recuperação econômica em setores como serviços e agropecuária.

Apesar do resultado positivo, o ritmo segue moderado diante de um cenário de juros elevados (Selic em 15%), que restringem o crédito e a expansão do consumo e dos investimentos.

Segundo o Banco Central, a expectativa é de que a economia mantenha um crescimento mais contido nos próximos trimestres, em torno de 2% para 2025, convergindo gradualmente para um patamar de expansão sustentável. A análise futura aponta que a evolução dependerá do equilíbrio entre política monetária, inflação em desaceleração e os impactos das tensões externas, que podem afetar exportações e o câmbio.

 

Desemprego – Brasil

No 2º trimestre de 2025, a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,8%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. A melhora reflete a retomada da atividade econômica, com destaque para a geração de empregos em serviços, construção e agronegócio.

 

Heating Oil

Nesta terça-feira, o contrato futuro do heating oil foi negociado a aproximadamente US$ 2,34 por galão, registrando queda diária de 0,56% nos mercados internacionais. O movimento reflete uma oferta relativamente estável combinada a incertezas quanto à demanda global, em um cenário marcado por taxas de juros elevadas e preocupações macroeconômicas em várias economias. Esse contexto mantém o mercado atento, já que mudanças na atividade econômica mundial podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda do combustível.

 

Etanol Anidro

Na semana de 22 a 26 de setembro de 2025, o preço médio do etanol anidro no estado de São Paulo foi de R$ 3,1184/litro, recuo de 3,02% frente à semana anterior (CEPEA/ESALQ). A queda reflete principalmente a uma quantidade elevada do estoque e ao menor ritmo de compras das distribuidoras. O mercado segue atendo aos resultados finai do desempenho da safra 2025/26.

 

INPC – julho/2025

O INPC registrou deflação de −0,21% em agosto, revertendo a alta de 0,21% de julho. No acumulado em 12 meses, o índice recuou para 5,05%, levemente abaixo dos 5,13% anteriores.

A queda foi puxada principalmente por habitação (−1,04%), com destaque para a redução na conta de luz favorecida pelo bônus da Itaipu. Também contribuíram a retração nos alimentos (−0,54%), que vinham sendo foco de pressão, e nos transportes (−0,25%).

Segundo o Banco Central, a expectativa é de que a inflação siga em trajetória de desaceleração, aproximando-se gradualmente da meta de 3% ao ano, embora ainda permaneça acima do patamar desejado no curto prazo. Esse cenário reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária, especialmente diante da persistência de fatores externos que podem pressionar os preços.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Total2,52%

 

IAVAG – julho/2025

Após alta de 1,48% em julho, o IAVAG registrou deflação de 1,29% em agosto, com o acumulado em 12 meses recuando de 2,97% para 2,52%. O resultado foi puxado pela desvalorização do dólar (–3,12%), pela queda no heating oil (–5,26%) e pela deflação do INPC (–0,21%), influenciada por alimentos mais baratos e redução nas tarifas de energia.

O movimento reforça a sensibilidade do índice ao câmbio, aos combustíveis e à inflação doméstica. Apesar da deflação, o cenário segue volátil, marcado por incertezas externas e impactos das tarifas comerciais entre Brasil e EUA.

 

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

Fonte da foto: Estudio Singerman & Makón (2022)

 

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia